Quase dois em cada três novos frequentadores abandonaram a academia antes de completar três meses em um estudo brasileiro que acompanhou 5.240 pessoas. A taxa de 63% de desistência expõe um problema que vai além da prática de exercícios e alcança a gestão de empresas que dependem da permanência dos clientes para manter receitas recorrentes.
O desafio ocorre em um setor pulverizado. O Brasil contabilizava 103.790 empresas ativas no segmento de academias e atividades físicas em 2025, segundo o Sebrae. Juntas, elas respondiam por 186.592 empregos, número 12,7% superior ao registrado no ano anterior.
Nesse mercado, a tecnologia começa a ser utilizada não somente para montar treinos ou controlar equipamentos, mas para compreender o comportamento dos alunos. A Movement desenvolveu o Movement ARCH com a proposta de integrar equipamentos, aplicativos, dados e inteligência artificial em um único ecossistema.
A ferramenta acompanha informações como entrada na academia, frequência, exercícios realizados e utilização dos aparelhos. Com uma base histórica, mudanças no comportamento podem servir de referência para que profissionais e gestores identifiquem alunos que necessitam de atenção.
“Pensamos em uma tecnologia capaz de ter uma visão 360 graus da jornada do aluno dentro da academia, desde o momento em que ele passa pela catraca até a entrega de uma experiência de treino mais personalizada, eficiente e completa. O objetivo é conectar dados, equipamentos e profissionais para entender o que acontece durante essa jornada e permitir que a academia ofereça a atenção certa, no momento certo”, afirma Victor Xavier, head do Laboratório de Inovação da Movement.
O acompanhamento inclui situações aparentemente simples. Um equipamento ocupado repetidamente pode fazer com que o aluno pule parte do treinamento. No sistema, uma alternativa equivalente pode ser apresentada. O mesmo ocorre quando determinado exercício ou aparelho não atende às necessidades ou preferências daquela pessoa.
Para os profissionais, as informações podem funcionar como uma forma de priorização. Em uma sala com vários alunos ao mesmo tempo, o sistema ajuda a identificar quem enfrenta alguma dificuldade e em qual momento uma intervenção pode ser necessária.
Para a gestão, a lógica é econômica. Quanto mais cedo ocorre o abandono, menor é o período de receita proporcionado por aquela matrícula. Além disso, a academia precisa continuar investindo na aquisição de clientes para substituir aqueles que saíram.
A proposta do ARCH é utilizar dados já produzidos pela própria rotina de treinamento para diminuir pontos de atrito e ampliar o acompanhamento. Dessa forma, tecnologia deixa de atuar somente na prescrição de exercícios e passa a integrar a estratégia de retenção.