Durante os últimos anos, o conceito BANI foi amplamente utilizado por empresas para explicar um mundo marcado pela fragilidade, ansiedade, não linearidade e incompreensibilidade. Agora, o brasileiro Leonardo Tristão, CEO da Performa_IT e integrante do Conselho de Administração da IMA (Informática de Municípios Associados), defende que esse modelo já não descreve adequadamente a realidade criada pela inteligência artificial e propõe um novo framework: o PACE. Desenvolvido a partir da experiência prática da Performa_IT em projetos de transformação digital e inteligência artificial, o conceito busca oferecer uma nova leitura sobre os desafios enfrentados pelas organizações em um cenário em que a IA passou a alterar não apenas processos, mas também a forma como empresas aprendem, tomam decisões e lideram mudanças.
Segundo Tristão, o modelo BANI continua importante para compreender o contexto de incerteza vivido nos últimos anos, mas já não explica plenamente um ambiente em que a inteligência artificial passou a programar tarefas, acelerar ciclos de inovação, ampliar capacidades cognitivas e gerar mudanças emergentes em ritmo constante. É essa mudança de lógica que dá origem ao PACE, formado pelas dimensões Programável, Acelerado, Cognitivo e Emergente.
No conceito proposto, Programável representa a democratização da criação de soluções digitais, tornando possível o desenvolvimento de aplicações sem depender exclusivamente de equipes de programação. Acelerado descreve a velocidade inédita com que tecnologias, ferramentas e modelos de negócio evoluem. Cognitivo evidencia que o principal desafio deixou de ser tecnológico e passou a ser humano, exigindo aprendizado contínuo e novas capacidades de interpretação e tomada de decisão. Já Emergente traduz um ambiente em que novas possibilidades surgem constantemente da interação entre pessoas, processos e inteligência artificial.
Na prática, viver no mundo PACE significa incorporar essas quatro características à forma de trabalhar e liderar. Para os gestores, isso implica atuar em ciclos mais curtos de decisão, rever prioridades à medida que novas possibilidades surgem e criar condições para que as equipes aprendam e experimentem continuamente. Para os profissionais, significa deixar de enxergar a IA apenas como uma ferramenta para executar tarefas e passar a utilizá-la como parte do processo de análise, criação e solução de problemas. Nesse ambiente, a capacidade de aprender, testar, avaliar e ajustar torna-se tão importante quanto o domínio técnico de uma determinada função.
Essa lógica também muda a forma como as empresas decidem onde investir em inteligência artificial. Em vez de adotar uma tecnologia porque ela está disponível ou porque concorrentes já começaram a utilizá-la, a liderança precisa definir primeiro qual problema pretende resolver, qual resultado espera alcançar e como esse resultado será medido. É nesse ponto que o PACE deixa de ser apenas uma descrição do novo ambiente e passa a orientar uma forma de pensar: em um mundo acelerado e programável, experimentar se torna mais fácil, mas escolher o que merece ser escalado exige critérios de negócio.
“A maioria das empresas começa pela ferramenta. Nós defendemos o caminho inverso: começar pelo problema de negócio. Inteligência artificial não pode ser tratada como um software que precisa ser implantado, mas como uma iniciativa estratégica com objetivos claros, indicadores e critérios para medir impacto. Sem isso, qualquer discussão sobre ROI fica comprometida”, afirma.
Na avaliação do executivo, é justamente a utilização de modelos mentais que já não acompanham essa nova realidade que explica por que tantas iniciativas de IA ainda não geram resultados consistentes nas organizações.
Uma aplicação desse raciocínio aparece no conceito de “Return on Tokens”, ou retorno sobre tokens, também defendido por Tristão para avaliar projetos de IA generativa. Como cada interação com modelos de linguagem envolve consumo de tokens e, portanto, um custo variável, o crescimento do uso da tecnologia não significa necessariamente que ela esteja gerando mais valor. A discussão passa a ser qual resultado de negócio é gerado a partir desse consumo — seja em eficiência, receita, qualidade de uma decisão ou solução de um problema. A lógica ajuda a exemplificar o tipo de pensamento exigido no mundo PACE: mais importante do que medir quanto uma tecnologia está sendo utilizada é entender o que ela efetivamente entrega.
Os números reforçam esse cenário. Um levantamento recente da McKinsey, realizado com quase 1.500 organizações globais, mostra que 88% das empresas já utilizam inteligência artificial em alguma função, percentual que subiu em relação aos 78% registrados no ano anterior. No Brasil, 72% das empresas ainda permanecem nos estágios iniciais ou experimentais de adoção da tecnologia. Para Tristão, esses dados mostram que a ampla disseminação da IA não significa, necessariamente, transformação organizacional.
Há empresas que já começam a avançar da experimentação para aplicações ligadas a desafios concretos do negócio. Em uma iniciativa realizada pela Aviva, plataforma de viagens e entretenimento que detém os resorts Costa do Sauípe (BA) e Rio Quente Resorts (GO), além da marca Hot Park, reconhecida internacionalmente, em parceria com a Performa_IT , por exemplo, uma jornada de capacitação em inteligência artificial envolveu mais de 550 colaboradores e estimulou o desenvolvimento de aplicações em diferentes áreas. Na Tesouraria, um dos projetos utiliza IA integrada ao Excel para apoiar análises financeiras e identificou uma oportunidade de otimização com impacto estimado em R$ 1,7 milhão por ano. O caso exemplifica como a adoção da IA pode partir da capacitação das pessoas e chegar a aplicações vinculadas a problemas e indicadores de negócio.
Outro obstáculo apontado por Tristão é o baixo nível de letramento sobre inteligência artificial dentro das organizações. Segundo ele, ainda é comum que empresas confundam automação com IA ou tratem a tecnologia apenas como uma solução operacional, deixando de compreender seu potencial estratégico para transformar processos, apoiar decisões e gerar vantagem competitiva.
O executivo também alerta para outro erro recorrente: concentrar toda a responsabilidade pela inteligência artificial nas áreas de tecnologia. Na avaliação dele, quando a IA passa a ser tratada exclusivamente como uma agenda da TI, perde-se a oportunidade de envolver as áreas de negócio e acelerar a transformação organizacional.
Leonardo acrescenta que os principais obstáculos à adoção da inteligência artificial já não são tecnológicos. Para ele, cultura de resistência, receio de substituição e ausência de protagonismo das lideranças estão entre os fatores que mais dificultam a consolidação dessas iniciativas nas organizações. Nesse cenário, permitir que colaboradores utilizem ferramentas de IA sem direcionamento, capacitação e uma estrutura mínima de governança dificilmente produzirá mudanças consistentes.
“A inteligência artificial não é uma revolução tecnológica. É uma revolução cognitiva. Enquanto a gente não entender que a IA não se resume à tecnologia, que não é somente uma agenda da área de TI das empresas, não vamos avançar. Inteligência artificial é a agenda da liderança.
Para o criador do PACE, o desafio das organizações deixou de ser apenas adotar novas ferramentas e passou a exigir uma nova forma de interpretar o ambiente de negócios. É essa mudança de perspectiva que o framework pretende oferecer, propondo uma leitura do mundo em que a inteligência artificial torna os processos cada vez mais programáveis, acelerados, cognitivos e emergentes.
SOBRE PERFORMA_IT
A Performa IT é uma empresa de tecnologia e inovação que atua como parceira estratégica na construção do futuro dos negócios, impulsionando processos de transformação digital por meio do desenvolvimento de soluções com inteligência artificial, engenharia e metodologias próprias para resolver desafios reais do mercado. Fundada por Léo Tristão, André Paganuchi e Samir Karam, a empresa iniciou sua trajetória com foco em desenvolvimento de software e, ao longo de sua evolução, consolidou-se como uma empresa de desenvolvimento de soluções digitais, integrando estratégia, design, lean e tecnologia em projetos voltados à geração de resultado e eficiência operacional.
Com presença no Brasil e atuação internacional a partir de Lisboa, a Performa_IT atende empresas nacionais e multinacionais, desenvolvendo iniciativas que equilibram visão de longo prazo e entregas concretas no presente. Entre seus projetos e parcerias estão iniciativas realizadas com organizações como HP / Hewlett Packard Enterprise, Farmácias Pague Menos, BIC e ZEISS Group, além da parceria institucional com a CBN Campinas por meio do podcast “Performa Q. Pod.”. A empresa mantém como diretriz colocar a inteligência artificial no centro das soluções e as pessoas no centro da transformação.
Site: https://performait.com/
Instagram: @performaitsolutions
Fonte: Gabriela Branco | Agência ERA®