O Circuito Batatinha, no Centro Histórico do Pelourinho, foi tomado pela energia contagiante do Bloco Samba de Seu Zé, que chegou ao seu terceiro ano de folia. O grupo envolveu os foliões com pontos da malandragem e o ritmo vibrante do samba, transformando as ruas em um grande palco de celebração popular.
Mais do que uma manifestação carnavalesca, o Bloco Samba de Seu Zé é uma expressão cultural e religiosa que integra o Carnaval de Salvador. Organizado pelo Santuário Zé Pelintra Salvador, sob a liderança do Babalorixá Pai Wellington Luís Silva da Conceição, o bloco tem como objetivo unir o samba à fé na entidade Zé Pelintra, reverenciando a ancestralidade afro-brasileira e exaltando a malandragem como símbolo de resistência e identidade.
A trajetória de Pai Wellington Luís é marcada pela dedicação ao candomblé e ao fortalecimento da cultura afro-brasileira. Iniciado em 2006 no Ilê Axé Oman Ogum Lanã, tornou-se Babalorixá do Ilê Baba Ala Piti Oke em 2018. Em 2023, fundou o Santuário de Zé Pelintra em Salvador, promovendo caminhadas culturais contra a intolerância religiosa e em defesa do reconhecimento ancestral. Recebeu homenagens no Rio de Janeiro e expandiu o movimento com ações em cidades como Piatã, Araci, Juazeiro, Santo Amaro da Purificação e Alagoinhas, além de criar o bloco de samba e a banda Samba de Malandro. Em 2024, foi eleito conselheiro estadual de cultura, reforçando seu compromisso com a valorização da fé e da identidade popular.
A cada desfile, o Bloco Samba de Seu Zé reafirma seu papel como espaço de afirmação étnica, espiritual e social. Ao transformar a folia em um ato de cidadania, o movimento contribui para a preservação da herança africana e fortalece os laços comunitários, mostrando que o Carnaval é também um território de memória, fé e luta.