A Associação Brasileira de Veleiros de Oceano (ABVO) abriu as inscrições para o Campeonato Brasileiro de Oceano 2026, que será disputado entre a 76ª Regata Santos-Rio, em 22 de outubro, e o 57º Circuito Rio, de 30 de outubro a 2 de novembro. A edição terá um novo sistema de pontuação e reunirá, pela primeira vez, as quatro principais classes da vela oceânica nacional: ORC, Bra-RGS, RGS-Cruiser e RGS-Clássicos.
Organizado em parceria com o Iate Clube de Santos e o Iate Clube do Rio de Janeiro, o campeonato terá início com a largada da Santos-Rio, considerada a mais antiga travessia do Brasil. A programação será concluída com as provas do Circuito Rio, entre os dias 30 de outubro e 2 de novembro.
A reunião das quatro classes é uma das novidades desta edição. A ABVO pretende ampliar a abrangência do Brasileiro, colocando na mesma competição barcos de diferentes projetos, características e níveis de desempenho.
O sistema de pontuação também foi reformulado. Os valores serão progressivos durante o campeonato: a Santos-Rio terá peso 1 e não poderá ser descartada, enquanto as provas seguintes terão pesos maiores, até alcançar 1,7 na última regata do Circuito Rio.
A intenção é evitar uma definição antecipada do título e fazer com que o resultado permaneça em aberto até o encerramento. O modelo também favorece as equipes capazes de manter bom desempenho em condições variadas de navegação.
Bayard Neto, comodoro da ABVO, explica que a proposta é identificar o conjunto mais completo ao longo de toda a competição:
“Queremos que o Campeonato Brasileiro identifique realmente o velejador e a equipe mais completos. A Santos-Rio exige resistência, estratégia, leitura meteorológica e capacidade de navegar por muitas horas em mar aberto. Depois, no Circuito Rio, entram outros desafios, com regatas costeiras e provas mais técnicas, nas quais manobra, velocidade e tomada de decisão ganham ainda mais importância. Criamos um formato em que não basta ser muito bom em uma única condição. É preciso velejar bem durante todo o campeonato”
Segundo o Almirante Adalberto Casaes, capitão da Flotilha de Oceano do Iate Clube do Rio de Janeiro, o novo critério poderá provocar mudanças constantes na classificação:
“A pontuação poderá alterar o posicionamento dos ponteiros a cada dia. Cada regata terá sucessivamente maior peso, permitindo que a disputa fique aberta até o último dia”
Chegada da Santos-Rio será antecipada para a Ilha Rasa
A 76ª Santos-Rio terá ainda uma alteração no percurso. Em 2026, a linha de chegada será instalada na região da Ilha Rasa, antes da entrada da Baía de Guanabara.
A mudança retira da fase final da regata os efeitos específicos das condições encontradas no interior da baía. Correntezas e calmarias podem provocar alterações expressivas na classificação depois de centenas de milhas percorridas em mar aberto.
Com a chegada posicionada fora da Guanabara, a expectativa é de uma conclusão mais rápida e de maior valorização do desempenho construído pelas equipes durante a travessia.
Odoardo Lantieri, Diretor de Vela do Iate Clube de Santos, ressalta a importância da mudança:
“A Regata-Santos Rio é a mais antiga travessia do Brasil, e também uma regata extremamente técnica, onde a estratégia e a leitura das condições faz toda a diferença. Ela fará deste Brasileiro o mais completo que já tivemos, com uma regata de longo percurso, regatas de médio percurso e regatas barla-sota. E, neste ano, a chegada na Ilha-Rasa mudará completamente a estratégia”
RGS-Cruiser terá gate exclusivo em Ilhabela
A Santos-Rio também manterá em 2026 o gate destinado aos barcos da classe RGS-Cruiser no Canal de São Sebastião, em Ilhabela (SP), iniciativa que já havia sido adotada na edição anterior.
Os três primeiros RGS-Cruiser a passarem pelo ponto de controle serão premiados, mesmo que não concluam posteriormente o percurso completo até o Rio de Janeiro.
A iniciativa busca atrair veleiros de cruzeiro e tripulações interessadas em participar de uma grande regata oceânica, inclusive aquelas que ainda não contam com experiência ou estrutura suficientes para realizar toda a Santos-Rio.
Na avaliação da ABVO, o gate, a presença das quatro classes e a pontuação progressiva integram uma estratégia única de ampliação da participação e de representação da diversidade da vela oceânica brasileira.
A entidade administra tecnicamente as principais regras de rating utilizadas no país e representa o Brasil na ORC. Em conjunto com os clubes organizadores, trabalha para promover competições mais equilibradas, seguras e tecnicamente consistentes.
Inscrições e Aviso de Regata: www.sailrace.com.br
Sobre a ABVO
Criada em 1955, a Associação Brasileira de Veleiros de Oceano é a única entidade de promoção da Vela de Oceano no Brasil. Como braço oficial da Confederação Brasileira de Vela (CBVela), a ABVO organiza competições anuais e trabalha para preservar o legado de uma das modalidades esportivas mais vitoriosas do país, tanto entre as classes olímpicas quanto nas não olímpicas.
A direção da entidade tem o santista Bayard Umbuzeiro Neto como Comodoro, o bicampeão olímpico Torben Grael como 1º Vice-Comodoro e Paulo Cezar Gonçalves, o Pileca, como 2º Vice-Comodoro.
A gestão atual tem entre suas metas otimizar e racionalizar o calendário nacional, fortalecer a relação com os clubes e seus eventos, ampliar a presença das flotilhas regionais, prestar suporte técnico às competições, aperfeiçoar os sistemas de apuração e contribuir para o desenvolvimento da vela oceânica no Brasil.