Mesmo com avanços expressivos em tecnologia, métodos construtivos e gestão, as obras de grande porte continuam enfrentando atrasos significativos no Brasil. Na teoria, a inovação deveria acelerar processos e reduzir prazos. Na prática, porém, fatores estruturais, burocráticos e operacionais ainda impõem um ritmo mais lento do que o esperado.
Quem acompanha essa realidade de perto é Cláudio De Souza Cruz, empreendedor da construção civil com 14 anos de experiência, atuando desde obras residenciais de pequeno porte até empreendimentos maiores, como casas, condomínios e prédios. Com forte domínio técnico e visão estratégica, ele avalia que um dos principais entraves continua sendo a falta de planejamento adequado.
“Muitos atrasos começam ainda na fase inicial, com cronogramas mal definidos e sem planos de contingência. Quando o imprevisto surge, a obra não tem estrutura para reagir rapidamente”, afirma Cláudio.
Além do planejamento deficiente, a burocracia é apontada como um dos gargalos mais críticos do setor. Processos de licenciamento complexos e, especialmente em obras públicas, a insegurança jurídica e intervenções judiciais, frequentemente paralisam projetos por meses ou até anos. “No Brasil, a burocracia pode ser tão impactante quanto um problema técnico. Muitas vezes, a obra está pronta para avançar, mas fica travada por questões legais”, explica.
Outro desafio recorrente é a escassez de mão de obra qualificada, especialmente diante da introdução de novas tecnologias e da crescente complexidade dos empreendimentos. Segundo Cláudio, isso afeta diretamente a produtividade e a qualidade da execução. “Hoje não basta ter força de trabalho, é preciso ter profissionais preparados para lidar com tecnologia, processos e padrões mais exigentes”, destaca.
Questões financeiras e logísticas também pesam no cronograma. Juros elevados, dificuldades de financiamento e falhas no transporte de materiais e equipamentos comprometem o ritmo das obras. A isso se somam os imprevistos naturais de projetos complexos, como condições climáticas desfavoráveis e desafios de engenharia que exigem soluções técnicas mais elaboradas. “Obras grandes são organismos vivos, sempre surgem variáveis que precisam ser resolvidas com rapidez e precisão”, observa.
Com amplo domínio de técnicas como alvenaria, concretagem, armação, fundações e revestimentos, além de forte atuação em controle de qualidade, medições e acompanhamento de produtividade, Cláudio defende que a tecnologia é uma aliada indispensável para mudar esse cenário. Ferramentas como BIM, drones, realidade aumentada e a digitalização de processos permitem antecipar problemas e aumentar significativamente a eficiência.
“Quando bem aplicada, a tecnologia pode elevar a produtividade em até 50%, mas ela precisa caminhar junto com gestão e planejamento”, ressalta.
Ele também aponta a construção modular e métodos modernos de gestão de projetos como caminhos para reduzir prazos e impactos ambientais. “A inovação existe, o desafio é fazer com que ela supere os entraves estruturais do setor e se torne regra, não exceção”, conclui.