Com 25 episódios e artistas de 17 estados, Podcast Perdigoto conclui primeira temporada

Com 25 episódios e artistas de 17 estados, Podcast Perdigoto conclui primeira temporada

Israel Oliveira
3 min de leitura 92
Divulgação

Com apresentação de Aury Porto e Leonardo Ventura, produção reuniu artistas de 17 estados e ampliou registro histórico das artes cênicas do país; dois últimos episódios já estão disponíveis

Ao concluir sua primeira temporada, o Podcast Perdigoto reafirma seu papel como espaço de reflexão estruturada sobre o teatro brasileiro contemporâneo, evidenciando a diversidade de trajetórias e perspectivas que compõem a cena nacional. Conduzido pelos atores e diretores Aury Porto e Leonardo Ventura, o projeto reuniu cerca de 53 artistas, pesquisadores e gestores culturais de 17 estados ao longo de 25 episódios, propondo um panorama que articula memória, criação e políticas culturais.

A iniciativa integra a residência artística da mundana companhia no Instituto Capobianco e parte de um princípio editorial claro: registrar experiências e pensamentos do teatro brasileiro a partir da fala de seus protagonistas, com recorte nacional e diversidade regional.

Com trajetória consolidada como ator, diretor e dramaturgo, Aury Porto é reconhecido por pesquisas de linguagem e pela construção de projetos autorais que tensionam tradição e contemporaneidade. Leonardo Ventura, também ator e diretor, desenvolve trabalho ligado à formação e à investigação de processos criativos, agregando ao podcast um olhar analítico sobre contextos históricos e dinâmicas de produção. A parceria entre os dois estrutura a condução do programa, marcada por clareza editorial e organização temática.

Diálogo entre tempos da cena
O episódio 24 coloca em perspectiva diferentes momentos do teatro brasileiro ao reunir a artista visual e performer Roma Rio e o ator e diretor Cláudio Tovar. A conversa evidencia como distintas gerações formulam respostas próprias aos contextos políticos e culturais de seus períodos.
Roma Rio apresenta uma produção atravessada por questões de território, identidade de gênero, cultura popular e vivência amazônica, articulando corpo e espaço como eixos centrais de sua criação. Já Cláudio Tovar revisita sua atuação a partir dos anos 1970, incluindo a participação no grupo Dzi Croquettes, coletivo que marcou a cena brasileira pela experimentação estética e pela ruptura de padrões comportamentais durante a ditadura militar.
O episódio evidencia permanências — como o protagonismo do corpo e o impulso de reinvenção formal — e também transformações nos modos de produção e circulação das artes cênicas ao longo das décadas.

Festivais como estrutura cultural
No episódio final (25), o foco recai sobre o papel dos festivais e mostras na consolidação da atividade teatral fora dos grandes centros. A partir do Festival de Inverno de Campina Grande e do Festival Amazônia em Cena, o debate examina como esses eventos contribuem para formação de público, intercâmbio artístico e manutenção de redes culturais regionais.
Participam da conversa Chicão Santos, Eneida Maracajá e Chico Oliveira, gestores e realizadores ligados diretamente a essas iniciativas. O programa analisa os desafios de financiamento, continuidade e inserção nacional enfrentados por festivais que operam como polos estruturantes em seus territórios, especialmente fora do eixo Rio–São Paulo.

Registro da cena contemporânea
Ao longo da temporada, o Perdigoto construiu um recorte plural da produção teatral brasileira, articulando diferentes regiões, linguagens e gerações. Em vez de se concentrar apenas em estreias ou lançamentos pontuais, o podcast organiza seus episódios como blocos temáticos que permitem compreender processos, trajetórias e contextos históricos de forma integrada.
Ao encerrar o ciclo, a produção consolida um material de referência para artistas, pesquisadores e interessados na cena nacionaln — ampliando a visibilidade de experiências que muitas vezes permanecem à margem do debate cultural hegemônico e contribuindo para a formação de um registro sistemático das artes cênicas no Brasil contemporâneo.

A curadoria do Perdigoto foi feita com Alexandre Mate e Wlad Lima. A Produção é de Nana Yazbek. A trilha sonora e mixagem é de Ivan Garro.

SERVIÇO
Podcast Perdigoto
Disponível nas principais plataformas digitais de áudio, como Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts, Amazon Music e Deezer.

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