O início de 2026 encontra um cenário já desenhado ao longo do ano anterior: o interesse dos brasileiros em viver fora do país segue elevado e com fortes indicativos de continuidade. Os dados consolidados de 2025 apontam que a imigração deixou de ser um movimento pontual para se tornar parte de um planejamento estruturado de vida para uma parcela significativa da população.
Levantamento do Observatório Febraban, divulgado ao final de 2025, mostra que 40% dos brasileiros afirmaram ter interesse em morar no exterior. Entre os potenciais emigrantes, os Estados Unidos permaneceram como o destino mais citado, concentrando 37% das menções, à frente de países europeus e do Canadá. O resultado reforça a preferência por países percebidos como mais estáveis e com maior previsibilidade institucional.
A tendência também se refletiu na busca por orientação especializada ao longo de 2025. Segundo a pesquisa anual da Bicalho Consultoria Legal, a procura por informações e processos migratórios relacionados aos Estados Unidos apresentou crescimento significativo. Entre janeiro e dezembro, foram registrados cerca de 8 mil atendimentos, dos quais 85% tiveram os EUA como foco principal.
Para Vinícius Bicalho, advogado especializado em imigração, fundador e CEO da Bicalho Consultoria Legal, o início de 2026 indica que esse movimento não deve perder força no curto prazo.
“O que observamos ao longo de 2025 foi uma mudança clara de comportamento: a imigração deixou de ser uma reação imediata e passou a ser tratada como um projeto de médio e longo prazo. Pela procura que já vemos neste começo de ano, a tendência é de continuidade, especialmente entre famílias e profissionais qualificados”, afirma.
Os dados da Febraban também indicam que o interesse em morar fora do Brasil foi mais expressivo entre os mais jovens em 2025. Na Geração Y, cerca de metade dos entrevistados considerou a possibilidade de emigrar, enquanto na Geração Z o índice chegou a 44%. Especialistas associam esse perfil à busca por experiências internacionais, desenvolvimento profissional e maior mobilidade global.
Outro ponto relevante observado ao longo de 2025 pela Bicalho foi o crescimento da presença de famílias nos processos migratórios. Aproximadamente 75% dos atendimentos envolveram núcleos familiares, e 90% dos interessados possuíam formação qualificada, com destaque para as áreas de saúde, tecnologia, engenharia, administração e direito.
Mesmo diante de ajustes regulatórios e maior rigor na fiscalização do sistema migratório americano, os Estados Unidos seguem sendo percebidos como um destino viável quando há planejamento adequado. Ao longo de 2025, cerca de 4 mil brasileiros buscaram informações sobre residência permanente, enquanto outros 2 mil demonstraram interesse em vistos temporários, como turismo e estudos.
Com o avanço de 2026, os dados e os primeiros indicadores do ano sugerem que o interesse em viver fora do Brasil deve continuar fazendo parte das reflexões sobre projetos de vida, qualidade de vida e oportunidades internacionais — agora de forma cada vez mais estratégica, planejada e informada.