O espetáculo “Nictofobia” inaugura sua circulação no Teatro Correios Léa Garcia, no Rio de Janeiro, mergulhando no coração das trevas de Edgar Allan Poe, com direção de Felipe Villela e realização da Villelarte Produções. Narrado por fobias vivas, a montagem revive contos do mestre do horror com uma estética inquietante e original. Cada conto se desenvolve como um labirinto de terror e suspense, onde o público é convidado a enfrentar o imaginável lado a lado com Nictofobia, Claustrofobia, Tanatofobia, Agorafobia, Acrofobia e Zoofobia – personagens que são medos encarnados. Contemplado na Mostra Regional de Artes Cênicas – edital SESC 2025, a nova circulação do espetáculo traz a supervisão do diretor Daniel Herz, da Cia Atores de Laura, e estará em cartaz nos dias 25, 26 e 27 de junho.
A escolha de transformar as fobias em contadoras da história surgiu do desejo de unificar os diferentes textos. O diretor Felipe Villela explica como se deu esse processo de criação: “Ao invés de criar um narrador tradicional, buscamos nos próprios temas recorrentes da obra de Poe uma chave de leitura. Foi então que chegamos às fobias. Inspirados pelos estudos de Carl Jung sobre arquétipos e inconsciente coletivo, imaginamos que os medos presentes nos contos poderiam ganhar forma humana e se tornar personagens. Assim nasceram Nictofobia, Claustrofobia, Tanatofobia, Agorafobia, Acrofobia e Zoofobia. A intenção foi transformar esses medos em figuras simbólicas, quase como entidades que observam e conduzem o público pelos universos criados por Poe”, revela.
No palco, o espetáculo é interpretado por seis atrizes que dão vida às fobias que conduzem a narrativa. Juliana Lacerda interpreta Nictofobia, o medo do escuro; Suelen Soares interpreta Claustrofobia, o medo de espaços fechados; Luísa Mayão interpreta Tanatofobia, o medo da morte; Lili Pardini interpreta Agorafobia, o medo dos espaços abertos e da exposição; Milla Villela interpreta Acrofobia, o medo de altura; e Fernanda Cunha interpreta Zoofobia, o medo dos animais. Essas personagens não atuam apenas como narradoras, pois, ao longo do espetáculo, as fobias assumem também personagens dos contos de Edgar Allan Poe, criando relações simbólicas entre cada medo e as histórias apresentadas.
A montagem constrói uma atmosfera própria por meio dos elementos de cena e do tom da atuação. Felipe Villela detalha o que o público pode esperar da encenação: “Uma experiência que mistura terror, suspense e humor. Embora a obra de Edgar Allan Poe seja conhecida pelo aspecto sombrio, a montagem procura trabalhar contrastes. Ao lado das cenas mais tensas e inquietantes, surgem momentos de humor inspirados por referências como A Família Addams e Beetlejuice, criando uma atmosfera ao mesmo tempo divertida e perturbadora”.
A iluminação desempenha um papel fundamental na construção desse universo, explorando sombras e contrastes que ajudam a transportar o espectador para dentro dos contos. O figurino e a maquiagem também colaboram para a criação das fobias e das diferentes personagens que surgem ao longo da narrativa. A proposta de Nictofobia é criar uma experiência teatral que oscila entre o medo, a diversão e a reflexão, aproximando o público do universo de Edgar Allan Poe por meio de uma linguagem acessível e contemporânea.
O suporte recebido por meio do edital público teve papel central no desenvolvimento do grupo e no aprimoramento do trabalho cênico. Contemplado na Mostra Regional de Artes Cênicas – edital SESC 2025, o espetáculo contou com apresentações nos teatros do SESC Nova Iguaçu, São João de Meriti e Duque de Caxias, servindo como base para a mentoria recebida.
O diretor Felipe Villela destaca o impacto dessa oportunidade: “A participação na Mostra foi um marco importante na trajetória da Cia Villelarte. Também tivemos a oportunidade de participar de um processo de supervisão artística com Daniel Herz. Foram 40 horas de trabalho intenso dedicadas à revisão do espetáculo, à investigação de novas possibilidades cênicas e ao aprofundamento da pesquisa que já vínhamos desenvolvendo desde a estreia. Esse processo nos permitiu revisitar escolhas, fortalecer cenas e encontrar novos caminhos para a montagem. Ter um profissional com a trajetória de Daniel Herz acompanhando esse processo foi uma experiência extremamente rica para todo o grupo e certamente contribuiu para o amadurecimento artístico do espetáculo. Ao longo de sua trajetória, Nictofobia também contou com a participação de festivais que permitiram sua circulação e desenvolvimento, com a conquista de prêmios.”
A temporada marca um momento de grande expectativa para a equipe. Felipe Villela compartilha o sentimento do grupo em relação à chegada a este novo espaço: “A expectativa é enorme. Desde sua estreia em 2024, o espetáculo passou por cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, participando de festivais e acumulando reconhecimentos em categorias como direção, figurino, iluminação, trilha sonora, caracterização cênica, texto adaptado, atuação e espetáculo. Chegar ao Teatro Correios Léa Garcia representa um novo capítulo dessa caminhada. Depois da experiência na Mostra Regional de Artes Cênicas do Sesc RJ e das 40 horas de supervisão com Daniel Herz, sentimos que estamos apresentando a versão mais madura do espetáculo”.
Ele finaliza: “Estamos muito felizes em apresentar essa montagem em um espaço tão importante para a cena cultural do Rio de Janeiro. É uma oportunidade também de apresentar nosso trabalho além da Baixada Fluminense”.
Serviço:
Datas: 25, 26 e 27 de junho, (quinta a sábado)
Horário: às 19h.
Local: Teatro Correios Léa Garcia
Endereço: Rua Visconde de Itaboraí, nº 20, Centro – RJ.
Ingressos na bilheteria do teatro: em dias de espetáculo, a partir de 17h30
Ingressos no Sympla: clique aqui!
Valores: R$ 20,00 inteira R$ 10,00 meia
Entrada somente até às 19h15.
Duração: 55 minutos
Classificação: 14 anos