Um dos maiores
jogadores do vôlei nacional, o bicampeão olímpico Giovane Gávio foi o convidado
da última sexta-feira (07) do Charla Podcast, programa que conta com o
patrocínio da Melitta. Com apresentação dos jornalistas Bruno Cantarelli e Beto
Júnior, o entrevistado comentou sobre os dois títulos olímpicos e da fase atual
da seleção nacional.
Melhor jogador
de vôlei do mundo em 1995, Giovane comentou que sua maior inspiração na
modalidade foi a geração de 1984, que conquistou a medalha de prata olímpica
naquele mesmo ano. Segundo o ex-atleta, foi esse grupo que modificou o vôlei
brasileiro, pois foram as grandes cobaias das seguintes gerações.
“A geração de
84 foi muito mais atleta, porque a preparação física era desumana, não tinham a
tecnologia atual e eles suportavam tudo isso. Era muito mais difícil de jogar
vôlei naquele tempo, pois tinham que improvisar e aguentar tudo que foi testado
com eles”, disse o mineiro de Juiz de Fora.
Impactado pelo
time de Renan, Montanaro, William e companhia, o convidado do Charla fez uma
declaração sobre a sua maior inspiração: “Era uma geração que inspirou muito,
como o Renan, mas o Montanaro foi a minha grande inspiração e teve um papel
muito importante na minha vida, ajudando no começo da minha carreira”,
confidenciou Giovane.
Integrante da
equipe que conquistou o primeiro ouro olímpico, em Barcelona, o entrevistado
contou que o planejamento da Confederação era de montar uma equipe e vencer os
Jogos de Atlanta de 1996. “O Zé chega no começo de 1992 e tinha um planejamento
de ganhar em 1996, mas o time encaixou durante o processo e teve um momento
importante para isso, a nossa vitória sobre Cuba dois meses antes. Aquela
geração nunca tinha vencido os cubanos e isso deu uma virada de chave, porque
quando chegamos nos Jogos pegamos o grupo da morte e saímos em primeiro, ali
começamos a pensar no título”, declarou.
Durante o papo,
Giovane também confidenciou outro bastidor daqueles Jogos, o da comemoração do
título: “Sabe onde comemoramos o título de 92? No McDonald’s, nada contra, até
porque foi irado. Mas não ganhamos prêmio e nem nada, porque eles não tinham
nada planejado”, destacou.
Dono de duas
medalhas olímpicas, o mineiro garantiu que a equipe de 2004 tinha certeza que
seria campeã. “Naquele Jogos nós tínhamos a certeza da medalha, mas não
sabíamos de quanto seria. Esse era o time do trabalho e tínhamos a sensação de
merecimento, que iríamos vencer não por arrogância, mas sim porque estávamos
preparados”, definiu Gávio.
Vitorioso ao
lado dos dois principais técnicos da modalidade no país, Gigio ainda rasgou
elogios a Bernardinho e José Roberto Guimarães: “Os dois são espetaculares! O
Zé teve a capacidade de inventar e colocar 4 atacantes, coisa que o Bebeto não
conseguiu. Já o dia a dia do Bernardinho é espetacular e um ser humano
sensacional, coisa que essa geração atual não está sabendo aproveitar”, concluiu.
Sobre o atual
momento da seleção brasileira, Giovane não fugiu do assunto…
“O mundo
cresceu demais e eles procuraram entender como nós jogávamos e evoluíram. Hoje
não temos um líder em quadra e esses caras precisam ser testados nas principais
ligas do mundo. Por isso, a minha crítica é para os atletas, porque não
aproveitam o Bernardinho da melhor forma”, finalizou.