Desde dezembro de 2014, o “teste da linguinha” é obrigatório em todo o Brasil, conforme a Lei Federal nº 13.002. A medida busca identificar precocemente a anquiloglossia, conhecida como “língua presa”, condição que pode prejudicar a amamentação e o desenvolvimento infantil. Nesse contexto, o trabalho da Dra. Carla Montenegro Dias tem se destacado como referência em cuidado, ensino e compromisso social.
Neonatologista, mestre e preceptora do Hospital das Clínicas de Pernambuco há mais de dez anos, Dra. Carla atua na formação de estudantes de Medicina, residentes de Pediatria e Neonatologia, além do atendimento direto aos recém-nascidos.
“A língua presa pode parecer algo simples, mas interfere diretamente na alimentação, pode causar problemas na fala no futuro e no vínculo materno e no bem-estar do bebê”, afirma a médica.
A principal intervenção indicada em alguns casos é a frenotomia, um procedimento rápido e seguro, que consiste no corte do frênulo localizado sob a língua. Geralmente, não há necessidade de anestesia e o procedimento dura menos de um segundo.
“Com um gesto rápido, conseguimos liberar a língua e melhorar a sucção imediatamente”, explica Dra. Carla.
A frenotomia é indicada principalmente quando há dificuldade para mamar, dor persistente no mamilo materno ou problemas na pega. Diferente da frenectomia, que envolve a remoção parcial ou total do tecido, a frenotomia apenas libera o freio lingual, sendo menos invasiva.
Há cerca de quatro anos, a médica implantou uma rotina diária voluntária e gratuita do procedimento na maternidade do Hospital das Clínicas de Pernambuco, atendendo recém-nascidos internados.
“Meu propósito é garantir que nenhum bebê deixe de se alimentar adequadamente por falta de acesso a um cuidado simples”, destaca.
Além da assistência, a Dra. Carla dedica-se à formação profissional, ensinando a técnica a estudantes e residentes.
“Quando ensinamos, multiplicamos o cuidado e ampliamos o impacto na saúde pública”, ressalta.
Segundo a especialista, o incentivo ao aleitamento materno traz benefícios que vão além da nutrição, contribuindo para o desenvolvimento neuropsicomotor e reduzindo gastos com fórmulas artificiais.
“Amamentar é um investimento na saúde física, emocional e social da criança”, afirma.
O pós-operatório é considerado seguro, com riscos mínimos, geralmente limitados a um pequeno sangramento. A recuperação ocorre rapidamente, permitindo que o bebê retome a amamentação em pouco tempo.
Mesmo com os benefícios, a médica reforça que nem todos os casos exigem intervenção.
“A avaliação funcional é essencial. Nem todo frênulo curto precisa ser cortado”, orienta.
Para a Dra. Carla Montenegro Dias, a combinação entre diagnóstico precoce, acesso ao tratamento e formação médica é fundamental para promover uma infância mais saudável. Seu trabalho reforça a importância da medicina humanizada e do compromisso com a população mais vulnerável, consolidando seu protagonismo na neonatologia brasileira.