Da infraestrutura crítica à IA: brasileiro cria startup que leva automação inteligente a pequenas empresas de serviços
Julio Almeida

Após mais de 20 anos atuando em projetos de tecnologia
para ambientes de missão crítica, Júlio Almeida fundou a GetFieldMind, startup
que utiliza Inteligência Artificial para automatizar processos operacionais e
democratizar o acesso à transformação digital para pequenas e médias empresas.

Durante muitos anos, tecnologias como Inteligência
Artificial, automação de processos e análise inteligente de dados estiveram
restritas às grandes corporações, que dispõem de equipes especializadas e
investimentos robustos em inovação. Para pequenas e médias empresas,
especialmente aquelas que operam em campo, a realidade sempre foi diferente:
processos manuais, excesso de planilhas, comunicação descentralizada e tomada
de decisão baseada na experiência, muitas vezes sem apoio tecnológico.

Foi justamente ao identificar essa lacuna que o brasileiro Júlio
Almeida
, profissional com mais de duas décadas de experiência em tecnologia
e infraestrutura crítica, decidiu mudar o rumo da própria carreira. O resultado
foi a criação da GetFieldMind, startup dedicada ao desenvolvimento de
soluções de Inteligência Artificial voltadas à gestão operacional de empresas
de serviços.

A iniciativa nasceu de uma constatação simples, mas
recorrente: muitos dos desafios enfrentados por pequenas empresas eram
semelhantes aos das grandes organizações, porém sem acesso às ferramentas
capazes de resolvê-los.

“Vivemos um momento muito parecido com o início da
popularização da internet. A Inteligência Artificial deixará de ser uma
tecnologia exclusiva das grandes empresas e fará parte da rotina de
organizações de todos os os portes. O desafio é tornar essa tecnologia
acessível e útil para quem está na operação”, afirma Almeida.

Da infraestrutura corporativa ao empreendedorismo

A trajetória profissional de Júlio Almeida foi construída em
ambientes de alta complexidade tecnológica. Bacharel em Tecnologia desde 2006 e
pós-graduado em 2025, atuou em projetos envolvendo infraestrutura crítica,
virtualização, computação em nuvem, automação de processos, segurança da
informação e sustentação de sistemas utilizados diariamente por milhões de
usuários.

Ao longo da carreira, participou da implementação e
administração de ambientes com milhares de servidores, experiência que
consolidou seu conhecimento em eficiência operacional e automação.

Em 2026, reforçou sua formação ao concluir dois cursos da
Universidade de Harvard por meio do programa CS50: Introduction to Computer
Science (CS50x)
e CS50’s Introduction to Artificial Intelligence with
Python
, este último incluindo doze projetos práticos voltados ao
desenvolvimento de aplicações baseadas em Inteligência Artificial.

Recentemente, também foi indicado ao quadro de Senior
Member do IEEE (Institute of Electrical and Electronics Engineers)
, uma das
mais importantes organizações internacionais da área de engenharia e
tecnologia, reconhecimento destinado a profissionais com trajetória consolidada
e relevantes contribuições técnicas.

Uma startup inspirada em problemas reais

Apesar da sólida carreira em grandes ambientes corporativos,
foi acompanhando de perto a rotina de empresas prestadoras de serviços que
Almeida encontrou a oportunidade de empreender.

Ao observar operações de campo, percebeu um padrão:
informações espalhadas entre aplicativos de mensagens, planilhas, sistemas
distintos e anotações feitas manualmente dificultavam o trabalho das equipes e
aumentavam o risco de falhas operacionais.

Em vez de desenvolver uma plataforma baseada apenas em
conceitos tecnológicos, optou por construir a solução a partir da rotina das
empresas.

Assim nasceu a GetFieldMind.

A plataforma utiliza Inteligência Artificial para analisar
dados operacionais, automatizar tarefas repetitivas, organizar informações
provenientes de diferentes fontes, gerar alertas inteligentes e centralizar
toda a operação em um único ambiente.

Entre as funcionalidades estão automação de processos,
comunicação entre gestores e equipes, monitoramento em tempo real, organização
inteligente de informações, geração automática de alertas operacionais e
integração com ferramentas já utilizadas pelas empresas.

O laboratório foi uma empresa de piscinas

Antes de levar a solução ao mercado, Almeida optou por
validar a tecnologia em uma operação real.

A empresa escolhida foi a 9Pool Service, prestadora
de serviços sediada em McKinney, no Texas (Estados Unidos), responsável pela
manutenção de aproximadamente 150 piscinas por semana.

Na prática, a plataforma passou a automatizar atividades que
antes consumiam horas da equipe administrativa, como análise de indicadores
químicos, acompanhamento de visitas técnicas, geração de alertas operacionais,
atualização de registros e comunicação entre gestores e técnicos.

A experiência permitiu aperfeiçoar continuamente a solução
com base no uso diário, tornando o desenvolvimento orientado por problemas
concretos e não apenas por hipóteses de laboratório.

Atualmente, a GetFieldMind segue em fase de validação
operacional enquanto desperta o interesse de outras empresas do setor de
serviços em campo.

IA aplicada ao cotidiano das pequenas empresas

Embora a Inteligência Artificial esteja frequentemente
associada a chatbots e ferramentas generativas, Almeida acredita que seu maior
potencial está na automação silenciosa de processos internos.

Em vez de substituir profissionais, a tecnologia passa a
assumir tarefas repetitivas, permitindo que gestores concentrem esforços em
decisões estratégicas.

A proposta da GetFieldMind é justamente aproximar recursos
normalmente disponíveis apenas para grandes organizações da realidade das
pequenas e médias empresas, oferecendo uma plataforma capaz de aumentar
produtividade, reduzir custos operacionais e melhorar a qualidade das decisões.

“O verdadeiro diferencial da Inteligência Artificial
não está apenas na sofisticação dos algoritmos, mas na capacidade de resolver
problemas reais. Quando conseguimos eliminar tarefas repetitivas e transformar
dados em informação útil, criamos impacto direto na produtividade das empresas
e na rotina das pessoas”, destaca o fundador.

Um mercado em transformação

O avanço da Inteligência Artificial vem acelerando a
digitalização de diferentes setores da economia, inclusive segmentos
tradicionalmente menos tecnológicos, como manutenção predial, limpeza,
assistência técnica, paisagismo, piscinas, climatização e outros serviços
executados em campo.

Nesse cenário, startups especializadas em nichos
operacionais ganham espaço ao desenvolver soluções adaptadas às necessidades
específicas dessas empresas.

Para Almeida, esse movimento representa apenas o início de
uma transformação mais ampla.

“A tecnologia precisa deixar de ser um privilégio das
grandes empresas. Nosso objetivo é desenvolver ferramentas que permitam às
pequenas e médias empresas competir com mais eficiência, utilizando
Inteligência Artificial de forma simples, prática e acessível.”

Encontrou algum erro? Entre em contato