Em resumo

Flag Football, que fará sua estreia olímpica em Los Angeles 2028, atraiu praticantes de diferentes idades e recebeu seis atletas com experiência nos Jogos Olímpicos

De campeões olímpicos a crianças: flag football vira atração disputada na COB Expo 2026
Yan Barros/CBFA

O flag football colocou crianças, adolescentes, adultos, jornalistas e atletas de diferentes modalidades no mesmo campo durante a COB Expo 2026. Ao longo dos 5 dias, a feira recebeu 96 mil visitantes, sendo 24 mil crianças. Em sua segunda participação no evento, a modalidade ganhou protagonismo no espaço da Confederação Brasileira de Futebol Americano (CBFA) e se transformou em uma das experiências mais procuradas pelo público.

O movimento chamou ainda mais atenção pela presença de seis nomes com experiência olímpica em diferentes esportes: os campeões olímpicos Maurren Maggi (salto em distância – atletismo) e Arthur Zanetti (argolas – ginástica), o medalhista de prata na Olimpíada de Paris, Caio Bonfim (marcha atlética) foram algumas das atrações.

Além do trio de medalhistas, participaram o lendário mesa-tenista Hugo Hoyama, que disputou seis edições dos Jogos Olímpicos, e os ex-jogadores da Seleção Brasileira de Basquete Guilherme Giovannoni e Rafael Hettsheimeir. A experiência reuniu atletas acostumados ao mais alto nível do esporte brasileiro em uma situação incomum: aprender, na prática, uma modalidade nova.

Rafael Hettsheimeir estreia com a bola oval e desafia atleta da Seleção Brasileira de Flag Football

O primeiro dos grandes nomes a entrar na brincadeira foi Rafael Hettsheimeir. Ex-jogador da Seleção Brasileira e hoje atleta do Basquete Tatuí, o pivô mostrou boa pontaria com a bola oval e conseguiu acertar o alvo algumas vezes, dando início à sequência de desafios que envolveu atletas de diferentes modalidades. Hettsheimeir integrou a Seleção Brasileira de basquete nos Jogos Olímpicos Rio 2016 e ficou animado com o flag football:

“Achei legal demais. Muito divertido. Estou à disposição, hein?! Estou aprovado no teste? No basquete eu já estou no final de carreira e já quero esse novo esporte aí. São três treinos para entrosar com o time e estou pronto para jogar”, destacou o pivô de 2,08 m.

Após aprender a jogar flag football, Hettsheimeir desafiou o jogador do Brasil Onças, Wallace Kamara, para jogar basquete contra ele ainda na COB Expo. O wide receiver e blitzer da Seleção de Flag aceitou e não fez feio. Em um confronto 3 x 3, com Kamara de um lado e Hettsheimeir do outro, o duelo de 5 minutos terminou 3 x 0 para o time do craque do flag, com todos os pontos sendo feitos por Kamara.

Inclusive, Kamara acertou uma bola do perímetro em cima de Rafael Hettsheimeir, que simulou uma lesão, levando na esportiva os pontos do jogador de flag football. Além disso, o basqueteiro elogiou o atleticismo de Wallace Kamara, que ainda conseguiu fazer uma enterrada tendo apenas 1,68 m. O comandante Praia, da CDA, ainda disparou sobre Kamara no basquete: “Joga muito”.

Maurren Maggi e Guilherme Giovannoni encaram desafios no flag football

Maurren Maggi mostrou adaptação imediata à nova modalidade. A campeã olímpica no salto em distância encarou um desafio de precisão ao lado da atleta da Seleção Brasileira de flag football, Gabi Bank, e conseguiu acertar o alvo já na primeira tentativa, mostrando estar em plena forma aos 50 anos.

Também acostumado à Seleção Brasileira, Guilherme Giovannoni participou de um desafio diferente. Campeão do NBB e integrante da equipe brasileira nos Jogos de Londres 2012 e Rio 2016, o ex-jogador enfrentou o brasileiro Duzão, que teve passagem pelo Miami Dolphins, da NFL, em uma disputa que misturou fundamentos do flag football, basquete e futebol americano.

A experiência terminou com Giovannoni satisfeito por conhecer mais de perto as duas modalidades. Duzão contou um pouco como foi a disputa e o quão gratificante foi disputar com uma lenda do basquete:

“A atividade foi um desafio de quarterback, uns lançamentos, e arremessos no basquete. Foi muito legal poder conhecer ele e trocar experiências e ainda uns momentos descontraídos competindo dentro dos dois esportes. Foi muito bom. O futebol americano e basquete são dois esportes que crescem e oferecem oportunidades internacionais e também hoje olímpicos”.

Caio Bonfim troca a marcha atlética pelo flag football

Caio Bonfim chegou ao desafio com alguma familiaridade com o futebol americano, após ter tido contato com o Tubarões do Cerrado, de Brasília. No flag football, o medalhista de prata olímpico mostrou rapidamente seu atleticismo.

Em um duelo com outro participante que também estava conhecendo a modalidade, Caio conseguiu retirar as duas flags do adversário de uma só vez – uma jogada rara no flag football – e levou a melhor no desafio entre os iniciantes.

Na sequência, o desafio ganhou um novo nível de dificuldade. Caio precisou enfrentar Gabi Bank, jogadora da seleção brasileira de flag football, na missão de superar a marcação e chegar ao final da jogada sem ter a flag retirada. O marchador tentou explorar sua velocidade e movimentação, mas Gabi conseguiu impedir seu avanço em todas as tentativas.

Depois, os papéis se inverteram. Desta vez, Caio ficou responsável por marcar Gabi e tentar retirar sua flag antes que ela chegasse ao objetivo. O resultado foi o mesmo: a jogadora da seleção brasileira conseguiu escapar em todas as oportunidades.

Mais do que o resultado dos duelos, porém, a atividade proporcionou a Caio uma experiência diferente e descontraída, colocando um atleta olímpico em contato direto com uma modalidade que ainda está descobrindo e mostrando sua disposição para experimentar novos desafios esportivos.

Hugo Hoyama encara o desafio contra Wallace Kamara

Outro atleta olímpico que encarou o desafio com disposição foi Hugo Hoyama. Dono de seis participações olímpicas, o lendário mesa-tenista brasileiro, assim como Caio, também já havia experimentado o futebol americano em uma atividade com o Corinthians Steamrollers.

No flag football, mostrou qualidade nos lançamentos e assumiu naturalmente a função de quarterback, mas teve uma missão mais complicada na defesa: retirar a flag de Wallace Kamara, atleta da Seleção Brasileira e reconhecido por sua velocidade. O mesatenista se dedicou tanto no desafio que até ralou a perna tentando parar o atacante.

“Foi minha primeira vez [jogando flag]. Experiência muito legal. Eu dei o sangue, literalmente. Conhecer as regras de um esporte que você acompanha, mas é diferente você estar ali, com a bola na mão. Muito legal. Parabéns ao rapidinho aqui (Kamara), que, pelo amor de Deus… Tá louco! Me colocaram no desafio com o cara mais rápido do Brasil. Aí é brincadeira”, brincou Hugo Hoyama.

Arthur Zanetti surpreende na velocidade e na marcação

O desempenho de Arthur Zanetti foi um dos momentos que mais chamaram atenção. Campeão olímpico na ginástica artística, o atleta mostrou velocidade e agilidade nos dribles e conseguiu completar sua missão sem ter a flag retirada pelo marcador. Quando mudou de função e passou a defender, também conseguiu retirar a flag do adversário.

A experiência foi tão positiva que Zanetti chegou a considerar a possibilidade de experimentar a modalidade após sua aposentadoria da ginástica.

“Foi bem legal. Uma nova experiência. Eu nunca tinha jogado e gostei muito. Achei bem divertido e vale a pena ter sido colocado no programa olímpico, porque é bem legal mesmo”.

Questionado sobre o desempenho e sobre ser um possível talento para o flag football, o campeão olímpico brincou:

“Gosto de acompanhar novas modalidades e jogar outros esportes. Vamos ver futuramente… não sei. Estou aposentado da ginástica e agora dá para experimentar outros esportes”.

Flag football aproxima diferentes gerações e mira Los Angeles 2028

Em meio a 26 arenas esportivas e diante de um público de 96 mil pessoas, o flag football se apresentou como uma modalidade para conhecer, testar e experimentar. O cenário da COB Expo ainda potencializou características marcantes do flag: a combinação de velocidade, coordenação, precisão, tomada de decisão e movimentação, além de ser acessível a todos os gêneros e idades.

Para Cristiane Kajiwara, presidente da CBFA, a reação do público durante o evento mostra que o flag football está encontrando espaço para crescer para além do universo tradicional do futebol americano. Segundo a gestora, o flag foi uma das grandes atrações da COB Expo 2026:

“Ver atletas que já chegaram ao mais alto nível em Olimpíadas se divertindo, aprendendo e descobrindo o flag football ao lado de crianças e pessoas que nunca tinham tido contato com a modalidade mostra a força que esse esporte tem para conectar públicos diferentes. A gente não está falando apenas de apresentar uma modalidade, mas de criar novas experiências esportivas e abrir a porta para uma nova geração de praticantes. O flag na COB Expo 2026 foi um verdadeiro sucesso”

A experiência na COB Expo acontece em um momento especialmente relevante para a modalidade. O flag football foi oficialmente incluído no programa dos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028 e fará sua estreia olímpica na próxima edição dos Jogos.

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