Empresas têm a oportunidade de direcionar parte de seus impostos a iniciativas como as da De Peito Aberto. Até dezembro deste ano, a organização social está apta a mobilizar R$ 17.637.468,42 por meio da Lei Federal de Incentivo ao Esporte, da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet) e da Lei Estadual de Incentivo ao Esporte de Minas Gerais. O montante evidencia o potencial de ampliar iniciativas de impacto social por meio da adesão da iniciativa privada aos mecanismos de incentivo fiscal.
Diferentemente de um patrocínio convencional, o mecanismo não se baseia no aporte direto de recursos. As leis de incentivo permitem que parte do Imposto de Renda (IR) seja destinada a projetos previamente aprovados pelo poder público, unindo benefício fiscal e investimento em iniciativas de esporte, cultura e educação com impacto social comprovado. Pessoas físicas podem direcionar até 7% do IR devido para projetos esportivos e até 6% para projetos culturais. Já empresas tributadas pelo lucro real podem destinar até 2% para projetos esportivos e até 4% para projetos culturais.
A De Peito Aberto, que celebra 20 anos de atuação em 2026, mantém sedes em Belo Horizonte (MG) e Salvador (BA), de onde coordena projetos em diferentes regiões do país. Ao longo de sua trajetória, também desenvolveu iniciativas no Ceará, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, alcançando as cinco regiões brasileiras. Em duas décadas de atuação, a instituição já beneficiou mais de 69 mil alunos, executou 80 projetos e passou por 66 municípios.
“Ao longo desses 20 anos, aprendemos que impacto social se constrói com método, intencionalidade e, sobretudo, coerência entre discurso e prática. Cada dado apresentado aqui representa pessoas, histórias e contextos reais. Cada indicador é fruto de processos de acompanhamento, avaliação e melhoria contínua, porque acreditamos que só é possível avançar quando se mede, analisa e compartilha”, afirma Fabio Araújo, diretor-presidente da De Peito Aberto.
No ano passado, a instituição beneficiou 6.348 crianças, adolescentes e famílias, realizou 440 eventos, desenvolveu 17 projetos, atuou em 34 municípios e gerou 127 empregos. As atividades contemplaram 15 modalidades esportivas: dança, karatê, corrida de rua, futebol de campo, futebol feminino, judô, skate, capoeira, basquete, futsal, handebol, vôlei, ginástica de condicionamento, boxe e futevôlei.
Entre os projetos desenvolvidos por meio dos mecanismos de incentivo estão Formando Campeões, Esporte em Ação, A Bola e o Sonho!, Capoeirando, Ocupa Cinema: a arte de educar, Projeto Ativamente, Projeto Educa Fut , Projeto Esportes Olímpicos para Todos Ano III, Projeto Esporte na Cidade – Ano XIV, Projeto Oportunidade Através do Esporte Ano IX, e Projeto Esporte na Cidade Norte e Nordeste Ano V.
As iniciativas contam com o apoio de empresas parceiras como Lhoist, Elo, Bayer, B3, Grupo CNH, White Martins, Livelo, D’Granel, Mercado Livre, MRN, Ferroport e Vale, entre outras, que destinam parte dos impostos devidos para ampliar o acesso ao esporte, à cultura e à educação.
Mais do que números, histórias
Os números refletem histórias de transformação. Não só de jovens, mas de famílias inteiras. É o caso dos Rodrigues, de Governador Valadares (MG). Aos 40 anos, Madalena é mãe de Eduarda Rikaelly, Abraão Israel, Sophya Victorya e Rhyan. Foi Sophya quem despertou o interesse pelo skate e acabou puxando os irmãos para o núcleo mineiro do projeto “Esporte na Cidade”.
“A Sophya foi quem se interessou primeiro. Depois vieram os outros. Foi puxando o outro, como uma autêntica família. Eles estão aprendendo não só sobre o skate, mas sobre a vida. Hoje há menos crianças nas ruas, expostas a riscos. Muitas veem as aulas e se interessam em participar. O projeto faz diferença para toda a região. Aqui em casa, tem sido essencial. Não quero que acabe nunca. Minha vida é difícil, sou mãe solo e enfrento muitos desafios. Mas ver a felicidade deles faz tudo valer a pena”, afirma Madalena.
Em 2021, o núcleo de Salvador deste mesmo projeto recebeu reconhecimento internacional quando o Projeto Esporte na Cidade foi premiado pela Organização das Nações Unidas (ONU) pela promoção da igualdade de gênero. Ao longo de sua trajetória, a organização social consolidou uma metodologia baseada em acompanhamento de resultados, avaliação contínua e prestação de contas, entendendo que cada indicador representa pessoas, famílias e comunidades transformadas.
A experiência acumulada ao longo de 20 anos levou ao fortalecimento da governança da organização e ampliou a confiança de parceiros públicos e privados. Com R$ 17,6 milhões abertos a captação até o fim de 2026, a De Peito Aberto busca ampliar sua rede de empresas parceiras e expandir projetos para novos municípios brasileiros, permitindo que cada vez mais crianças, adolescentes e famílias tenham acesso ao esporte, à cultura e à educação como ferramentas de transformação social.
“Há mais de 20 anos, a De Peito Aberto transforma vidas por meio do esporte, da cultura e da educação, sempre com responsabilidade, transparência e compromisso com resultados. Queremos ampliar esse impacto nos próximos anos, chegando a mais municípios, beneficiando mais pessoas e fortalecendo parcerias com empresas que acreditam no poder da transformação social. Celebrar duas décadas também é reconhecer que ainda há muito a fazer. Seguimos comprometidos em aprimorar nossas ações, fortalecer governança, ampliar alcance e aprofundar o impacto, sempre com clareza, ética e responsabilidade social”, avalia Fábio Araújo.