O dinheiro é uma das forças mais poderosas em nossas vidas. Ele pode trazer segurança e liberdade, mas também estresse, ansiedade e até conflitos. A relação emocional com o dinheiro varia de pessoa para pessoa, mas a ciência já comprovou que a escassez financeira pode impactar diretamente o bem-estar mental.
A psiquiatra Dra. Maria Fernanda Caliani explica que, quando a situação financeira está equilibrada, tendemos a nos sentir mais leves e esperançosos. “No começo do mês, após receber o pagamento, estamos mais felizes e com vários planos. Já no final do mês, ao percebermos que o saldo está diminuindo ou que a fatura do cartão está acima do esperado, surge a angústia, a tensão e a impaciência”, pontua.
Essa relação emocional intensa com o dinheiro pode ser explicada pelo impacto psicológico da escassez financeira. “Cada pessoa tem uma vivência única com o dinheiro, mas a falta dele pode ativar a resposta de luta ou fuga do cérebro, causando estresse crônico. Em muitos casos, a insegurança financeira está relacionada a transtornos como ansiedade e depressão”, explica Dra. Maria Fernanda.
Estudos apontam que a instabilidade financeira pode comprometer a capacidade de tomar boas decisões, pois a mente fica sobrecarregada com preocupações. No entanto, por outro lado, ter dinheiro não é garantia de felicidade absoluta. O fenômeno da adaptação hedônica mostra que, após alcançar um novo padrão de vida, as pessoas rapidamente se acostumam a ele e voltam ao nível de satisfação anterior. Além disso, algumas pessoas sentem culpa ou medo excessivo de perder dinheiro, gerando ansiedade mesmo em situação financeira estável.
A relação com o dinheiro é moldada desde a infância. “Crescer em um ambiente de escassez pode gerar apego excessivo ao dinheiro, enquanto aqueles que sempre tiveram segurança financeira tendem a ser mais tolerantes ao risco”, afirma a psiquiatra. Assim, construir uma relação saudável com o dinheiro é essencial para evitar que ele se torne fonte de sofrimento.
Para manter o equilíbrio, a especialista sugere algumas estratégias:
• Valorizar o dinheiro, mas não deixar que ele defina a felicidade.
• Priorizar experiências, que costumam trazer mais satisfação do que bens materiais.
• Manter uma reserva financeira para reduzir a ansiedade e garantir maior bem-estar mental.
No fim das contas, o dinheiro pode ser um aliado ou um vilão, dependendo de como lidamos com ele. “A chave está no equilíbrio. Se o dinheiro controla você, talvez seja hora de rever sua relação com ele”, conclui Dra. Maria Fernanda.
Dra. Maria Fernanda Caliani – Psiquiatra – CRM – 140.770 / RQE 71653