Autobiografia de Vânia da Paixão percorre a infância em uma comunidade da Zona Sul de São Paulo, a formação profissional, a maternidade, a experiência internacional e a construção de uma vida dedicada ao conhecimento e ao serviço
A história de uma menina negra criada no Jardim Monte Azul, na Zona Sul de São Paulo, que cresceu em uma comunidade marcada por limitações econômicas, mas decidiu não permitir que a pobreza definisse seu destino, é o ponto de partida de “Do Jardim Monte Azul aos Propósitos de Deus”, livro de Vânia da Paixão.
Mais do que uma autobiografia, a obra apresenta uma trajetória construída entre desafios, escolhas, oportunidades e fé. Ao longo dos capítulos, a autora revisita diferentes fases de sua vida e mostra como experiências que, inicialmente, pareciam desconectadas foram se transformando em etapas de uma caminhada maior.
Nascida em 21 de julho de 1976, Vânia cresceu em uma família simples, filha de Joaquim de Lana Neto, vigilante e posteriormente caseiro da Associação Comunitária Monte Azul, e de Creuza da Paixão Lana, que se dedicou à família e mais tarde desenvolveu atividades como costureira e artesã. Desde a infância, Vânia conviveu com a escassez de oportunidades, mas desenvolveu uma relação profunda com o estudo, o trabalho e a busca por novas possibilidades.
Um dos momentos decisivos narrados no livro acontece quando uma voluntária da Associação Comunitária Monte Azul visita sua família e insiste para que Vânia possa participar das atividades da instituição. O acesso ao teatro, às aulas de inglês, à tecelagem e a outras atividades amplia seus horizontes e desperta talentos que, anos mais tarde, seriam importantes em sua atuação profissional. Para a autora, aquela oportunidade representa uma das primeiras portas abertas por Deus em sua trajetória.
A educação passa a ocupar lugar central nessa história. Ainda jovem, Vânia conquista uma bolsa para cursar o ensino técnico e escolhe Educação Física. Mais tarde, já casada e mãe, ingressa na graduação em Comércio Exterior. A formação acadêmica desperta seu interesse pelo Direito e dá início a uma jornada de estudos que inclui pós-graduações em Administração e Marketing e em Docência no Ensino Superior, até sua chegada à Faculdade de Direito. A autora descreve o conhecimento não apenas como instrumento de formação profissional, mas como uma forma de servir e ampliar as possibilidades de outras pessoas.
A narrativa também passa pela família. O casamento com Joseph Tochukwu Onwudiwe, nigeriano que conheceu em São Paulo, estabelece uma ponte entre diferentes culturas e leva Vânia posteriormente à Nigéria. O livro registra ainda a experiência de estudar nos Estados Unidos, em uma especialização em Marketing Internacional na Universidade de La Verne, na Califórnia, enquanto conciliava a maternidade e a vida familiar.
A experiência internacional ganha um significado particular na obra. Ao conhecer outros países e culturas, Vânia afirma ter ampliado sua visão de mundo sem perder a ligação com suas origens. A passagem pela Nigéria, país de origem de seu marido, também provoca reflexões sobre identidade, diversidade cultural, educação e pertencimento. No livro, conhecer outras realidades não significa abandonar as raízes, mas retornar a elas com uma visão ampliada.
Ao longo da narrativa, o sucesso também deixa de ser apresentado como uma conquista exclusivamente individual. Empreendedorismo, advocacia, docência e liderança aparecem como diferentes espaços nos quais a autora encontrou oportunidades de compartilhar conhecimento, formar pessoas e contribuir para a trajetória de outras mulheres, profissionais e famílias. O livro defende que conhecimento, oportunidades e recursos ganham maior sentido quando também podem beneficiar outras pessoas.
Essa perspectiva se torna uma das principais mensagens da obra. Para Vânia, sua trajetória não é apenas sobre sair de uma comunidade periférica e alcançar novos espaços, mas sobre transformar as oportunidades recebidas em possibilidades para outras pessoas. “Os propósitos de Deus nunca terminam em nós”, afirma a narrativa, ao apresentar a própria história como uma ponte para que outras pessoas também possam encontrar caminhos.
No encerramento, a autora retoma o Jardim Monte Azul como símbolo de origem e identidade. A comunidade permanece como parte fundamental de sua história, não como um lugar a ser apagado, mas como o território onde nasceram valores, sonhos, disciplina e fé.
“Do Jardim Monte Azul aos Propósitos de Deus” é, assim, uma obra sobre origem e destino, mas também sobre educação, trabalho, maternidade, escolhas, oportunidades e a responsabilidade de transformar conquistas individuais em caminhos coletivos.
A mensagem central é direta: a origem faz parte da história, mas não precisa determinar o destino. Para Vânia da Paixão, estudar, trabalhar, conhecer os próprios direitos, participar da sociedade e servir ao próximo são escolhas capazes de transformar não apenas uma trajetória individual, mas também as vidas que cruzam esse caminho.
Sobre a autora
Vânia da Paixão constrói, em “Do Jardim Monte Azul aos Propósitos de Deus”, um relato autobiográfico marcado pela fé cristã, pela valorização da educação, pelo empreendedorismo, pela atuação profissional e pelo compromisso com o desenvolvimento de outras pessoas. Sua trajetória passa pela periferia de São Paulo, pela formação acadêmica, pela experiência internacional, pela maternidade, pela advocacia e pela docência, reunindo diferentes áreas em torno de uma mesma ideia: transformar conhecimento e oportunidades em serviço.