Do leme ao proeiro: Inaê Soto40 Transbrasa testa posições antes do desafio de 200 milhas da Santos–Rio
Gabriela Petarnella

Trocar de função dentro de um veleiro durante uma competição não é apenas uma mudança de posição. Para o Inaê Soto40 Transbrasa, foi uma forma de ampliar as possibilidades da equipe antes de encarar a etapa mais exigente da reta final da temporada.

Na terceira etapa da Copa Mitsubishi, encerrada no último domingo (27), em Ilhabela, o Soto40 colocou diferentes configurações de tripulação à prova. Em uma delas, o proeiro chegou a assumir o leme. O barco disputou três regatas depois de passar por manutenção e ajustes, mas o foco esteve nos testes, e não no resultado.

A experiência faz parte da preparação para o Campeonato Brasileiro de Oceano 2026, que começa em 22 de outubro com a 76ª Regata Santos–Rio. A travessia terá cerca de 200 milhas náuticas e será seguida pelo 57º Circuito Rio, marcado para ocorrer entre 30 de outubro e 2 de novembro.

Comandada por Bayard Umbuzeiro Neto, a equipe tem pouco mais de três semanas para concluir os preparativos. O período será dedicado a transformar as experiências acumuladas nas regatas em informação e, a partir delas, definir a melhor formação para o campeonato.

As mudanças testadas em Ilhabela permitiram observar o comportamento dos velejadores ao assumirem responsabilidades diferentes das habituais. A intenção é aumentar o repertório da equipe diante de uma travessia que apresenta condições distintas das regatas de menor duração.

“Estamos numa fase em que cada dia na água precisa ser bem aproveitado. Já estamos bem envolvidos com o Brasileiro de Oceano, organizando tudo. Não teremos revezamento de tripulantes no Brasileiro, mas esse tipo de teste aumenta nosso repertório, principalmente para a Santos-Rio, que é uma regata bastante dura”, afirma Bayard Umbuzeiro Neto.

Um campeonato, dois tipos de desafio

Depois das aproximadamente 200 milhas entre Santos e Rio de Janeiro, o Inaê terá somente alguns dias antes de retornar à água para o Circuito Rio.

A programação coloca frente a frente duas propostas distintas. A Santos–Rio exigirá da equipe o trabalho de uma longa travessia oceânica. Já o Circuito Rio apresentará outro tipo de disputa, completando o Campeonato Brasileiro de Oceano.

“O Brasileiro vai exigir coisas diferentes da equipe. A Santos–Rio é uma travessia longa, enquanto depois teremos outro tipo de disputa no Circuito Rio. Quanto mais completa for a tripulação, mais preparados estaremos para responder ao que a competição apresentar”, completa Bayard Neto.

Nesse contexto, a preparação do Inaê envolve mais do que velocidade e manobras. O trabalho também passa pelo entrosamento entre os velejadores, pela tomada de decisões e pela capacidade de reagir a situações diferentes ao longo do campeonato.

Quatro classes na disputa nacional

O Campeonato Brasileiro de Oceano terá, em 2026, as classes ORC, Bra-RGS, RGS-Cruiser e Clássicos. Será a primeira vez que as quatro categorias estarão reunidas na competição nacional.

O Inaê Soto40 Transbrasa disputa a ORC, que contará com alguns dos principais projetos de alta performance da vela oceânica brasileira.

A abertura do campeonato está marcada para 22 de outubro, com a 76ª Regata Santos–Rio. A competição seguirá no Rio de Janeiro com o 57º Circuito Rio, entre 30 de outubro e 2 de novembro.

Após o período de manutenção, ajustes e testes na Copa Mitsubishi, o Inaê chega à reta final com a preparação voltada ao Brasileiro. Até a largada em Santos, a equipe terá como prioridade aproveitar cada treino para ampliar suas alternativas a bordo.

Sobre o Inaê Soto40 Transbrasa

O Inaê Soto40 Transbrasa é apoiado pelo Porto de Santos, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte. O Porto de Santos é o maior complexo portuário da América Latina e referência nacional em desenvolvimento, logística e conexão do Brasil com o mundo.

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