Duo Origens transforma memórias urbanas em paisagens sonoras no EP “Landscapes from the Weaver Princess”

Duo Origens transforma memórias urbanas em paisagens sonoras no EP “Landscapes from the Weaver Princess”

Fernanda Leite
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Com três faixas inéditas, o trabalho propõe uma fusão entre tradição e inovação dentro da música instrumental, transformando experiências urbanas, afetivas e simbólicas de Americana (SP) em paisagens sonoras sensíveis e inventivas

A sonoridade do projeto transita entre o violão contemporâneo, o jazz moderno e a música instrumental brasileira, com forte atenção à construção de timbres, dinâmicas e diálogos entre os instrumentos

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O Duo Origens apresenta ao público, nesta sexta-feira (06 de março), o EP “Landscapes from the Weaver Princess”, disponível em todos os aplicativos de música pela Marã Música. Formado pelos violonistas Guilherme Mauad e Henrique Candido, o projeto inaugura uma série de lançamentos que explora o violão contemporâneo como ferramenta narrativa, capaz de traduzir cidade, memória e emoção em música instrumental autoral.

Com três faixas inéditas, o trabalho propõe uma fusão entre tradição e inovação dentro da música instrumental, transformando experiências urbanas, afetivas e simbólicas de Americana (SP) em paisagens sonoras sensíveis e inventivas. “O EP fala sobre lugares, memória e cotidiano, abordando espaços públicos, rotinas sociais e estados emocionais por meio de narrativas instrumentais”, explicam os artistas. “Cada faixa funciona como um recorte poético de um ambiente específico, revelando nossa relação com a cidade, o tempo e o silêncio.”

A sonoridade do projeto transita entre o violão contemporâneo, o jazz moderno e a música instrumental brasileira, com forte atenção à construção de timbres, dinâmicas e diálogos entre os instrumentos. Harmonias abertas, texturas atmosféricas, polirritmias e melodias expressivas criam arranjos que privilegiam a escuta e o espaço. “Não buscamos apenas virtuosismo, mas narrativa, imagem e emoção”, destacam.

O processo de composição foi profundamente ligado à observação do cotidiano e às vivências dos músicos na cidade. As peças nasceram de caminhadas, visitas a espaços urbanos e reflexões sobre o papel da arte nesses ambientes. “Cada faixa foi construída de forma colaborativa, explorando contrastes rítmicos e soluções harmônicas que servissem à narrativa de cada tema”, afirmam.

As inspirações do EP vêm de múltiplas camadas: da própria Americana (SP) e seus espaços simbólicos, das dinâmicas do cotidiano urbano, do silêncio e da contemplação vividos durante a pandemia, além de referências do jazz contemporâneo, especialmente a obra de Pat Metheny. “Esses elementos se transformam em música por meio de uma abordagem autoral e sensível”, resumem.

A abertura, “Pat Friendly”, presta uma homenagem sutil ao guitarrista norte-americano Pat Metheny, referência importante na trajetória do duo. O título brinca com o termo “Pet Friendly”, substituindo “Pet” por “Pat”. Inspirada em visitas ao Zoológico Municipal de Americana, a faixa evoca um ambiente de convivência entre natureza e cidade. “A música carrega uma atmosfera lúdica e reflexiva, com harmonias abertas e diálogos melódicos que sugerem leveza e sofisticação”, comentam.

Já “O Mensageiro” nasce da rotina do jornal O Liberal, tradicional veículo local, transformando o fluxo da informação em uma experiência sonora vibrante. Com variações rítmicas e polirritmias elaboradas, a composição recria a urgência de uma redação. “É uma crônica musical em tempo real, que homenageia o papel do mensageiro moderno e a identidade da cidade”, explicam.

Encerrando o EP, “Reclusa” foi composta durante o isolamento social provocado pela pandemia de COVID-19 e traduz o silêncio que tomou conta dos espaços urbanos. Inspirada na Praça Rotary Club, a faixa apresenta arranjos introspectivos e atmosfera densa. “Ela retrata a angústia da reclusão forçada, mas também a capacidade da arte de ressignificar o vazio”, dizem. A música ganha ainda um vídeo oficial disponível no YouTube.

Mais do que um lançamento pontual, “Landscapes from the Weaver Princess” marca o início de uma fase criativa que estabelece a identidade estética do Duo Origens. O projeto nasce do desejo de explorar o violão como instrumento capaz de construir imagens e narrativas sem palavras, dialogando tanto com ouvintes atentos quanto com músicos e apreciadores da música contemporânea.

“A expectativa é apresentar um trabalho instrumental conceitual, acessível e profundo”, afirmam Guilherme Mauad e Henrique Candido. “Queremos que ele dialogue com diferentes públicos e inaugure uma série que une identidade local, sofisticação musical e sensibilidade artística.”

Com influências que vão de Egberto Gismonti, Toninho Horta e Arismar do Espírito Santo ao jazz de Pat Metheny e às estruturas complexas do rock progressivo, o Duo Origens constrói uma linguagem própria baseada no diálogo entre os violões, na exploração rítmica e na criação de atmosferas.

“Landscapes from the Weaver Princess” abre caminho para uma série de trabalhos que reafirmam o violão brasileiro como território fértil para inovação, contemplação e narrativa sonora.

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