Economia
Empresas podem reduzir custos sem comprometer a operação? Especialista ensina como
Jorge Gonçalves, conselheiro empresarial, dá dicas de como reduzir custos de forma consciente
Diante do verdadeiro malabarismo para equilibrar as contas de uma empresa, cortar custos sem comprometer a operação se torna um desafio. Todo mês, a organização tem compromissos inadiáveis, como folha de pagamento, pró-labore, aluguel e contas de consumo. De acordo com o portal Contabilizei, os custos mensais de uma microempresa variam entre 4 a 30% do faturamento. O valor que a empresa precisa gastar para se manter ativa pode ser o marco entre lucro e prejuízo.
Mas como cortar gastos sem afetar a qualidade do produto ou serviço? Jorge Gonçalves, advogado, conselheiro empresarial e CEO da empresa Gonçalves Consultoria, dará 5 dicas para que essa redução de custos seja a mais benéfica possível para a companhia. “Empresas que simplesmente cortam despesas sem uma análise aprofundada podem comprometer sua capacidade produtiva e a experiência do cliente. O ideal é encontrar formas de otimizar gastos sem afetar a estrutura essencial do negócio”, comenta.
– Análise de gastos
O primeiro passo para reduzir custos é entender exatamente onde o dinheiro está sendo gasto. Isso envolve a análise detalhada do fluxo de caixa, a categorização dos principais custos e a identificação de desperdícios. O especialista recomenda o uso de ferramentas de gestão financeira que permitam visualizar os gastos em tempo real e facilitar a tomada de decisão.
– Negociação com fornecedores
Renegociar contratos e buscar fornecedores com o melhor preço pode trazer uma redução significativa nos custos. “Muitos empresários não percebem que têm margem para negociar prazos, preços e condições mais vantajosas. É essencial avaliar constantemente os fornecedores e explorar alternativas mais econômicas”, sugere.
– Automação e tecnologia
A digitalização pode ser uma grande aliada na redução de custos. Softwares de gestão, automação de processos e soluções em nuvem ajudam a eliminar tarefas manuais, reduzir erros e aumentar a produtividade da equipe. Investir em tecnologia não é um custo, mas um caminho para economizar a longo prazo.
– Revisão de processos internos
A eficiência operacional passa pela otimização de processos. Isso significa identificar atividades redundantes, eliminar burocracias desnecessárias e redistribuir funções para aumentar a produtividade. Pequenas mudanças podem gerar economias significativas, como a digitalização de documentos ou a adoção do home office para reduzir despesas com estrutura física.
– Cultura de economia na empresa
Os colaboradores também desempenham um papel fundamental na redução de custos. Criar uma cultura organizacional voltada para a economia e conscientizar a equipe sobre o impacto dos gastos pode fazer a diferença. “Pequenos hábitos, como evitar desperdício de materiais e energia, já trazem impacto positivo no orçamento”, ressalta o conselheiro.
Reduzir custos sem comprometer a operação exige planejamento e estratégia. O segredo está em analisar os gastos de forma detalhada, buscar renegociações, investir em tecnologia e envolver a equipe na otimização dos recursos. Para Jorge, empresas que adotam uma gestão financeira eficiente conseguem não apenas economizar, mas também se tornar mais competitivas no mercado.
Economia
Banco Central lança portabilidade de crédito no open finance
A partir do início do próximo ano, os clientes poderão transferir empréstimos de uma instituição financeira para outra de forma mais rápida e digital, em busca de juros mais baixos ou prestações menores. O Banco Central (BC) anunciou nesta sexta-feira (28) a inclusão do serviço de portabilidade de operações de crédito no open finance, sistema financeiro aberto.

A novidade estará disponível ao público em geral a partir de fevereiro de 2026, começando pela modalidade de crédito pessoal. Nos meses seguintes, a portabilidade pelo open finance será estendida às demais modalidades de crédito.
Atualmente, consumidores podem pedir a portabilidade de empréstimos, mas o processo é considerado burocrático e pouco eficaz. Segundo o BC, o novo modelo não substitui as regras em vigor, mas acrescenta uma alternativa mais ágil, apoiada no compartilhamento padronizado de dados entre bancos e fintechs.
Em nota, o BC afirmou que a mudança deve “eliminar assimetrias de informação e barreiras operacionais”, além de tornar o processo mais eficiente. Com o open finance, o prazo máximo para conclusão das operações passará de cinco para três dias úteis — redução válida apenas para solicitações feitas dentro do ambiente digital do sistema.
Processo digital e maior concorrência
A operação será totalmente digital, realizada pelos aplicativos das instituições financeiras. O BC avalia que a automatização deve reduzir erros, custos e ampliar o acesso dos consumidores a ofertas de crédito mais vantajosas.
De acordo com o diretor de Regulação do BC, Gilneu Vivan, a proposta aproveita a infraestrutura do open finance para ampliar a concorrência no crédito.
“O que estamos fazendo é levar os benefícios do sistema para a portabilidade, com facilitação da troca de informações e melhor experiência para o cliente”, disse.
Implementação gradual
A Resolução Conjunta nº 15/2025, que formaliza a mudança, foi aprovada na quinta-feira (27) pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), mas só foi explicada nesta sexta-feira pelo BC. A resolução permitirá a realização de testes restritos com a portabilidade do open finance, antes de fevereiro de 2026.
Após a liberação da portabilidade para crédito pessoal, o cronograma prevê testes para crédito consignado do setor público federal em agosto de 2026, com lançamento ao público em novembro. Outras modalidades de empréstimo serão incorporadas posteriormente.
O BC e o Conselho Monetário Nacional (CMN) afirmam que a nova portabilidade digital deve ampliar o alcance do open finance e aprofundar a integração entre instituições financeiras, com foco na melhoria da experiência do usuário.
O que é o open finance
Também chamado de sistema financeiro aberto, o open finance permite que clientes autorizem o compartilhamento de seus dados financeiros entre diferentes instituições. Na prática, o consumidor pode levar seu histórico bancário para outros bancos, movimentar contas em plataformas distintas e acessar serviços personalizados, com mais segurança, padronização e conveniência. O objetivo é aumentar a competição no mercado e facilitar o acesso a produtos financeiros mais vantajosos.
Economia
Brasil faz acordo de exportações com Filipinas, Guatemala e Nicarágua
O governo brasileiro concluiu negociações sanitárias e fitossanitárias com Filipinas, Guatemala e Nicarágua para aumentar exportações de produtos agropecuários para esses países.

Nas Filipinas, as autoridades sanitárias aprovaram a exportação de gordura bovina, insumo utilizado na indústria de alimentos e na produção de energia de baixo carbono, especialmente o diesel verde e o sustainable aviation fuel (SAF).
Entre janeiro e outubro de 2025, o país do sudeste asiático importou quase US$ 1,5 bilhão em produtos agropecuários do Brasil.
Na Nicarágua, as autoridades fitossanitárias autorizaram o Brasil a exportar sementes de milheto, crotalária e nabo, insumos para a agricultura tropical, que contribuem para o aumento da produtividade e a redução da dependência de fertilizantes minerais. Entre janeiro e outubro de 2025, a Nicarágua importou cerca de US$ 55 milhões em produtos agropecuários do Brasil.
Já na Guatemala, o governo brasileiro obteve autorização fitossanitária para exportar arroz beneficiado. Em 2025, até outubro, o país importou mais de US$ 192 milhões em produtos agropecuários do Brasil.
“Os resultados reforçam a estratégia de diversificação de destinos e de produtos, incluindo itens de maior valor agregado”, disse em nota o Ministério das Relações Exteriores (MRE).
Economia
Projeto contra devedor contumaz separa joio do trigo, diz secretário
No dia seguinte à operação “Poço de Lobato”, que mirou sonegação fiscal de R$ 26 bilhões do Grupo Refit, do setor de combustíveis, o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, disse que o projeto que tramita no Congresso contra devedores contumazes pode combater esse tipo de crime.

“Para a gente melhorar o tratamento para os bons contribuintes, é preciso separar o joio do trigo”, disse o secretário.
No caso do grupo que foi alvo da investigação da Receita, o crime envolvia um esquema para sonegação de tributos, evasão de divisas e ocultação de patrimônio.
Ele concedeu, nesta sexta (28), entrevista à Voz do Brasil, produzida pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
O secretário da Receita salientou que são devedoras contumazes as pessoas que se utilizam da atividade empresarial ou da estrutura para não pagar tributo e com isso ter uma vantagem competitiva.
“No meio desse esquema todo, está um dos maiores devedores contumazes do Brasil, um grupo econômico cujo negócio principal é não pagar tributo”, explicou Robinson Barreirinhas.
“Pequena minoria”
Estariam no rol dos devedores contumazes aproximadamente mil contribuintes, dentre mais de 20 milhões de empresas brasileiras.
“É uma pequena minoria, mas que causa um estrago enorme em determinados setores”, afirma.
Barreirinhas esclarece que um empresário pode ficar eventualmente inadimplente ao ter dificuldade e não conseguir pagar tributos.
“Pode acontecer com qualquer um. Ele não é um devedor contumaz. Nós estamos falando daquele empresário que abre a empresa com a intenção de não pagar tributo”.
Por isso, o governo defende uma legislação mais dura contra esse tipo de crime.
“A dívida tem que ser superior a R$ 15 milhões e esse valor tem que ser superior ao patrimônio da empresa”, ponderou. Outra intenção do projeto, segundo o secretário, seria que a concorrência entre as empresas ficasse mais saudável. “Estamos falando dos devedores contumazes que devem mais de R$ 200 bilhões”.
O governo não tem expectativa de receber o dinheiro sonegado para os cofres públicos em função de que são empresas abertas sem patrimônio nenhum. “O que nós queremos é tirar elas do mercado e abrir espaço para que o bom empresário possa atuar”, ressaltou.



