Endometriose e infertilidade: o que a ciência explica e quais são os caminhos para engravidar

Endometriose e infertilidade: o que a ciência explica e quais são os caminhos para engravidar

Fernanda Leite
3 min de leitura 83

A endometriose é uma doença inflamatória crónica que afeta mulheres em idade reprodutiva e ainda representa um dos principais desafios quando o assunto é fertilidade. Apesar de ser frequentemente associada à dificuldade para engravidar, a condição não deve ser encarada como uma sentença definitiva. A relação entre endometriose e infertilidade é complexa e varia de acordo com cada caso, o que reforça a importância da informação e do acompanhamento especializado.

A doença ocorre quando tecido semelhante ao endométrio, que normalmente reveste o interior do útero, passa a desenvolver-se fora dele. Esses focos podem atingir ovários, trompas e outras estruturas da pelve. Ao responderem às variações hormonais do ciclo menstrual, provocam inflamação persistente, dor e, em alguns casos, alterações na anatomia dos órgãos reprodutivos. Esse processo inflamatório contínuo pode criar um ambiente menos favorável à gestação.

De acordo com o cirurgião ginecológico Dr. Daniel Cesar, especialista em endometriose e cirurgia minimamente invasiva, a inflamação é um dos principais fatores que ligam a doença à dificuldade para engravidar. “A endometriose pode interferir na ovulação, no funcionamento das trompas e até na qualidade do ambiente onde a gestação se desenvolve, mas isso não acontece da mesma forma em todas as mulheres”, explica.

A presença de aderências, alteração da mobilidade dos ovários e comprometimento das trompas são algumas das razões pelas quais a gravidez pode ser dificultada em determinados casos. Ainda assim, especialistas alertam para um ponto essencial: nem toda mulher com endometriose é infértil. Muitas conseguem engravidar naturalmente, sobretudo quando a doença é diagnosticada precocemente e acompanhada de forma adequada.

“O diagnóstico não significa impossibilidade. Cada mulher tem uma história, um grau de doença e um contexto reprodutivo diferentes”, reforça o especialista, que atua com técnicas cirúrgicas avançadas e tem formação internacional na área.

A investigação da infertilidade deve ser considerada quando a gravidez não ocorre após um período de tentativas. Em geral, recomenda-se procurar avaliação especializada após um ano, ou seis meses no caso de mulheres acima dos 35 anos ou com sintomas mais intensos. A análise precoce permite definir estratégias mais eficazes e evitar atrasos que podem comprometer as chances reprodutivas.

O tratamento da endometriose associada à infertilidade não segue um padrão único. Em alguns casos, o acompanhamento clínico é suficiente; em outros, pode ser indicada a cirurgia ou o recurso à reprodução assistida. A decisão depende de fatores como idade, extensão da doença, sintomas e desejo reprodutivo. “O tratamento precisa ser individualizado e baseado em evidência científica, respeitando o momento e os objetivos da paciente”, afirma o Dr. Daniel Cesar.

Em situações específicas, a cirurgia minimamente invasiva pode ter um papel importante ao remover focos da doença, reduzir a inflamação e restaurar a anatomia da pelve. Esse tipo de abordagem pode contribuir tanto para o alívio dos sintomas quanto para a melhoria das chances de gravidez, desde que seja bem indicada e realizada por equipa especializada.

A principal mensagem para mulheres que convivem com a endometriose e desejam engravidar é que a infertilidade não deve ser encarada como um ponto final. Informação de qualidade, diagnóstico precoce e acompanhamento adequado fazem toda a diferença. “Cuidar da endometriose é olhar para a mulher de forma integral, com atenção à saúde, à fertilidade e à qualidade de vida”, conclui o especialista.

Para mais informações, o especialista compartilha conteúdos educativos em seu site oficial: https://drdanielcesar.com.br

O que você achou?

Amei 24
Kkkk 9
Triste 4
Raiva 8
↓ LEIA A PRÓXIMA MATÉRIA ABAIXO ↓

Espere! Não perca isso...

Antes de ir, veja o que acabou de acontecer na Bahia:

Não, obrigado. Prefiro ficar desinformado.