Entre incertezas fiscais e inovação, empresas brasileiras de tecnologia avançam rumo aos EUA

Entre incertezas fiscais e inovação, empresas brasileiras de tecnologia avançam rumo aos EUA

Flávia Gavioli
Atualizado: 12/08 11:34
3 min de leitura 3.6k

Em um contexto marcado pelas incertezas do cenário fiscal brasileiro e pelo avanço das discussões sobre barreiras comerciais no exterior, cresce o número de brasileiros — profissionais e empresas — que enxergam no mercado norte-americano uma oportunidade estratégica. Mais do que um simples passo rumo à internacionalização, trata-se de uma decisão planejada, que combina inovação, segurança jurídica e alcance global para impulsionar negócios e ampliar o impacto de soluções tecnológicas.

O Brasil é hoje o 6º país com maior saída de milionários no mundo — uma tendência impulsionada por fatores como instabilidade política, carga tributária elevada e a percepção de risco jurídico. Agora, esse fluxo ganha novo fôlego com os sinais de endurecimento comercial por parte dos EUA, como a possível imposição de tarifas sobre produtos brasileiros, conforme vem sendo discutido por lideranças americanas.

Os Estados Unidos ainda se destacam como um dos principais destinos para empresas que buscam previsibilidade e dinamismo, sobretudo nos setores de tecnologia e inovação.

Um exemplo é a Dataside, empresa especializada em dados e inteligência artificial, que está fortalecendo sua atuação em solo americano. Com presença em setores como indústria, saúde, agronegócio e setor público, a empresa aposta no ecossistema norte-americano para impulsionar seus projetos mais ambiciosos.“A escolha por expandir para os Estados Unidos está diretamente ligada à solidez do ecossistema de inovação e à oportunidade de colaborar com players globais em ambientes altamente estratégicos”, afirma Caio Amante, CEO da Dataside.

Amante teve recentemente seu título de Microsoft Regional Director renovado, consolidando sua posição como um dos poucos brasileiros reconhecidos pela Microsoft nesse seleto programa global. Atualmente, apenas dez brasileiros integram esse grupo, que reúne líderes mundiais com atuação relevante nas áreas de tecnologia e negócios.

“Os Estados Unidos sempre estiveram no nosso radar. Desde que começamos a atuar nesse cenário, ficou claro o quanto o mercado americano valoriza talento, inovação e soluções consistentes — especialmente quando vêm de profissionais bem preparados. Temos convicção de que essa expansão representa uma troca positiva, com potencial de gerar impacto real dos dois lados”, reforça o executivo.

A expansão da Dataside ilustra uma tendência crescente de internacionalização pautada por qualificação e inovação. Segundo o advogado e professor de imigração Dr. Vinicius Bicalho, membro da American Immigration Lawyers Association (AILA), o número de brasileiros que se estabelecem legalmente nos Estados Unidos por mérito profissional tem crescido de forma consistente nos últimos anos.

“Temos observado uma ampliação significativa da presença de brasileiros nas categorias de visto EB-1, EB-2 e EB-3, voltadas a profissionais considerados de interesse nacional — como médicos, engenheiros, cientistas, executivos, empreendedores e, cada vez mais, especialistas em tecnologia, que hoje desponta como um dos setores mais demandados. Muitos estão abrindo empresas, investindo em inovação ou liderando projetos alinhados às prioridades estratégicas da economia americana”, explica Bicalho.

O especialista destaca que essa nova onda migratória envolve um perfil altamente técnico e estratégico. O diferencial, segundo ele, está na capacidade de demonstrar impacto concreto para a economia dos EUA, o que exige preparo, estrutura jurídica e proposta de valor clara.

“O mercado americano está cada vez mais competitivo e carente de talentos em áreas críticas. O Brasil tem produzido profissionais altamente capacitados, e isso cria uma conexão natural. Mas é essencial saber se posicionar, tanto do ponto de vista jurídico quanto do estratégico”, completa.

Neste novo cenário, empresas como a Dataside representam um modelo contemporâneo de internacionalização: estratégico, qualificado e orientado por propósito. Sua atuação reforça que a expansão para os Estados Unidos não é apenas viável, mas cada vez mais necessária para empresas que querem competir em escala global — conectando talentos, inovação e impacto real, mesmo diante de cenários geopolíticos desafiadores.

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