Entre ondas, decisões e urgência, José Guilherme Caldas leva o Barco Brasil ao palco do Boat Show
Marcelo Malagutti

No oceano, uma decisão pode mudar o rumo de uma embarcação. Na medicina, alguns minutos podem fazer diferença no atendimento de um paciente. É nesse ponto de convergência que José Guilherme Caldas constrói a apresentação que fará neste domingo (27/9), às 18h, no Náutica Talks, durante o São Paulo Boat Show 2026.

Médico especialista no tratamento do AVC e velejador do Barco Brasil, Caldas falará sobre “Cada Minuto Conta: da Neurocirurgia a um veleiro na GLOBE 40”. A palestra reúne experiências da medicina e da vela, incluindo as situações extremas vividas durante uma regata de volta ao mundo e a campanha que acompanhou o Barco Brasil na conquista do título da categoria Sharp da Globe40 2025/2026.

O encontro acontece no São Paulo Expo, onde a 29ª edição do São Paulo Boat Show segue até 29 de setembro. Entre 24 e 29 de setembro, o evento reúne mais de 170 embarcações, além de motores, equipamentos, acessórios, tecnologia e serviços. O salão é considerado o maior salão náutico da América Latina.

A apresentação faz parte do Náutica Talks, que promove diariamente palestras e painéis com acesso gratuito aos visitantes do Boat Show. Navegadores, atletas, pesquisadores, especialistas e outros profissionais participam da agenda, que aborda desde meteorologia e segurança no mar até tecnologia, primeiros socorros, preservação e histórias de aventura.

Caldas entrará no palco depois de Raphael Garcia, que refez a histórica travessia a remo de Amyr Klink pelo Atlântico Sul.

A relação entre o atendimento ao AVC e os desafios de uma regata oceânica estará no centro da apresentação. Caldas explica que o elemento comum às duas experiências é a necessidade de avaliar o cenário e agir no momento certo.

“Quero mostrar que a medicina e uma regata de volta ao mundo têm um ponto de encontro muito claro: a importância da decisão e do tempo. Na Globe40, passamos meses em situações em que era preciso avaliar, decidir e agir rapidamente; no AVC, essa urgência é ainda maior, afinal 1,9 milhão de neurônios morrem a cada minuto portanto ter atendimento especializado o quanto antes é fundamental. Levar essa história ao Náutica Talks é uma oportunidade de falar de vela, mas principalmente de levar a mensagem do Cada Minuto Conta para mais pessoas”, afirma José Guilherme Caldas.

O oceano como cenário para uma mensagem

Ao longo da campanha do Barco Brasil, “Cada Minuto Conta” deixou de ser apenas uma frase para se transformar em uma mensagem associada à prevenção e ao tratamento do AVC. A Globe40 serviu como plataforma para levar o tema a diferentes públicos.

O projeto resultou ainda em um livro fotográfico e em um documentário de mesmo nome, que ainda não foram lançados. A produção acompanha os aspectos humanos envolvidos na competição e aproxima as exigências de uma regata extrema da urgência presente no tratamento do AVC.

A narrativa passa por coragem, planejamento, trabalho em equipe, escolhas e pela necessidade de tomar decisões quando não existe tempo para hesitar.

Idealizada por Carlos Eduardo de Campos Maia, a Cidade da Vela realizou o documentário com a proposta de fortalecer a cultura náutica brasileira e transformar Ilhabela em um centro permanente de encontro da vela, reunindo esporte, turismo, marcas e economia do mar.

A produção é da Sealab Filmes. Guilherme de Lucca dirige o documentário, enquanto Campos Maia e José Guilherme Caldas assinam a produção executiva.

Depois da volta ao mundo, mais dois pódios

Poucos dias antes de subir ao palco do Boat Show, o projeto voltou a competir no mar. José Guilherme Caldas e Luiz Bolina participaram da 37ª Regata Internacional Recife–Fernando de Noronha em barcos diferentes e terminaram a disputa com dois resultados entre os primeiros colocados.

No Mussulo III – Barco Brasil, Caldas foi terceiro na divisão B da classe RGS. No Tutatis – Barco Brasil, Bolina conquistou o vice-campeonato na divisão D da classe Aberta.

A REFENO 2026 teve início em 19 de setembro, no Marco Zero do Recife. A prova contou com 93 embarcações e percorreu aproximadamente 300 milhas náuticas até Fernando de Noronha. Para a organização, trata-se da maior regata oceânica da América Latina.

O percurso ainda teve uma nova marca de velocidade. O trimarã Orion estabeleceu o recorde da prova ao completar a travessia em 14h18min56s.

A participação de Bolina começou com um imprevisto. O motor do barco apresentou problema quando a embarcação deixava a marina para a largada. A solução levou mais de uma hora e meia e fez o Tutatis sair em cima da hora.

“O motor do barco morreu bem na hora de deixar a marina para a largada da REFENO. Levamos mais de uma hora e meia para descobrir o problema e resolver, acabamos saindo em cima da hora. Mas, depois do susto, a regata foi excelente. Não foi uma prova muito trabalhosa, em manobras. Na verdade, foi a regata mais rápida que eu já fiz com esse barco!”, comemorou Luiz Bolina, comandante do Tutatis – Barco Brasil.

O retorno dos dois velejadores à mesma competição também marcou uma nova fase do projeto. Durante a Globe40, Caldas e Bolina dividiram mais de 30 mil milhas. Na REFENO, cada um voltou ao mar à frente de sua própria embarcação.

O projeto e o próximo desafio

Fortalecer a cultura náutica brasileira está entre os objetivos do Barco Brasil, que também trabalha para ampliar a visibilidade da campanha de prevenção e tratamento do AVC, segunda maior causa de incapacitação física no mundo.

José Guilherme Caldas e Luiz Bolina integram o projeto. Caldas ocupa as funções de Professor Livre-Docente do Departamento de Radiologia da Univesrsidade de São Paulo (USP), Chefe do Serviço de Neurorradiologia Intervencionista do Hospital das Clínicas da USP e Coordenador Médico do Hospital Sirio Libanês.

Bolina é Professor de Wingfoil e Vela Oceânica e Day Charter.

A estrutura náutica inclui o Class40 151, que disputou a Globe 40, além do Mussulo 50, do Tutatis e de um HPE25.

Para o futuro, o Barco Brasil prevê a capacitação de velejadores e velejadoras brasileiros em embarcações Class40. O objetivo é prepará-los para a terceira edição da Globe40, em 2028/2029. Até a próxima volta ao mundo, o período será dedicado à ampliação da experiência de tripulantes brasileiros em diferentes barcos e competições.

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