Mais de 30 mil milhas náuticas percorridas, cerca de oito meses de competição e uma mensagem que vai além do esporte: cada minuto pode fazer diferença no atendimento ao acidente vascular cerebral (AVC). Essa foi a proposta que acompanhou José Guilherme Caldas e Luiz Bolina na Globe40 2025/2026 e que continua presente na atuação do médico e velejador, agora também à frente da organização de um congresso internacional no Brasil.
Em Busan, na Coreia do Sul, Caldas participou do 18º Congresso da Federação Mundial de Neurorradiologia Intervencionista e Terapêutica (WFITN), realizado de 11 a 15 de outubro. Durante o encontro, apresentou os preparativos para a edição de 2028, que será sediada no Rio de Janeiro e presidida por ele. A previsão é reunir aproximadamente 1.200 participantes.
A escolha da capital fluminense foi definida em 2024, durante o congresso anterior da federação, realizado em Nova York. A decisão foi registrada na assembleia da WFITN, que promove encontros a cada dois anos para estimular o desenvolvimento científico e o intercâmbio entre especialistas.
Quando a rapidez pode mudar o tratamento
Na neurorradiologia intervencionista, tempo, tecnologia e avaliação clínica são elementos importantes para o atendimento de doenças vasculares do cérebro e da medula. A especialidade utiliza recursos de imagem para orientar procedimentos realizados no interior dos vasos, e os avanços nesse campo estiveram entre os principais temas debatidos em Busan.
A programação incluiu discussões sobre a seleção de pacientes para trombectomia, as perspectivas para o procedimento, o tratamento de aneurismas e o emprego da inteligência artificial na neurointervenção. Também foram apresentados estudos científicos e abordados exames de imagem e medicamentos.
Ao comentar as transformações da área, Caldas aponta o desenvolvimento das terapias para o AVC como um dos destaques recentes. “O que mais cresceu nesta área nos últimos anos foi exatamente o tratamento do AVC”, afirma.
Na avaliação do médico, a evolução envolve tanto a criação de materiais e técnicas quanto o aprimoramento dos recursos de imagem, que auxiliam na identificação de pacientes que podem se beneficiar dos procedimentos. A disponibilidade de estrutura e materiais também interfere na agilidade do atendimento. “Cada minuto conta, mas também cada minuto conta no próprio acesso, no próprio material que a gente tem para poder chegar mais rápido lá”, explica.
O congresso internacional também abre espaço para que especialistas compartilhem experiências, examinem evidências científicas e discutam condutas. Caldas ressalta a importância desse contato para aproximar práticas médicas e permitir que profissionais mais jovens aprendam com diferentes especialistas.
Uma regata que também levou informação em saúde
A mensagem sobre a importância do tempo no atendimento ao AVC acompanhou o Barco Brasil durante a Globe40 2025/2026. Na competição de volta ao mundo, Caldas e Bolina conquistaram o título da categoria Sharp e o terceiro lugar na classificação geral.
A rotina no mar não interrompeu completamente as atividades médicas de Caldas, que retornou ao Brasil durante as escalas para cumprir compromissos profissionais. A iniciativa uniu a experiência esportiva à divulgação de informações sobre uma doença que nem sempre recebe a atenção necessária de todos os públicos.
O projeto resultou no livro fotográfico e no documentário “Cada Minuto Conta”. O filme teve suas primeiras exibições em julho, durante a 53ª Semana Internacional de Vela de Ilhabela. As produções mantêm viva a proposta de utilizar a trajetória do Barco Brasil para ampliar o acesso a informações sobre prevenção e tratamento do AVC.
A campanha coincide com o mês do Dia Mundial do AVC, comemorado em 29 de outubro. Em 2026, a Organização Mundial do AVC (WSO) continua promovendo a iniciativa “Cada Minuto Conta”, que incentiva a identificação rápida dos sintomas e a procura imediata por atendimento de emergência.
Alteração súbita na fala, perda de força em um lado do corpo e desvio da boca são sinais que exigem atenção. Diante da suspeita de AVC, a orientação é ligar imediatamente para o SAMU, pelo telefone 192. A prevenção também envolve controlar a pressão arterial e a glicose, evitar o tabagismo e manter a prática regular de atividade física.
Preparação brasileira para 2028
A experiência internacional de Caldas combina a prática médica com a participação em projetos esportivos e de conscientização. Ele é Professor livre-docente do Departamento de Radiologia da Universidade de São Paulo (USP), chefe do Serviço de Neurorradiologia Intervencionista do Hospital das Clínicas da USP e atua no Hospital Sírio-Libanês.
Como presidente do congresso da WFITN de 2028, o médico apresentou em Busan o andamento dos preparativos para receber o encontro no Rio de Janeiro. A expectativa de aproximadamente 1.200 participantes reforça a dimensão internacional prevista para o evento.
Sobre o Barco Brasil
Criado para fortalecer a cultura náutica no país, o Barco Brasil também busca ampliar a visibilidade da prevenção e do tratamento do AVC, segunda maior causa de incapacitação física no mundo.
A equipe reúne José Guilherme Caldas e Luiz Bolina. Além de Professor Livre-Docente do Departamento de Radiologia da Universidade de São Paulo (USP), Caldas chefia o Serviço de Neurorradiologia Intervencionista do Hospital das Clínicas da USP e é coordenador médico do Hospital Sírio-Libanês. Bolina é professor de wingfoil e vela oceânica e Day Charter.
O projeto conta com o Class40 151, utilizado na Globe40, e outras três embarcações: Mussulo 50, Tutatis e um HPE25.
A próxima meta é preparar velejadores e velejadoras brasileiros para competir em barcos Class40, com vistas à terceira edição da Globe40, prevista para 2028/2029. O período até a próxima regata de volta ao mundo será dedicado à ampliação da experiência dos tripulantes em diferentes embarcações e competições, dando continuidade ao trabalho esportivo e de divulgação desenvolvido pela equipe.