Uma das autoras de Mulheres da Cachaça, executiva de comunicação e eventos conta como venceu seus próprios preconceitos e passou a atuar na valorização da bebida que é símbolo da identidade brasileira
Há histórias que começam por caminhos inesperados. A de Zoraida Lobato com a cachaça começou, como ela própria define, “pela porta dos fundos”.
Quando entrou profissionalmente no universo da bebida, Zoraida não era consumidora de cachaça e carregava alguns dos preconceitos historicamente associados ao produto. O que começou como uma necessidade profissional se transformou em uma trajetória de mais de uma década de contato com produtores, alambiques, marcas, especialistas e profissionais de toda a cadeia.
Essa experiência agora ganha registro no livro “Mulheres da Cachaça – histórias de coragem, pertencimento e protagonismo feminino”, publicação da Editora Lisboa que reúne mulheres de diferentes estados brasileiros e mostra a crescente participação feminina na construção e transformação do setor.
Zoraida foi convidada a participar da obra justamente para contar essa mudança de perspectiva — de alguém que inicialmente desconhecia a bebida a uma profissional que passou a trabalhar pela sua valorização, profissionalização e reconhecimento.
“Eu não cheguei à cachaça pela porta da frente. Não conhecia a bebida, não fazia parte daquele universo e fui criada cercada pelos mesmos preconceitos que ainda existem. Mas o trabalho me obrigou a olhar mais de perto. Quando conheci os produtores, os alambiques, as histórias familiares e a complexidade envolvida em cada garrafa, compreendi que não estava diante apenas de uma bebida, mas de uma expressão da agricultura, da cultura e da identidade brasileira.”
À frente da Market Press Group, empresa com mais de três décadas de atuação em comunicação, publicações e eventos, Zoraida passou a desenvolver projetos voltados ao fortalecimento do mercado de bebidas e, especialmente, à promoção da cachaça brasileira.
Sua atuação inclui a realização de feiras, concursos, encontros de negócios, degustações técnicas e iniciativas de aproximação entre produtores, compradores, especialistas, formadores de opinião e consumidores.
Entre os projetos está a Cachaça Trade Fair, plataforma criada para ampliar a visibilidade das marcas, estimular negócios e contribuir para a profissionalização do setor.
Ao longo dessa trajetória, Zoraida acompanhou de perto a evolução do mercado: o aprimoramento dos processos de produção, a busca pela formalização e registro das marcas, o investimento em qualidade, o fortalecimento dos pequenos produtores e a crescente presença da cachaça brasileira em novos mercados.
MULHERES QUE ESTÃO ESCREVENDO A HISTÓRIA DA CACHAÇA
Foi também nesse caminho que Zoraida conheceu mulheres que atuam em praticamente todas as etapas da cadeia.
“Conheci mulheres que produzem, administram alambiques, preservam histórias familiares, comandam marcas, pesquisam, comunicam e levam a cachaça para novos públicos. Muitas delas sempre estiveram presentes, mas nem sempre tiveram sua contribuição reconhecida. Contar essas histórias é também ajudar a corrigir uma invisibilidade histórica.”
É justamente esse protagonismo que o livro Mulheres da Cachaça pretende evidenciar. A obra reúne diferentes trajetórias femininas e mostra que a relação das mulheres com a bebida vai muito além do consumo: envolve produção, empreendedorismo, pesquisa, comunicação, gastronomia, turismo, inovação e preservação cultural.
Para Zoraida, ainda existe um desafio importante: mudar a percepção de que a cachaça é apenas uma bebida popular e mostrar sua dimensão econômica e cultural.
A cadeia produtiva envolve desde a agricultura e os pequenos produtores até tecnologia, design, turismo, gastronomia, distribuição e exportação.
Ela também defende maior atenção à formalização do setor, combate à falsificação e ao comércio ilegal, qualificação profissional, incentivo aos pequenos produtores e valorização da cachaça como patrimônio e ativo econômico brasileiro.
“Não nasci nesse setor e talvez justamente por isso tenha aprendido a observá-lo com outros olhos. Primeiro precisei vencer o meu próprio preconceito. Depois, passei a trabalhar para que outras pessoas também pudessem conhecer a verdadeira cachaça brasileira. Entrei pela porta dos fundos, mas encontrei um universo que merecia ter todas as portas abertas.”
LANÇAMENTO EM SÃO PAULO
O lançamento de Mulheres da Cachaça em São Paulo acontece no dia 18 de setembro, na Rota do Acarajé, tradicional endereço da gastronomia baiana na capital paulista.
A noite reunirá autoras, profissionais do setor, produtores, especialistas e convidados para celebrar as histórias de mulheres que vêm ajudando a transformar a percepção e o mercado da cachaça brasileira.
Para Zoraida, participar da publicação representa também uma forma de preservar a memória dessas mulheres e mostrar que a história da cachaça brasileira também é escrita por elas.
SERVIÇO
Lançamento do livro “Mulheres da Cachaça”
18 de setembro de 2026
Horário: a partir das 18h
Rota do Acarajé – São Paulo/SP
Editora Lisboa
Idealização e coordenação: Ana Laura Silva Guimarães
Coautora: Zoraida Lobato