Entre bastidores caóticos, crises silenciosas, áudios intermináveis de aplicativos de mensagens, expectativas esmagadoras e cafés que esfriam no meio da rotina, um grupo de mulheres tenta sobreviver ao próprio cansaço enquanto se prepara para entrar em cena. Esse cenário, que transita de forma tênue entre a realidade e a ficção, é o ponto de partida de “Manual de sobrevivência das mulheres exaustas”. A peça teatral, que conta com texto e direção deJuliana Fernandes, ocupa o palco do Teatro Cândido Mendes, em Ipanema, nos dias 20, 21, 27 e 28 de junho, levando para o público uma forte reflexão, embora costurada pelo riso, sobre as complexidades de ser mulher na sociedade atual.
A montagem apresenta uma comédia dramática que joga luz sobre as pressões da vida contemporânea e expõe o peso invisível carregado por quem aprendeu a dar conta de tudo, o tempo todo. No palco, as atrizes Dani de Azeredo, Denise Queiroz, Ingrid Lima, Isa Jales, Jackeline Marins, Joseane Kelly, Juliana Muniz e Taís Zavareze dão vida a personagens presas em um ciclo interminável de demandas profissionais, cobranças emocionais, buscas por um autocuidado performático e a necessidade de manter uma presença produtiva nas redes sociais. Entre cenas fragmentadas, quebras constantes e situações absurdamente familiares, o espetáculo conduz a plateia por uma narrativa que espelha o cotidiano com humor afiado, ironia e momentos de identificação dolorosamente reais, culminando em uma pergunta simples, mas profundamente difícil: quem cuida de quem sempre cuida de tudo?
A diretora e autora Juliana Fernandes detalha que a peça foi concebida como uma tragicomédia focada na exaustão feminina contemporânea e no esgotamento gerado pela exigência de uma performance constante. Ao longo da encenação, as personagens transitam por momentos absurdos e extremamente reconhecíveis, evidenciando como o cansaço extremo foi normalizado e até romantizado no dia a dia das mulheres.
“O público ri, se identifica e, aos poucos, percebe que por trás do humor existe um esgotamento profundo e coletivo. Mais do que falar sobre cansaço, a gente questiona a obrigação de ser forte o tempo inteiro e propõe uma reflexão sobre culpa, sobrecarga emocional, saúde mental e a dificuldade de pedir ajuda. É um espetáculo que usa o humor como ferramenta de identificação, mas que também convida o público a refletir sobre os limites humanos em uma sociedade que exige performance constante”, explica a diretora.
A escolha de abordar esse assunto no teatro nasceu da percepção de Juliana de que o esgotamento virou uma constante na rotina moderna. “Escolhi escrever um texto sobre esse tema por ser algo muito comum atualmente: a exaustão constante. Principalmente entre mulheres que, muitas vezes, acumulam funções, responsabilidades emocionais, cobranças profissionais e pessoais enquanto ainda tentam manter a aparência de que está tudo sob controle”, declara.
A autora e diretora conta que os ensaios têm sido intensos, mas também muito divertidos e afetivos, servindo como um contraponto à própria autocobrança que a peça retrata – aquela necessidade constante de corresponder a expectativas profissionais, emocionais, estéticas e afetivas, como se descansar, falhar ou não dar conta de tudo fosse um sinal de fraqueza.
Com uma grande expectativa para a estreia, a equipe acredita que as pessoas vão se reconhecer imediatamente nas situações apresentadas em cena. Apesar do humor e da leveza que guiam a condução da peça, ela toca em temas muito atuais e profundamente humanos. A grande meta do projeto é fazer com que os espectadores saiam do teatro não apenas divertidos pelo entretenimento da comédia dramática, mas também pensativos e tocados pelas reflexões que o espetáculo propõe.
Serviço:
“Manual de sobrevivência das mulheres exaustas”
Datas: 20, 21, 27 e 28 de Junho (Sábados e Domingos)
Horário: às 20h
Local: Teatro Cândido Mendes
Endereço: Rua Joana Angélica, 63 – Ipanema /RJ
Duração: 60 min
Classificação: 12 anos
Gênero: Comédia dramática
Ingressos: Sympla – clique aqui!
Valores: Preços entre R$35,00 e R$ 100,00