Expo Homeschooling 2025. Meu relato de uma experiência que mostra um movimento consolidado no país.

Expo Homeschooling 2025. Meu relato de uma experiência que mostra um movimento consolidado no país.

Redação ImprensaBR
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Imprensa

Autoria: Zizi Martins

Quando pisei no Campus Metropolitano Cidade Viva, no dia 21 de novembro, senti que a Expo Homeschooling 2025 seria diferente. Eu já havia participado de edições anteriores, mas desta vez havia algo no ar: um misto de maturidade do movimento, alegria genuína e a sensação de que o homeschooling no Brasil entrou, de vez, em um novo patamar. Famílias de todo o país chegaram radiantes, crianças correndo entusiasmadas para ver os estandes, pais animados com as oficinas, jovens cheios de brilho no olhar e eu sabia que estava diante do maior encontro de educação domiciliar da América Latina.

No dia 21, ministrei minha palestra sobre Mentalidade de Projetos, voltada ao desenvolvimento de pais e alunos homeschoolers. Levar esse tema para a Expo foi uma honra, porque acredito profundamente que famílias que educam em casa também precisam pensar sua jornada como um projeto, já que carregam, invariavelmente, visão, propósito, metas e método. Tratar de plano/projeto como algo baseado na doutrina de Jesus(Lucas 14:28-33) foi realmente especial e que poderia impactar na forma com que se enxerga a importância de planejar.

No dia 22, participei de um painel fundamental sobre segurança jurídica e advocacy, ao lado de outros profissionais do direito. Conversamos sobre a dimensão preventiva do cuidado jurídico: como famílias podem proteger sua trajetória educacional, conhecendo seus direitos e agindo com serenidade e firmeza diante de órgãos públicos. Mas também tratamos do papel do advocacy como missão coletiva: sensibilizar parlamentares, mobilizar a sociedade e mostrar que o ensino domiciliar é um direito natural dos pais, responsável, estruturado e plenamente compatível com a Constituição. Ressaltei que advocacy não é grito: é persistência, dados, presença institucional e compromisso com a verdade. Senti que o público compreendeu que a regulamentação também depende de apoiar as iniciativas associativas para que haja um trabalho diário, paciente, profissional e estratégico.

No dia 23, último do encontro, vivi um dos momentos mais emocionantes da minha trajetória na Expo: a oficina de Projetos de Carreira para jovens de 15 a 25 anos, usando uma metodologia ágil de projetos. O que eu encontrei ali foi algo que me marcou profundamente: jovens homeschoolers com raciocínio rápido, organização, clareza de propósito e uma capacidade impressionante de conectar fé, vocação e profissionalização. Foram elaborados projetos colaborativos em canvas. Ver o brilho nos olhos deles, a maturidade das perguntas e o senso de responsabilidade com o futuro me deixou genuinamente emocionada. Foi ali que eu confirmei, mais uma vez, que o homeschooling forma mentes sólidas, disciplinadas e profundamente criativas.

 

Enquanto eu vivia minhas atividades dentro da Expo, o restante da programação fervilhava. Mais de 50 palestras, oficinas e painéis reuniram grandes nomes da educação cristã e do homeschooling, como Kevin Swanson, Daniel e Sílvia Baker, Mark e Diane Ellis, Barbra Reis, Victor Ximenes e Tito Santos. A área de expositores pulsava com editoras, consultorias e projetos inovadores: Vila das Letras, Libertas, Dulcis Domus, Artes Clássicas, Classical Press, Generations, Verbo & Conto, Homeschool Café, Knox Kids, Vida Campestre e tantos outros. Era impressionante enxergar como esse ecossistema cresceu: currículos completos, materiais clássicos, recursos bilíngues, clubes de leitura, rotinas, ferramentas para portfólios e suporte pedagógico de alto nível estavam ao alcance de milhares de famílias.

O clima era de festa, mas não uma festa vazia. Era uma alegria cheia de significado na centralidade cristã que confere propósito a tudo. Crianças brincavam entre os estandes, jovens circulavam com cadernos nas mãos, mães trocavam estratégias de ensino, pais participavam das oficinas de planejamento. Os espaços infantis viviam cheios, com música, artes, contação de histórias e atividades criativas. Havia encanto, sim, mas também muito trabalho sério, muita dedicação real e uma convicção profunda de que educar é um ato de amor e responsabilidade.

E tudo isso acontecia em um momento importante: o ensino domiciliar ainda aguarda a regulamentação no Senado, mesmo sendo reconhecido constitucionalmente como direito dos pais desde 2016 pelo STF. Por isso, cada palestra, cada painel, cada conversa com famílias reforçava a mesma percepção: a sociedade já avançou, mas agora é a legislação que precisa acompanhar. A Expo mostrou que o homeschooling não é improviso nem ruptura. É um modelo educacional maduro, organizado, cheio de recursos e sustentado por uma comunidade vibrante.

Quando deixei o Campus Cidade Viva no fim do dia 23, eu estava um pouco cansada, mas profundamente feliz. Vi crianças aprendendo com alegria, jovens pensando grande, pais fortalecidos, especialistas compartilhando conhecimento, instituições firmes na defesa jurídica, e um grupo representativo sonhando, construindo e trabalhando por um futuro melhor. A Expo Homeschooling 2025 não foi apenas um evento. Foi um marco. Foi uma declaração viva de que a educação domiciliar no Brasil está consolidada, é “imparável” e que a próxima geração está sendo formada com fé, inteligência, disciplina e propósito.

*Zizi Martins é ativista pela liberdade. Atua como vice-presidente do Conselho de Administração da ANED (Associação Nacional de Educação Domiciliar), foi fundadora e é diretora da Lexum, presidente do Instituto Solidez e membro do IBDR.

Advogada com pós-doutorado em Política, Comportamento e Mídia (PUC-SP), Doutorado em Educação (UFBA), Mestrado em Direito Público (UFPE) e especializações em Liderança e Gestão Pública, Direito Administrativo e Direito Religioso.

 

 

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