FLIMA 2025 reúne grandes nomes da literatura e celebra deslocamentos e pertencimentos

FLIMA 2025 reúne grandes nomes da literatura e celebra deslocamentos e pertencimentos

Redação ImprensaBR
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Silvinha Almeida

Com homenagem a Milton Hatoum e curadoria diversa, a FLIMA 2025 acontece entre 15 e 18 de maio e debate fronteiras, deslocamentos e a construção dos pertencimentos pela literatura

A Festa Literária Internacional da Mantiqueira (FLIMA) chega à sua sétima edição em 2025 reafirmando sua vocação: ser mais que um festival de livros — ser um espaço de escuta, travessia e encontro. Com o tema “Deslocamentos e Pertencimento”, a FLIMA propõe refletir sobre as fronteiras, físicas e simbólicas, que moldam nossas identidades e histórias. Um convite urgente para pensar o Brasil (e o mundo) pelas lentes da literatura.

Com sede em Santo Antônio do Pinhal (SP), a FLIMA 2025 presta homenagem a Milton Hatoum, autor essencial na literatura brasileira contemporânea, cuja obra costura as camadas da identidade, da memória e das migrações. A escolha do homenageado não poderia ser mais adequada: Hatoum é um cronista das encruzilhadas humanas e um embaixador das múltiplas Amazônias que coexistem dentro e fora de nós.

“Falar sobre deslocamento é falar da existência da humanidade”, afirma Maria Carolina Casati, uma das curadoras. “E pensar em pertencimento é pensar em como podemos sobreviver. Pertencer a quê? A quem? Estamos pensando nisso de uma forma literária: a partir da palavra e dos corpos: como podemos existir?”

 

Entre os destaques da programação, nomes como Jamil Chade, Tati Bernardi, Kaká Werá e Luciany Aparecidaconsolidam a aposta do festival na diversidade de vozes e perspectivas. Jornalistas, romancistas, pensadores indígenas e autores contemporâneos se reúnem para debater temas que atravessam os livros e transbordam para a vida: crises políticas, imaginários deslocados, resistências e reinvenções de pertencimento.

A curadoria aposta numa seleção que respeita a pluralidade e aposta em histórias que ampliam o repertório do público — sem perder a densidade literária. Para além das mesas e debates, o evento ainda contará com shows gratuitos, lançamentos de livros e atividades voltadas a públicos de todas as idades, em meio às paisagens exuberantes da Mantiqueira.

“Vivemos um momento histórico complexo e delicado, em que o outro muitas vezes é percebido como inimigo. Acreditamos que a literatura pode contribuir para aproximar as pessoas, ampliando as possibilidades de diálogo”, reflete Roberto Guimarães, curador e diretor do festival.

A abertura acontece no dia 15 de maio, com o recital “Retrato sonoro de um certo Oriente”, do alaudista sírio refugiado no Brasil Rajana Olba, seguido da mesa “Distopia americana”, com o jornalista Jamil Chade. No dia 16, o destaque é o lançamento de “A Ciência Encantada de Jurema” (editora Fósforo), de Marcelo Leite, em mesa com a liderança indígena Chirley Pankará.

O sábado reserva debates sobre espiritualidade e deslocamentos forçados, com autores como Marie Ange Bordas e Edyr Augusto, além da homenagem a Hatoum na mesa “Manaus é um mundo”. No domingo, a FLIMA discute feminismo, memória e reinvenção com Milly Lacombe, Bianca Santana, Luciany Aparecida e Tati Bernardi, que lança seu novo livro “A boba da corte”.

Música para todos os sentidos

A novidade da edição é a programação musical gratuita, que amplia a festa literária para as noites de outono. De Rajana Olba a Zé Pitoco (ícone do forró), passando pelo show vibrante “Nordeste Ficção” da potiguar Juliana Linhares e a energia caribenha da banda Quimbará, a FLIMA mostra que a palavra também se dança.

Feira de Livros e atividades paralelas

Comprometida com a bibliodiversidade, a FLIMA contará com uma Feira de Livros reunindo cerca de 30 editoras e livrarias, além de lançamentos, sessões de autógrafos, rodas de conversa e oficinas. A livraria oficial do evento será novamente a Livraria Mantiqueira.

Antes da abertura oficial, o Esquenta FLIMA promove atividades literárias itinerantes em São Francisco Xavier, São Bento do Sapucaí, Monteiro Lobato e Santo Antônio do Pinhal — um movimento que leva a literatura para as ruas, praças e corações.

Um festival consolidado

Desde sua criação, em 2018, a FLIMA vem construindo um espaço democrático e plural, reunindo autores como Ana Maria Machado, Conceição Evaristo, Eliane Brum e Itamar Vieira Junior, em mais de 400 atividades para cerca de 60 mil participantes. Para a edição de 2025, parte da programação foi escolhida via edital público, reforçando o espírito de abertura e participação.

A FLIMA 2025 conta com apoio do Governo do Estado de São Paulo, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas e do ProAC.

Para quem acredita no poder da palavra e da escuta como caminhos de reinvenção do mundo, a FLIMA é parada obrigatória.

A programação completa pode ser conferida no site oficial: flima.net.br

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