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Para especialista da SGF Global, inteligência artificial não elimina talentos, mas exige que empresas invistam em qualificação, transparência e novas competências O avanço acelerado da inteligência artificial no ambiente corporativo começa a despertar um movimento de resistência entre jovens profissionais. Nos Estados Unidos, protestos organizados por integrantes da Geração Z chamaram a atenção ao denunciar demissões, redução de oportunidades para profissionais em início de carreira e pressão para adoção indiscriminada de ferramentas de IA no trabalho. O debate também chega ao Brasil, onde, embora ainda não existam dados consolidados sobre o impacto da tecnologia nas vagas de entrada, especialistas já observam mudanças significativas no mercado. Na avaliação de Heliana Silva, country manager da SGF Global no Brasil, o receio dos jovens é compreensível, mas a discussão não deve ser resumida à substituição de pessoas por tecnologia. “A inteligência artificial está transformando o mercado de trabalho em uma velocidade inédita e é natural que profissionais, especialmente aqueles em início de carreira, sintam insegurança. O problema não é a tecnologia em si, mas a forma como algumas organizações estão conduzindo essa transição, priorizando apenas ganhos de produtividade sem preparar as pessoas para esse novo cenário”, afirma. Segundo a executiva, o Brasil vive uma realidade diferente da observada em mercados mais maduros, como os Estados Unidos. Em vez de uma substituição em larga escala, o país passa por uma reconfiguração das funções, exigindo profissionais capazes de combinar competências técnicas, pensamento crítico, criatividade e inteligência emocional. “Estamos acompanhando empresas que utilizam IA para automatizar atividades repetitivas, mas continuam precisando de pessoas para interpretar dados, tomar decisões, inovar e construir relacionamento. A tecnologia muda o trabalho, mas não elimina a necessidade do fator humano. Na prática, ela aumenta o valor das competências que nenhuma máquina consegue replicar.” Empresas de recrutamento já percebem reflexos desse movimento. Processos seletivos têm priorizado candidatos com capacidade de adaptação, aprendizado contínuo e domínio de ferramentas digitais, independentemente da área de atuação. Para Heliana, esse cenário representa um alerta para empresas e profissionais. “Não basta exigir que os colaboradores utilizem inteligência artificial. É preciso oferecer treinamento, criar uma cultura de aprendizagem contínua e mostrar como essa tecnologia pode ampliar o potencial das equipes, e não apenas servir como instrumento de redução de custos. Quando a IA é implementada sem estratégia ou comunicação clara, ela gera insegurança, resistência e perda de engajamento.” Outro ponto destacado pela especialista é que a Geração Z traz uma expectativa diferente em relação ao trabalho. Acostumados com ambientes mais colaborativos e transparentes, esses profissionais tendem a questionar decisões que afetam diretamente suas carreiras. “A nova geração quer entender por que as mudanças acontecem e qual será seu papel nesse novo contexto. As empresas que conseguirem unir inovação tecnológica, desenvolvimento de pessoas e comunicação transparente terão mais facilidade para atrair e reter talentos.” Embora a inteligência artificial já esteja redefinindo processos em áreas como atendimento, recrutamento, marketing, tecnologia e suporte administrativo, Heliana acredita que o futuro do trabalho será marcado pela colaboração entre pessoas e máquinas. “Nos próximos anos, veremos menos profissionais executando tarefas operacionais e mais pessoas assumindo funções estratégicas, analíticas e criativas. O diferencial competitivo deixará de ser apenas saber usar inteligência artificial e passará a ser saber trabalhar com ela de forma ética, crítica e inteligente.”, finaliza. |
Geração Z questiona avanço da IA no trabalho
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