Especialista explica por que cansaço frequente, dores e baixa disposição podem ser sinais de um sistema imunológico desequilibrado
Quando se fala em imunidade, muita gente ainda associa o conceito apenas à capacidade de não ficar doente. Mas a ciência mostra que o sistema imunológico atua de forma muito mais ampla no organismo e influencia diretamente a energia, o humor, a recuperação muscular e até o funcionamento do intestino. Por isso, nem sempre estar “sem gripe” é sinônimo de estar saudável.
Segundo o farmacêutico-bioquímico Douglas Andrés Valverde, formado pela Universidade de São Paulo, especialista em análises clínicas e toxicologia clínica e CEO da Tech Trials, a imunidade equilibrada se reflete no bem-estar geral. “Imunidade vai muito além de apenas não ficar doente. Quando ela não está bem, a pessoa pode até não apresentar uma doença específica, mas se sente cansada, indisposta, com dores frequentes e mais sensível ao estresse do dia a dia”, explica.
Um dos principais fatores que afetam diretamente o sistema imunológico é o sono. Dormir mal ou por poucas horas compromete processos essenciais do organismo. “É durante o sono que o corpo produz substâncias importantes para combater infecções e regular inflamações. Quando o descanso não é adequado, o organismo fica mais vulnerável a vírus, bactérias e até a inflamações crônicas”, afirma Douglas. Além disso, o impacto se estende à memória, ao humor e à capacidade de concentração, criando um ciclo de cansaço constante.
A prática de atividade física também exerce papel importante nesse equilíbrio, desde que seja feita com moderação. “Exercícios leves a moderados fortalecem muito a imunidade, melhoram a circulação e reduzem o estresse. O problema é exagerar, principalmente no início do ano, sem preparo físico. Isso pode gerar lesões, aumentar o cansaço e até baixar a imunidade temporariamente”, alerta o especialista. Ele destaca que o ideal é iniciar aos poucos e sempre com orientação de um profissional capacitado.
Outro ponto que costuma gerar confusão é a ideia de energia ligada apenas à alimentação. Para Douglas Valverde, o conceito de energia celular é mais complexo. “A energia não depende só da comida. Estresse crônico, sono ruim, excesso de estímulos, ansiedade e até questões hormonais interferem na forma como o corpo produz energia. O intestino e a saúde emocional também influenciam muito esse processo”, explica. Em alguns casos, mesmo com uma alimentação adequada, o organismo não consegue aproveitar os nutrientes de forma eficiente.
Esse desequilíbrio costuma ficar mais evidente no início do ano. De acordo com o CEO da Tech Trials, o corpo sente os reflexos dos excessos do fim de ano. “Noites mal dormidas, alimentação irregular, mais consumo de álcool, menos rotina e maior estresse emocional sobrecarregam o organismo. Quando a rotina retorna, o corpo ainda está tentando se reorganizar, e isso aparece como cansaço persistente, dificuldade de concentração e maior facilidade para adoecer”, pontua.
A boa notícia é que ajustes simples já fazem diferença. “Priorizar refeições regulares, incluir mais frutas, verduras e legumes, reduzir ultraprocessados e aumentar a ingestão de água são passos fundamentais. Não é preciso dieta radical. Comer melhor de forma consistente ajuda o corpo a recuperar energia, melhora o funcionamento do intestino e fortalece a imunidade de forma natural”, orienta Douglas Andrés Valverde.
Mais do que buscar soluções rápidas, o especialista reforça que cuidar da imunidade é um processo contínuo, que envolve rotina, equilíbrio e atenção aos sinais do próprio corpo.