Intercâmbio ganha força como estratégia para impulsionar carreira profissional

Intercâmbio ganha força como estratégia para impulsionar carreira profissional

Thais Hott
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Crédito:Unaihuiziphotography/iStock

Cada vez mais brasileiros buscam experiências internacionais para fortalecer o currículo e desenvolver habilidades valorizadas pelo mercado de trabalho global

Com o mercado de trabalho cada vez mais globalizado e competitivo, o intercâmbio deixou de ser apenas uma experiência cultural para se tornar uma estratégia de desenvolvimento profissional. 

Dados da Associação Brasileira de Agências de Intercâmbio (Belta) revelam que, apenas entre janeiro e setembro de 2022, mais de 327 mil brasileiros embarcaram em programas educacionais no exterior, um crescimento de cerca de 13% em relação a 2019. 

O levantamento, feito a partir de questionários aplicados a agências credenciadas e universidades parceiras, mostra que a busca por vivências internacionais vem mudando de perfil; o objetivo agora é fortalecer o currículo e ampliar as oportunidades de carreira.

Tendência

Essa tendência se confirma quando olhamos para os números de 2023 e 2024. Um relatório da consultoria Student Travel Bureau (STB) apontou um aumento de 15% no volume de intercâmbios realizados em 2024, em comparação ao ano anterior, com destaque para o crescimento de programas voltados a profissionais com mais de 50 anos. 

O dado, coletado a partir de análises de mercado e registros de agências, indica que o intercâmbio passou a ser visto como um investimento de atualização profissional, e não apenas de aprendizado de idiomas.

Currículo

O impacto do intercâmbio sobre o perfil profissional é amplamente reconhecido por empresas. Segundo pesquisa da Belta, realizada em 2022, 93% das companhias entrevistadas afirmaram valorizar habilidades comportamentais, as chamadas soft skills, como comunicação, empatia e adaptabilidade. 

O levantamento foi baseado em entrevistas com recrutadores e gestores de recursos humanos e demonstrou que a vivência internacional contribui diretamente para o desenvolvimento dessas competências.

Valor

A consultoria Education First (EF) também reforça essa visão. Em estudo divulgado em 2023, a empresa mostrou que 82% dos recrutadores consideram a experiência internacional um diferencial significativo na contratação de candidatos. Esses dados foram coletados em uma amostra de 1.200 profissionais de recursos humanos em 25 países, o que evidencia a percepção global sobre o valor de ter vivido fora.

Na prática, o intercâmbio contribui para o currículo em diferentes dimensões, e o aprendizado do idioma é uma das mais imediatas. Viver em um país estrangeiro exige comunicação constante, o que acelera a fluência e melhora a confiança do profissional em contextos corporativos multilíngues. 

Renda

O aspecto profissional também se reflete em números. Uma análise da Belta, publicada em 2024, apontou que brasileiros com experiências internacionais chegam a receber salários até 20% maiores do que candidatos com perfis semelhantes, mas sem vivência fora do país.

A mesma pesquisa, feita com base em dados de plataformas de recrutamento, também revelou que esses profissionais tendem a alcançar cargos de liderança com mais rapidez.

Como fazer intercâmbio

Realizar um intercâmbio requer planejamento, mas os dados mostram que o esforço costuma valer a pena. Para quem deseja unir aprendizado e crescimento profissional, o primeiro passo é definir o objetivo, aprimorar o idioma, cursar uma especialização ou ganhar experiência no mercado internacional.

A Belta registrou em 2024 um aumento de 53% na procura por programas de graduação e pós-graduação, o que demonstra o interesse crescente por formações mais longas e acadêmicas.

O custo médio dos programas, segundo pesquisa da Panrotas, publicada em 2023, é de, aproximadamente, US$ 8.300 por estudante, considerando passagens, cursos e hospedagem. Esses dados foram coletados por meio de um painel com agências e operadoras brasileiras, indicando a importância do planejamento financeiro prévio.

Entre os destinos preferidos, os países de língua inglesa continuam liderando as escolhas. O levantamento “Brazilian Student Market Overview”, também da Belta, mostrou que 77% dos intercambistas brasileiros escolhem esses países, e a Austrália está entre os mais procurados. 

O intercâmbio na Austrália se destaca por unir ensino de qualidade, oportunidades de trabalho durante o curso e ambiente multicultural – fatores apontados por estudantes como decisivos na escolha do destino.

Mais do que um período fora do país, o intercâmbio representa uma formação prática e cultural capaz de ampliar horizontes profissionais. Planejado com propósito, o intercâmbio é um investimento em educação e carreira, um passo concreto rumo a um perfil profissional mais preparado para os desafios globais.

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