Economia
Investir em Imóveis é uma alternativa para proteger o patrimônio da inflação?
A inflação é um fenômeno econômico que pode corroer o poder de compra e afetar negativamente os investimentos. No entanto, o mercado imobiliário se destaca como uma alternativa eficaz para proteger o patrimônio contra os efeitos da inflação. A aquisição de imóveis no Brasil tem se mostrado uma estratégia sólida e segura para preservar e até aumentar o valor do patrimônio ao longo do tempo.
O mercado imobiliário possui um histórico de valorização contínua, mesmo em períodos de alta inflação. Isso ocorre porque os preços dos imóveis tendem a subir com os custos de construção e mão de obra. Além disso, os imóveis geram renda com aluguel, que pode ser ajustado conforme os índices de inflação, garantindo que o proprietário mantenha seu poder de compra.
Vantagens de Investir em Imóveis
- Valorização de Longo Prazo: imóveis tendem a se valorizar ao longo do tempo, acompanhando ou até superando a inflação. Historicamente, o mercado imobiliário brasileiro tem mostrado uma tendência de crescimento, especialmente em áreas urbanas e regiões em desenvolvimento. A valorização dos imóveis é impulsionada por fatores como o aumento da demanda, melhorias na infraestrutura e desenvolvimento econômico.
- Renda de Aluguel: o aluguel pode ser reajustado de acordo com a inflação, proporcionando uma fonte de renda estável e protegida. Em tempos de inflação alta, os contratos de aluguel geralmente incluem cláusulas de reajuste anual baseadas em índices de inflação, como o IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado). Isso garante que a renda do aluguel mantenha seu valor real ao longo do tempo.
- Segurança: imóveis são investimentos sólidos e seguros, com baixo risco de perda. Diferente de investimentos em ações ou criptomoedas, que podem ser voláteis e imprevisíveis, os imóveis oferecem uma segurança tangível. A propriedade de um imóvel é um ativo físico que não pode ser facilmente perdido ou destruído, proporcionando uma sensação de estabilidade e segurança financeira.
- Diversificação: investir em imóveis ajuda a diversificar o portfólio, reduzindo o risco geral. A diversificação é uma estratégia fundamental para mitigar riscos em qualquer portfólio de investimentos. Ao incluir imóveis no portfólio, o investidor pode equilibrar os riscos associados a outros tipos de investimentos, como ações, títulos e fundos mútuos.
- Vantagens Fiscais: no Brasil é possível vender um imóvel e comprar outro residencial sem pagar imposto sobre o ganho de capital, o que torna este investimento ainda mais atrativo. A Lei nº 11.196/2005, permite que o proprietário venda um imóvel residencial e utilize o valor para adquirir outro imóvel residencial no prazo de 180 dias, ficando isento do imposto sobre o ganho de capital.
Apesar das vantagens, é importante estar ciente de alguns pontos importantes a serem considerados, como: liquidez não imediata, uma vez que venda de um imóvel pode levar algum tempo, dependendo do mercado e da localização. Isso pode ser um desafio para investidores que precisam de acesso rápido a dinheiro. Outro ponto importante são os custos de manutenção e custos iniciais altos. A compra de imóveis exige um investimento inicial significativo, o que pode ser uma barreira para alguns investidores. Além do preço de compra, há custos adicionais como impostos, taxas de cartório e despesas com financiamento. Esses custos iniciais podem tornar o investimento em imóveis inacessível para alguns.
Mesmo com estes pontos de atenção mencionados, investir em imóveis no Brasil é uma estratégia eficaz para proteger o patrimônio contra a inflação. Historicamente, os imóveis têm se valorizado no longo prazo, oferecendo uma proteção sólida e segura.
Marcos Bigucci é advogado, diretor da Construtora MBigucci, mestre em Administração de Empresas pela Devry University – USA, Master Business Administration (MBA) pela FGV/Brasil e Certificado pela Harvard University – USA em Tecnologia e Empreendedorismo.
Economia
Banco Central lança portabilidade de crédito no open finance
A partir do início do próximo ano, os clientes poderão transferir empréstimos de uma instituição financeira para outra de forma mais rápida e digital, em busca de juros mais baixos ou prestações menores. O Banco Central (BC) anunciou nesta sexta-feira (28) a inclusão do serviço de portabilidade de operações de crédito no open finance, sistema financeiro aberto.

A novidade estará disponível ao público em geral a partir de fevereiro de 2026, começando pela modalidade de crédito pessoal. Nos meses seguintes, a portabilidade pelo open finance será estendida às demais modalidades de crédito.
Atualmente, consumidores podem pedir a portabilidade de empréstimos, mas o processo é considerado burocrático e pouco eficaz. Segundo o BC, o novo modelo não substitui as regras em vigor, mas acrescenta uma alternativa mais ágil, apoiada no compartilhamento padronizado de dados entre bancos e fintechs.
Em nota, o BC afirmou que a mudança deve “eliminar assimetrias de informação e barreiras operacionais”, além de tornar o processo mais eficiente. Com o open finance, o prazo máximo para conclusão das operações passará de cinco para três dias úteis — redução válida apenas para solicitações feitas dentro do ambiente digital do sistema.
Processo digital e maior concorrência
A operação será totalmente digital, realizada pelos aplicativos das instituições financeiras. O BC avalia que a automatização deve reduzir erros, custos e ampliar o acesso dos consumidores a ofertas de crédito mais vantajosas.
De acordo com o diretor de Regulação do BC, Gilneu Vivan, a proposta aproveita a infraestrutura do open finance para ampliar a concorrência no crédito.
“O que estamos fazendo é levar os benefícios do sistema para a portabilidade, com facilitação da troca de informações e melhor experiência para o cliente”, disse.
Implementação gradual
A Resolução Conjunta nº 15/2025, que formaliza a mudança, foi aprovada na quinta-feira (27) pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), mas só foi explicada nesta sexta-feira pelo BC. A resolução permitirá a realização de testes restritos com a portabilidade do open finance, antes de fevereiro de 2026.
Após a liberação da portabilidade para crédito pessoal, o cronograma prevê testes para crédito consignado do setor público federal em agosto de 2026, com lançamento ao público em novembro. Outras modalidades de empréstimo serão incorporadas posteriormente.
O BC e o Conselho Monetário Nacional (CMN) afirmam que a nova portabilidade digital deve ampliar o alcance do open finance e aprofundar a integração entre instituições financeiras, com foco na melhoria da experiência do usuário.
O que é o open finance
Também chamado de sistema financeiro aberto, o open finance permite que clientes autorizem o compartilhamento de seus dados financeiros entre diferentes instituições. Na prática, o consumidor pode levar seu histórico bancário para outros bancos, movimentar contas em plataformas distintas e acessar serviços personalizados, com mais segurança, padronização e conveniência. O objetivo é aumentar a competição no mercado e facilitar o acesso a produtos financeiros mais vantajosos.
Economia
Brasil faz acordo de exportações com Filipinas, Guatemala e Nicarágua
O governo brasileiro concluiu negociações sanitárias e fitossanitárias com Filipinas, Guatemala e Nicarágua para aumentar exportações de produtos agropecuários para esses países.

Nas Filipinas, as autoridades sanitárias aprovaram a exportação de gordura bovina, insumo utilizado na indústria de alimentos e na produção de energia de baixo carbono, especialmente o diesel verde e o sustainable aviation fuel (SAF).
Entre janeiro e outubro de 2025, o país do sudeste asiático importou quase US$ 1,5 bilhão em produtos agropecuários do Brasil.
Na Nicarágua, as autoridades fitossanitárias autorizaram o Brasil a exportar sementes de milheto, crotalária e nabo, insumos para a agricultura tropical, que contribuem para o aumento da produtividade e a redução da dependência de fertilizantes minerais. Entre janeiro e outubro de 2025, a Nicarágua importou cerca de US$ 55 milhões em produtos agropecuários do Brasil.
Já na Guatemala, o governo brasileiro obteve autorização fitossanitária para exportar arroz beneficiado. Em 2025, até outubro, o país importou mais de US$ 192 milhões em produtos agropecuários do Brasil.
“Os resultados reforçam a estratégia de diversificação de destinos e de produtos, incluindo itens de maior valor agregado”, disse em nota o Ministério das Relações Exteriores (MRE).
Economia
Projeto contra devedor contumaz separa joio do trigo, diz secretário
No dia seguinte à operação “Poço de Lobato”, que mirou sonegação fiscal de R$ 26 bilhões do Grupo Refit, do setor de combustíveis, o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, disse que o projeto que tramita no Congresso contra devedores contumazes pode combater esse tipo de crime.

“Para a gente melhorar o tratamento para os bons contribuintes, é preciso separar o joio do trigo”, disse o secretário.
No caso do grupo que foi alvo da investigação da Receita, o crime envolvia um esquema para sonegação de tributos, evasão de divisas e ocultação de patrimônio.
Ele concedeu, nesta sexta (28), entrevista à Voz do Brasil, produzida pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
O secretário da Receita salientou que são devedoras contumazes as pessoas que se utilizam da atividade empresarial ou da estrutura para não pagar tributo e com isso ter uma vantagem competitiva.
“No meio desse esquema todo, está um dos maiores devedores contumazes do Brasil, um grupo econômico cujo negócio principal é não pagar tributo”, explicou Robinson Barreirinhas.
“Pequena minoria”
Estariam no rol dos devedores contumazes aproximadamente mil contribuintes, dentre mais de 20 milhões de empresas brasileiras.
“É uma pequena minoria, mas que causa um estrago enorme em determinados setores”, afirma.
Barreirinhas esclarece que um empresário pode ficar eventualmente inadimplente ao ter dificuldade e não conseguir pagar tributos.
“Pode acontecer com qualquer um. Ele não é um devedor contumaz. Nós estamos falando daquele empresário que abre a empresa com a intenção de não pagar tributo”.
Por isso, o governo defende uma legislação mais dura contra esse tipo de crime.
“A dívida tem que ser superior a R$ 15 milhões e esse valor tem que ser superior ao patrimônio da empresa”, ponderou. Outra intenção do projeto, segundo o secretário, seria que a concorrência entre as empresas ficasse mais saudável. “Estamos falando dos devedores contumazes que devem mais de R$ 200 bilhões”.
O governo não tem expectativa de receber o dinheiro sonegado para os cofres públicos em função de que são empresas abertas sem patrimônio nenhum. “O que nós queremos é tirar elas do mercado e abrir espaço para que o bom empresário possa atuar”, ressaltou.



