Com o consumo sob pressão e as empresas buscando alternativas para equilibrar as despesas, a gestão da limpeza profissional também exige atenção. O desafio é identificar oportunidades de economia sem comprometer a conservação dos ambientes, já que escolhas aparentemente vantajosas podem aumentar os gastos com produtos, mão de obra e recuperação de superfícies.
O contexto econômico reforça essa preocupação. Segundo o Índice Cielo do Varejo Ampliado, as vendas do varejo brasileiro tiveram queda real de 3,9% em setembro, frente a setembro de 2025. O resultado marcou o 16º mês consecutivo de retração no setor.
Nesse ambiente, fabricantes especializados em conservação de pisos defendem que a seleção de produtos e métodos de limpeza leve em conta os custos acumulados ao longo do tempo. Comprar apenas pelo menor preço, eliminar procedimentos de manutenção ou utilizar a mesma técnica em revestimentos diferentes pode aumentar o consumo, gerar retrabalho e acelerar a deterioração dos materiais.
Andréa Stacco, responsável pela gestão e pelo relacionamento com clientes da Veneza, chama a atenção para a diferença entre o preço de compra e o custo efetivo da operação. “Quando uma empresa precisa reduzir custos, é natural revisar fornecedores e despesas recorrentes. O problema é quando a comparação considera apenas quanto custa o litro do produto. Na limpeza profissional, é preciso olhar quanto custa manter aquele piso em boas condições ao longo do tempo”, afirma.
A avaliação preventiva é especialmente importante quando o revestimento apresenta manchas, perda de brilho ou sinais de envelhecimento. Essas características não indicam, por si só, a necessidade de substituição. A decisão depende de uma análise do tipo de piso, do desgaste existente, da sujeira acumulada e dos produtos, concentrações, equipamentos e procedimentos empregados na limpeza.
Valdir Stacco, responsável pelo desenvolvimento técnico das formulações, explica que respeitar as particularidades de cada material é essencial para evitar danos progressivos. “Cada piso tem características e limitações próprias. Uma química ou um processo inadequado pode não causar um problema perceptível imediatamente, mas o uso repetido pode comprometer a aparência e, dependendo do material, a própria superfície. Por isso, o diagnóstico deve vir antes da escolha do produto”, explica.
A conservação adequada pode prolongar a vida útil dos revestimentos e reduzir a necessidade de tratamentos mais intensivos. Nesse sentido, a Kärcher aponta que pisos mantidos em boas condições precisam ser substituídos com menor frequência. A 3M, por sua vez, recomenda considerar o retorno do investimento ao longo do tempo, sem restringir a análise ao preço inicial dos produtos.
Para Andréa, o resultado financeiro depende da eficiência do processo completo, e não somente do valor pago pelos materiais. “Um produto mais barato deixa de ser barato se exige mais quantidade, mais tempo da equipe ou mais intervenções para chegar ao mesmo resultado. O custo da limpeza não está apenas na embalagem.”
A experiência dos profissionais também integra essa discussão. Andréa e Valdir Stacco trabalham há mais de 33 anos no desenvolvimento de soluções para limpeza profissional e conduzem a Veneza, que conta com laboratório próprio dedicado à criação de formulações para operações comerciais e industriais.