Esquecimentos, dificuldade de concentração e sensação de “mente cansada” podem fazer parte da transição menopausal e impactar a vida profissional e pessoal
Esquecer uma palavra durante uma reunião, entrar em um cômodo e não lembrar o motivo, ter dificuldade para se concentrar em uma tarefa ou perceber que a memória já não funciona como antes. Para muitas mulheres, essas situações começam a aparecer justamente durante uma fase em que as demandas profissionais, familiares e pessoais continuam intensas: a transição para a menopausa.
Embora muitas vezes sejam associados apenas ao envelhecimento ou ao excesso de trabalho, sintomas como dificuldade de concentração, lapsos de memória, sensação de raciocínio mais lento e “névoa mental” podem estar relacionados às alterações hormonais dessa fase.
Segundo a ginecologista Dra. Carolina Arrabal, as mudanças hormonais da transição menopausal podem influenciar o funcionamento cerebral e a qualidade de vida. “É comum que algumas mulheres percebam alterações na memória, na concentração e na capacidade de organizar tarefas durante a transição para a menopausa. Isso não significa que a mulher esteja perdendo sua capacidade intelectual, mas que o organismo está passando por uma mudança importante”, explica.
A chamada “névoa mental” pode se manifestar de diferentes maneiras. Algumas mulheres relatam dificuldade para encontrar palavras, esquecimentos pontuais, maior dificuldade para manter o foco ou sensação de que precisam de mais tempo para realizar atividades que antes eram simples.
Além das alterações hormonais, outros sintomas frequentes da menopausa podem contribuir para esse quadro. Noites mal dormidas, ondas de calor, ansiedade, alterações de humor e cansaço podem comprometer a atenção e a memória durante o dia.
“Uma mulher que está dormindo mal por causa dos sintomas da menopausa, por exemplo, pode naturalmente apresentar mais dificuldade de concentração e memória no dia seguinte. Por isso, precisamos olhar para a paciente de forma integral e não tratar cada sintoma de maneira isolada”, destaca Dra. Carolina.
Quando a produtividade começa a ser afetada
No ambiente de trabalho, essas mudanças podem gerar insegurança. A mulher pode passar a questionar seu próprio desempenho, evitar determinadas situações ou acreditar que está menos competente do que antes.
A preocupação é ainda maior porque a menopausa costuma coincidir com uma fase de grande responsabilidade profissional e pessoal. Muitas mulheres estão em posições de liderança, cuidando da carreira, dos filhos, dos pais e de outras demandas familiares.
“É importante não normalizar o sofrimento. A menopausa é uma fase natural da vida, mas isso não significa que a mulher precise aceitar sintomas que estejam prejudicando sua rotina, seu trabalho ou seus relacionamentos”, afirma a ginecologista.
O que pode ajudar?
O primeiro passo é identificar quais sintomas estão presentes e avaliar como eles estão interferindo na rotina. Manter uma rotina de sono adequada, praticar atividade física, ter uma alimentação equilibrada e reservar momentos de descanso são medidas importantes para a saúde nessa fase.
Também pode ser útil adotar estratégias práticas no dia a dia, como utilizar agendas, listas de tarefas, lembretes e organizar atividades que exigem maior concentração nos períodos do dia em que a mulher se sente mais disposta.
Quando os sintomas são persistentes ou intensos, a avaliação médica é fundamental. O tratamento deve ser individualizado e pode envolver diferentes abordagens, de acordo com os sintomas, histórico de saúde e necessidades de cada mulher.
A terapia hormonal da menopausa, por exemplo, pode ser considerada em determinadas pacientes, desde que não existam contraindicações e após uma avaliação individualizada dos benefícios e riscos. Ela não deve ser utilizada exclusivamente como tratamento para melhorar a memória, mas pode contribuir para o controle de sintomas da menopausa em mulheres que tenham indicação.
“Não existe uma solução única para todas as mulheres. O mais importante é entender o conjunto de sintomas, avaliar a saúde da paciente e construir uma estratégia de tratamento que faça sentido para aquela pessoa”, ressalta Dra. Carolina Arrabal.
Menopausa não significa perda de capacidade
Para a especialista, informação também é uma ferramenta importante para reduzir a ansiedade nessa fase.
“A mulher não deixa de ser produtiva, inteligente ou capaz porque chegou à menopausa. O que pode acontecer é que os sintomas dessa transição estejam interferindo temporariamente na forma como ela funciona no dia a dia. Reconhecer isso e buscar acompanhamento adequado pode fazer uma grande diferença”, finaliza Dra. Carolina Arrabal.
A menopausa marca uma nova etapa da vida, mas não precisa representar o fim da produtividade ou da realização profissional. Com informação, acompanhamento médico e cuidados individualizados, é possível atravessar essa fase com mais qualidade de vida e segurança.