Mercado automotivo: financiamento em alta aponta para um cenário aquecido
(Créditos: ArLawKa AungTun / iStock)

Com carros mais baratos e taxa de juros em viés de baixa, mercado de automóveis leves registra número de financiamentos muito acima do esperado

O mercado brasileiro de automóveis se encontra em um bom momento, que tem sido puxado, sobretudo, pelo aumento no financiamento dos automóveis zero quilômetro. O cenário atual aponta até mesmo para um novo recorde, segundo dados levantados pela Trillia, empresa de análise de dados da B3, a Bolsa de Valores do Brasil.

De acordo com o levantamento feito, foram quase 3,8 milhões de financiamentos realizados no primeiro semestre do ano, o melhor desempenho para este mesmo período desde 2008. Somente no mês de julho, por exemplo, houve um salto de 21% na quantidade de financiamentos de veículos novos quando comparado com o mesmo mês do ano anterior.

Financiamento em alta

No montante, o desempenho no primeiro semestre de 2025 foi 10,9% melhor em relação a 2024. Dos quase 3,8 milhões de operações, 2,38 milhões dizem respeito a veículos usados, e 1,39 milhão a veículos novos, entre automóveis, comerciais leves, motocicletas, caminhões e ônibus.

Algumas causas podem ser aventadas. A discreta redução da Taxa Selic para 14%, a quarta redução consecutiva, aponta para uma tendência de queda nos juros. O fenômeno é responsável por um mercado desejoso de mais crédito, ao menos em parte. Outro aspecto importante é o alongamento no tempo médio dos financiamentos.

Preços dos usados e novos em queda

Em um ano, a média de prazo se alongou para mais dois meses, passando de 45 para 47. Isso representa parcelas mais baratas para o consumidor. Outro ponto a ser considerado foi a própria redução de preço do carro zero quilômetro e do usado, que caiu cerca de 4,7% em um ano, também segundo a B3.

O preço dos 0km foi pressionado para baixo devido, principalmente, à concorrência dos automóveis chineses. A chegada de cada vez mais modelos fez com que a maioria dos estoques de carros novos sofresse grandes descontos. A queda nos preços dos novos também jogou o preço dos usados para baixo, em um efeito cascata.

Isso se deve ao fato de o carro zero quilômetro servir como um termômetro do mercado. Se o seminovo ou usado não acompanhar seu preço, ele pode vir a se tornar menos competitivo. No cenário atual, esse movimento ajudou a desinflacionar o preço dos carros usados, que vinha em uma crescente.

A combinação de preços mais baixos, prazos de financiamento mais longos e juros em queda configura um cenário favorável para a aquisição de automóveis, seja ele novo ou usado, segundo a análise dos dados do mercado automotivo brasileiro.

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