(Diretora de fomento à inovação do Órbi ICT, Janayna Bhering. Foto: Camila Rocha)
Entre os editais mais aguardados do ano está o Compete Minas 2026, lançado na última semana pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) em parceria com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG)
Empresas mineiras que têm boas ideias, mas acreditam não ter dinheiro para transformá-las em realidade, talvez estejam diante da melhor oportunidade dos últimos anos. Minas Gerais vive um momento raro e estratégico no mercado da inovação, com um volume recorde de recursos disponíveis, estimado em mais de R$ 600 milhões em 2026, se posicionando na vanguarda nacional. Para transformar essa disponibilidade em inovação efetiva, o Órbi ICT, em Belo Horizonte, vem atuando para aproximar as empresas das oportunidades certas e ajudá-las a converter editais em resultados concretos.
“Nesse momento, os principais editais abertos, incluindo os federais, privilegiam projetos com risco tecnológico e parceria com ICTs (Instituições de Ciência e Tecnologia). É papel do governo ser um incentivador nas etapas de maior risco tecnológico dos projetos, até para que as empresas estejam mais abertas a esse risco. Essas são oportunidades para que as empresas se tornem mais competitivas, podendo trabalhar na fronteira do conhecimento”, explica a Diretora de Fomento à Inovação do Órbi ICT, Janayna Bhering.
Em 2026, essa capacidade se desdobra em uma carteira ampla de instrumentos. O novo edital do Compete Minas oferece R$ 50 milhões para inovação no setor produtivo. O período de submissões inicia em 15 de junho e vai até 30 de julho de 2026.
“Compete Minas é nossa principal oportunidade para as empresas mineiras, de diferentes portes e segmentos, que investem em inovação para gerar qualidade e competitividade. A última edição recebeu um recorde de propostas, o que comprova a capacidade diferenciada do nosso capital humano em propor soluções de pesquisa e desenvolvimento”, destacou o presidente da Fapemig, Carlos Arruda, no anúncio no programa.
Não para por aí, destaca Bhering. A Chamada 01/2026 da Demanda Universal mobiliza R$ 105 milhões, o maior volume já destinado ao edital, com R$ 30 milhões reservados a propostas das universidades estaduais. A Chamada Novo SEED, voltada à aceleração de startups por ambientes de inovação, soma R$ 15 milhões, enquanto o programa Centelha 3 apoia a geração de empreendimentos inovadores e o edital Santos Dumont injeta R$ 10 milhões para que equipes universitárias atravessem o chamado vale da morte, a fase em que um protótipo promissor frequentemente se perde por falta de fôlego financeiro. Somam-se a esses instrumentos o edital Minas pelo Clima, dedicado a soluções para desafios ambientais, e o Come to Minas, desenhado para atrair centros de Pesquisa e Desenvolvimento de empresas de fora para o território mineiro.
Há ainda uma mudança de arquitetura relevante. A política estadual de aceleração será descentralizada para 12 mesorregiões, permitindo que ambientes de inovação como o Órbi ICT gerenciem recursos de até R$ 100 mil por startup. O movimento aproxima o fomento das empresas e reduz a distância entre quem detém o recurso e quem precisa dele para inovar.
Oportunidades nacionais
No plano federal, o ciclo é igualmente expressivo. Os principais editais abertos hoje são nacionais e operam, alguns deles, na lógica da subvenção econômica, o recurso não reembolsável destinado a custear o risco tecnológico. O Finep Mais Inovação Brasil, em sua Rodada 2, disponibiliza cerca de R$ 3,6 bilhões em 13 chamadas alinhadas às seis missões da política Nova Indústria Brasil (NIB). No conjunto, o Mais Inovação Brasil prevê R$ 61 bilhões até final de 2026, dos quais R$ 41 bilhões em linhas de crédito a taxas favorecidas e R$ 20 bilhões na modalidade não reembolsável.
Essa oferta não é um evento isolado, mas o início de um ciclo. A Nova Indústria Brasil, política industrial lançada em 2024, estabelece um horizonte de metas até 2033 e prevê R$ 300 bilhões em financiamentos, recursos não reembolsáveis e participações acionárias administrados por Finep, BNDES e Embrapii.
Para as empresas mineiras, isso significa que a janela aberta em 2026 tende a permanecer ativa ao longo dos próximos anos, organizada em torno de prioridades claras: complexo econômico-industrial da saúde, transformação digital da indústria, bioeconomia e transição energética, cadeias agroindustriais sustentáveis, infraestrutura e mobilidade, e tecnologias de defesa. Quem se estrutura agora se posiciona para capturar não apenas os editais correntes, mas a sequência de chamadas que se estende até o fim da década.
Órbi ICT: ponte entre a estratégia e o recurso
É justamente nessa ponte entre a oferta de recursos e a estratégia de cada empresa que o Órbi ICT concentra sua atuação. Por meio de uma frente dedicada ao fomento, a instituição apoia startups, empresas e organizações no acesso a editais públicos e programas de incentivo.
O trabalho começa antes da redação de qualquer proposta: parte de um diagnóstico do perfil da empresa, de seu porte, setor e maturidade tecnológica, para identificar as fontes de fomento efetivamente aderentes à sua estratégia de crescimento.
“Não se trata de submeter a empresa a todos os editais disponíveis, mas de selecionar os instrumentos certos para o estágio e os objetivos de cada negócio”, afirma Janayna. “Mapeamos as oportunidades, avaliamos a elegibilidade e priorizamos, dentro do portfólio do cliente, os projetos inovadores com maior potencial de captação e de retorno estratégico.” Além disso, como ICT vocacionada em Inteligência Artificial, o Órbi tem capacidade técnica e estrutura para apoiar as empresas também na execução de projetos.
Essa curadoria é o que diferencia uma submissão pontual de uma estratégia de captação estruturada. Ao alinhar o projeto certo ao edital certo, no momento certo da maturidade tecnológica, o Órbi ICT eleva a taxa de êxito e evita que a empresa consuma energia em chamadas para as quais ainda não está preparada.
“O Órbi ICT atua como facilitador diante das dificuldades das empresas, que muitas vezes não conhecem os mecanismos de incentivo ou não têm maturidade técnica para acessá-los”, diz a diretora. “Ajudamos a desenvolver capacidades técnicas, estratégicas e de inovação, reforçando o conceito de inovação aberta como caminho para capacitação e competitividade.”
O dinheiro existe, o que falta é preparação
Janayna avalia que o ambiente nunca foi tão favorável, mas observa que a maturidade de muitas empresas ainda não acompanha a oferta. Muitas sequer conhecem os mecanismos disponíveis, e outras esbarram em entraves técnicos ou burocráticos. O resultado é um descompasso entre oferta e demanda que se traduz em perda de oportunidades relevantes para o desenvolvimento econômico do estado. Além disso, a competitividade pelo recurso aumentou e as empresas que estiverem melhor preparadas serão contempladas.
O diagnóstico aponta para uma conclusão estratégica. O ciclo de fomento aberto em 2026, com horizonte até o fim da década, representa uma oportunidade que dificilmente se repetirá na mesma escala. Convertê-la em competitividade dependerá menos do volume de recursos disponível, que é recorde, e mais da capacidade das empresas mineiras de se prepararem para acessá-lo. É nesse intervalo entre o potencial e a execução que se decide quais negócios chegarão à fronteira da inovação e quais ficarão à margem dela.