Não é falta de roupa: é falta de identidade visual

Não é falta de roupa: é falta de identidade visual

Fernanda Leite
3 min de leitura 59

Mesmo independentes e maduras, muitas mulheres se sentem inseguras ao se vestir porque a imagem não acompanha as mudanças da vida — e isso impacta autoestima, postura e posicionamento social

Mulheres mudam. A vida muda. A rotina muda. Mas, para muitas delas, a imagem fica parada no tempo. O resultado é um sentimento recorrente e silencioso: o guarda-roupa está cheio, mas nada parece funcionar. A insegurança ao se vestir não nasce da vaidade, mas da dificuldade de se reconhecer no espelho.

Pesquisas em psicologia social mostram que a primeira impressão sobre uma pessoa se forma em poucos segundos e que aspectos visuais têm peso decisivo nessa leitura inicial. Ainda assim, falar sobre imagem pessoal segue sendo tratado como algo superficial — especialmente quando o assunto envolve mulheres. O que pouco se discute é que a imagem funciona como uma linguagem não verbal, capaz de comunicar identidade, segurança e pertencimento antes mesmo da fala.

Segundo a jornalista e consultora de imagem Juliane Nascimento, esse desalinhamento entre quem a mulher é e o que ela veste se intensifica em fases de transição. “A mulher amadurece, assume novas responsabilidades, passa pela maternidade, por mudanças profissionais e emocionais, mas continua tentando vestir versões antigas de si mesma. Isso gera desconforto, insegurança e silêncio”, explica.

O guarda-roupa como sintoma, não como causa

A sensação de “não tenho o que vestir” tornou-se quase universal. Dados de comportamento de consumo indicam que compras de moda são frequentemente motivadas por ansiedade, comparação social e desejo de pertencimento — e não por necessidade real. O armário cresce, mas a identificação diminui.

“Muitas mulheres compram tentando se sentir diferentes, mais confiantes, mais adequadas. Mas, quando a identidade não está clara, a roupa não resolve”, afirma Juliane. O resultado é um guarda-roupa fragmentado, com peças que não se conversam e não representam a mulher que existe hoje.

Esse fenômeno está diretamente ligado à forma como o feminino foi historicamente educado a se olhar: a partir da aprovação externa. A roupa passa a ser uma tentativa de aceitação, não de expressão. E, nesse processo, a mulher perde autonomia sobre a própria imagem.

Quando a imagem deixa de ser estética e vira comunicação

A consultoria de imagem contemporânea surge para romper com essa lógica. Longe de impor padrões ou seguir tendências, o trabalho parte da escuta, da história e da fase de vida de cada mulher.

“Imagem é comunicação silenciosa. Ela diz quem você é antes de você falar. Quando existe coerência entre imagem, identidade e discurso, a mulher ocupa espaço com mais segurança — no trabalho, nas relações e na vida”, diz Juliane.

No ambiente profissional, esse impacto é ainda mais evidente. Estudos sobre percepção social mostram que pessoas visualmente coerentes com seu discurso tendem a ser vistas como mais confiáveis e preparadas. Isso não tem relação com formalidade ou padrão estético, mas com consistência.

Ignorar a imagem não elimina julgamentos sociais. Apenas tira da mulher o controle consciente sobre a própria narrativa visual.

Uma discussão que ganha força agora

Em um contexto de redes sociais, comparações constantes e padrões estéticos contraditórios, cresce o número de mulheres que buscam menos regras e mais verdade. A imagem deixa de ser performance e passa a ser ferramenta de expressão e posicionamento.

“Não é sobre parecer algo para o outro. É sobre sustentar quem você já é”, resume Juliane.

Sinais comuns de desalinhamento:

     Você compra roupas, mas continua insegura ao se vestir

     Sente que nada no armário representa sua fase atual

     Usa peças apenas porque “todo mundo usa”

     Evita se arrumar ou se olhar com atenção no espelho

     Sua imagem não reflete sua maturidade pessoal ou profissional

O que a consultoria de imagem faz (na prática):

     Traduz identidade em linguagem visual

     Alinha imagem à rotina real e à fase de vida

     Reduz compras por impulso e ansiedade

     Fortalece autoestima, presença e clareza

     Devolve autonomia nas escolhas e no vestir

Importante:
 Consultoria de imagem não impõe padrões. Ela ajuda a mulher a se reconhecer, se sustentar e se posicionar com mais verdade.

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