Dra. Carolina Mantelli explica por que vitaminas, minerais e uma alimentação equilibrada são aliados importantes na prevenção e no tratamento de alterações do humor, ansiedade e depressão

“Cada vez mais entendemos que corpo e mente funcionam de forma integrada. O cérebro depende de nutrientes específicos para produzir neurotransmissores, regular hormônios e manter seu funcionamento adequado. Quando há deficiência nutricional, os impactos podem ir muito além da saúde física, refletindo diretamente no humor, na memória, na concentração e na qualidade de vida”, explica a endocrinologista Dra. Carolina Mantelli.

A relação entre alimentação e saúde mental vem sendo amplamente estudada pela ciência. Hoje, sabe-se que uma dieta equilibrada não apenas fornece energia ao organismo, mas também desempenha papel fundamental na saúde cerebral. Nutrientes como ômega-3, vitaminas do complexo B, vitamina D, ferro, zinco e magnésio participam de processos essenciais para o funcionamento dos neurônios, da comunicação entre as células cerebrais e da produção de neurotransmissores como serotonina, dopamina e noradrenalina, substâncias diretamente relacionadas ao bem-estar emocional.

Segundo a Dra. Carolina Mantelli, deficiências nutricionais podem contribuir para sintomas como fadiga persistente, dificuldade de concentração, perda de memória, irritabilidade e até favorecer o desenvolvimento ou agravamento de quadros de ansiedade e depressão. Por isso, durante a investigação clínica, é importante avaliar não apenas os sintomas, mas também possíveis carências de vitaminas e minerais que possam estar comprometendo o funcionamento do organismo.

Outro ponto importante é a relação entre alimentação, sono e equilíbrio hormonal. Dormir bem é essencial para a regulação de diversos hormônios envolvidos tanto no metabolismo quanto na saúde emocional. Alguns nutrientes exercem papel importante nesse processo. O magnésio contribui para o relaxamento do sistema nervoso, o triptofano participa da produção de serotonina e melatonina — hormônios ligados ao bem-estar e ao sono — enquanto o zinco auxilia na resposta ao estresse e no equilíbrio das funções cerebrais.

Quando a alimentação é pobre em nutrientes, esse ciclo pode ser prejudicado, favorecendo alterações no sono, aumento do estresse e maior vulnerabilidade aos transtornos emocionais. Da mesma forma, um sono inadequado também interfere na regulação hormonal, aumenta processos inflamatórios e pode comprometer o controle do apetite, criando um ciclo que impacta tanto a saúde física quanto a mental.

A endocrinologista ressalta que não existe um alimento ou suplemento capaz de resolver sozinho problemas emocionais. O benefício está na construção de um padrão alimentar saudável, rico em vegetais, frutas, proteínas de qualidade, fibras, gorduras boas e alimentos minimamente processados. Associado a hábitos como atividade física, sono adequado, manejo do estresse e acompanhamento médico quando necessário, esse conjunto de medidas contribui para reduzir processos inflamatórios, preservar a saúde cerebral e promover maior equilíbrio emocional.

“Cuidar da alimentação é também cuidar da saúde do cérebro. Uma abordagem integrativa permite identificar fatores que muitas vezes passam despercebidos e que podem estar influenciando diretamente o bem-estar emocional do paciente. A prevenção sempre será um dos pilares mais importantes para promover qualidade de vida e saúde de forma duradoura”, conclui a Dra. Carolina Mantelli.

(Foto: Divulgação)

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