Saúde
O fim do ano chegou! Ansioso Social, será que você está pronto?

Como lidar com a fobia de fim de ano?
Por *Dra. Marihá Lopes, psicóloga clínica, especialista em terapia cognitiva comportamental e Doutora em Psicologia Social
O final de ano chegou trazendo festas, amigo oculto, confraternizações no trabalho e, para muitos, aquele conhecido incômodo social que se disfarça em desculpas como “preciso verificar algo no meu celular”. Para quem enfrenta ansiedade social, esses eventos podem se transformar em verdadeiros campos minados de interações, onde cada olhar, comentário ou risada parece carregar um julgamento implícito.
O que passa na cabeça de uma pessoa ansiosa socialmente nesses momentos? Antes mesmo de chegar, pensamentos como “E se eu não tiver nada interessante para dizer?” ou “E se fizerem perguntas pessoais e eu me enrolar?” já começam a rondar sua mente. Durante o evento, o desconforto é ainda maior: há um constante monitoramento interno, com frases como “Será que estou sendo estranho?”, “Minha risada foi exagerada?”, “Acho que falei mais do que deveria” ou “Acho que ninguém quer falar comigo”. Enquanto isso, o coração acelera, as mãos suam, e a única vontade é encontrar uma saída, seja para o banheiro ou até a fuga do local, indo embora sem se despedir de ninguém.
Esse medo não é só sobre interagir; é sobre a sensação de que qualquer erro — real ou imaginado — será visto como um fracasso irreversível. É como estar num palco com holofotes apontados, mesmo quando ninguém está prestando atenção de fato. O cérebro amplifica o julgamento dos outros e diminui a própria capacidade de lidar com a situação, criando um ciclo de ansiedade difícil de quebrar.
Mas há solução. Como psicóloga especializada em transtornos de ansiedade social, há 12 anos ajudo pessoas a enfrentarem essas situações com mais leveza e confiança. Usando a Terapia Cognitivo-Comportamental e tecnologias como a realidade virtual, criamos juntos um ambiente controlado para simular desafios sociais. Isso permite que você treine sua segurança antes mesmo de pisar no mundo real, transformando cada evento em uma oportunidade, e não em um pesadelo.
Se você se identificou, saiba que é possível virar o jogo. O melhor presente de fim de ano que você pode dar a si mesmo é começar 2024 livre do peso do julgamento. Afinal, as interações sociais podem ser momentos de conexão genuína — e não de medo.
Para mais informações, acesse https://www.marihalopes.com/
Saúde
Biomanguinhos firma parceria para suprir demanda do país por insulina

O Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) firmou parceria, nesta semana, para ampliar o acesso a insulinas análogas de ação rápida e prolongada, tratamento usado por pacientes com diabetes tipo 2. A prevalência de diabetes no país é de 10,2% da população, representando cerca de 20 milhões de pessoas.
O Ministério da Saúde formalizou com a empresa de biotecnologia Biomm e a farmacêutica chinesa Gan&Lee uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) de insulina glargina, para que o produto passe a ser 100% nacional, reduzindo a dependência externa. A meta é a produção e entrega de 20 milhões de frascos do medicamento ainda em 2025.
No primeiro momento, o acordo vai garantir que os pacientes sejam atendidos com o produto embalado no Brasil, na fábrica da Biomm, em Nova Lima (MG). Em 2024, a inauguração da planta de produção de insulina dessa fábrica marcou a retomada da produção do hormônio no país por uma empresa nacional depois de duas décadas.
A partir da PDP assinada nesta semana, o Ministério da Saúde garante a transferência da tecnologia – atualmente da farmacêutica chinesa Gan&Lee – para o Brasil, por meio de Biomanguinhos, para que o produto passe a ser 100% nacional, reduzindo a dependência externa.
O Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) dessa insulina será produzido integralmente na planta da Fiocruz em Eusébio (CE), a primeira planta produtiva de insulina da América Latina.
Ao final do projeto, em até 10 anos, a produção poderá atingir 70 milhões de unidades anuais, atendendo à necessidade da população brasileira por insulina glargina.
Saúde
O Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola, celebrado em 7 de abril

O Brasil enfrenta desafios significativos relacionados à violência na escola. De acordo com o Estudo Internacional de Tendências em Matemática e Ciências (Timss), divulgado em dezembro de 2024, 24% dos alunos do 4º ano e 23% dos alunos do 8º ano relataram sofrer bullying.
O Timss é uma avaliação internacional que mede o desempenho de estudantes em matemática e ciências em diversos países, e os resultados mostram que, no Brasil, alunos vítimas de bullying escolar tiveram médias mais baixas: 368 pontos em matemática e 387 em ciências para o 4º ano, e 346 em matemática e 384 em ciências para o 8º ano. Já os estudantes que não relataram sofrer bullying alcançaram médias superiores.
Além disso, uma pesquisa do Datafolha realizada em novembro de 2024 revelou que 76% dos pais e mães brasileiros temem que seus filhos sofram bullying na escola, com a preocupação sendo maior entre mães e famílias negras.
“Os danos do bullying não se limitam ao presente”, afirma a pediatra Flávia de Freitas Ribeiro, especialista em psiquiatria infantil. “Essas alterações no cérebro podem resultar em dificuldades emocionais e de socialização ao longo de toda a vida, reforçando a importância de uma intervenção precoce.”
Ao perceber que uma criança está sofrendo bullying, muitos pais podem se sentir impotentes ou não saber como agir de forma efetiva. De acordo com a Dra. Flávia, o primeiro passo é criar um ambiente seguro e aberto em casa, onde a criança sinta que pode compartilhar suas experiências sem medo de represálias ou julgamentos.
“A escuta ativa é fundamental. Muitas crianças podem não falar abertamente sobre o bullying por vergonha ou medo de piorar a situação. Por isso, os pais precisam ficar atentos a sinais indiretos”, orienta a pediatra.
Segundo a psicóloga clínica e escolar da Legacy School, Camila da Silva Conceição, para combater o bullying nas escolas é preciso promover o respeito e empatia: “Ensine as crianças a respeitarem as diferenças e a se colocarem no lugar dos outros. A empatia é uma ferramenta poderosa contra o bullying. Incentive os alunos a falarem sobre suas experiências e sentimentos. Uma linha de comunicação aberta entre pais, alunos e professores é essencial para identificar e resolver problemas de bullying. Realize palestras e workshops para educar a comunidade escolar sobre o que é bullying, suas consequências e como agir. Professores e funcionários devem estar atentos aos sinais de bullying durante as atividades escolares e nos intervalos. Estabeleça uma política clara contra o bullying, com consequências definidas e consistentes para os infratores.
Saúde
Filme e projeto educacional alertam para racismo no atendimento médico

Diagnóstico tardio, erros médicos, dificuldade de acesso a exames. Com o objetivo de chamar atenção para experiências deste tipo vividas por pessoas negras na assistência médica, o curta-metragem Corpo Negro foi lançado na terça-feira (1º) com uma exibição seguida de uma mesa redonda no Cinema Estação do Shopping da Gávea, na zona sul do Rio de Janeiro. Disponível para acesso online, ele leva para a tela a jornada de um homem enfrentando a indiferença de profissionais que lhe atendem.
O filme, que propõe uma reflexão sobre o racismo, foi dirigido por Nany Oliveira e produzido como parte do projeto Mediversidade, de iniciativa dos braços sociais de dois grupos empresariais do setor educacional. Lançado pelo Instituto de Educação Média (Idomed) e pelo Instituto Yduqs, ele reúne compromissos para um ensino mais diverso. Há a promessa de adoção de uma série de medidas em estabelecimentos vinculados aos dois grupos como Estácio, Ibmec, Damásio, Faculdade de Medicina de Açailância (Fameac) e Faculdade Pan Amazônica (Fapan).
Diferentes estudos já conduziram a resultados que sugerem uma desigualdade preocupante no atendimento médico. Em 2018, uma pesquisa desenvolvida na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) calculou que mulheres pretas e pardas tinham duas vezes mais chances de receber um diagnóstico tardio de câncer de mama em comparação com mulheres brancas. Os resultados foram publicados na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia.
>>> Câncer de mama: 2 em cada 10 mulheres negras se sentem discriminadas
Um outro estudo publicado em 2023 indicou que pacientes negros têm mais chances de serem hospitalizadas em decorrência de erro médico em praticamente todas as regiões do país. A única exceção foi o Sul. Os resultados foram apresentados em um boletim produzido pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps) e pelo Instituto Çarê. A análise das causas de 66.496 internações ocorridas entre 2010 e 2021 indicou, por exemplo, que a probabilidade de um evento deste tipo envolvendo pessoas negras é 65,2% maior no Sudeste e 585,3% maior no Nordeste.
Também em 2023, uma pesquisa elaborada pelo Ministério da Saúde e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revelaram que a mortalidade materna entre mulheres negras é mais que o dobro em comparação a de mulheres brancas. A conclusão foi obtida após análise dos óbitos registrados no ano anterior e foram considerados todos os casos que ocorreram em até 42 dias após o fim da gestação e que estavam relacionados a causas ligadas à gestação, ao parto e ao puerpério.
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Nos Estados Unidos, há estudos apontando na mesma direção. Há dois anos, o Centro Médico de Boston estimou que, em média, pacientes negros receberam o diagnóstico associado ao Alzheimer aos 72,5 anos. A média para os brancos foi de 67,8 anos. Além disso, as taxas de realização de ressonância magnética para confirmar a doença era muito inferior entre pessoas negras. Os pesquisadores concluíram que os dados sugerem um atraso na detecção do declínio cognitivo em pacientes negros, bem como a falta de encaminhamento adequado para exames diagnósticos.
O filme Corpo Negro traz, em letreiros, outros dados que indicam, por exemplo, que as consultas realizadas com pessoas brancas são mais demoradas. O curta-metragem destaca ainda que, apesar da invisibilidade dos pacientes negros, os seus corpos são os mais doados para estudos nos cursos de Medicina.
Outro dado que o filme chama atenção é para a baixa quantidade de profissionais pretos. De acordo com dados do Censo 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 75,5% dos graduados em Medicina se declararam brancos e 19% pardos. Apenas 2,8% eram pretos.
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A proposta do Mediversidade, segundo o Idomed e o Instituto Yduqs, é oferecer respostas para esse cenário. Entre as medidas elencadas, está a realização de cursos gratuito de letramento étnico-racial para docentes, discentes e profissionais já formados; ampliação para 35% no número de vagas afirmativas no processo de contratação de professores; a revisão da matriz curricular da graduação para tornar o curso mais inclusivo; a priorização de projetos de pesquisa científica com foco em diversidade; a concessão de bolsas integrais para estudantes pretos e pardos; e a adoção de manequins negros nas aulas e simulados.