Maior conectividade e mudança no paradigma de consumo têm ampliado a oferta de carros compartilhados e outras formas de se mover pelas cidades
Em um mundo cada vez mais conectado e globalizado, nem mesmo as formas de consumir passaram ilesas das transformações. O comportamento frente ao uso do carro, por exemplo, sofreu uma grande modificação. Movido pela regra do acesso e do compartilhamento, tal como os serviços de streaming, hoje o carro próprio não é mais item de primeira necessidade.
O futuro da mobilidade e as transformações na rotina urbana
Em países da Europa, o carsharing já é algo consolidado há anos. No modelo, carros ficam espalhados pelas cidades e qualquer pessoa pode alugar o veículo e utilizá-lo por alguns minutos, ou até mesmo horas ou dias. Depois, basta deixá-lo em um local designado pelo mesmo aplicativo utilizado para fazer o aluguel.
Estima-se que cada carro alugado seja capaz de substituir até algumas dezenas de carros rodando pelas ruas. Ou seja, significa menos trânsito e menos poluição, algo extremamente válido principalmente para as grandes cidades. Em suma, o carsharing garante o acesso ao veículo por meio do compartilhamento — e obviamente, não a posse.
Da propriedade tradicional aos novos modelos de mobilidade
O serviço ainda “engatinha” no Brasil, e já pode ser visto em São Paulo. Por aqui, alguns outros serviços de compartilhamento de carros fazem muito sucesso, porém. É o caso das corridas por aplicativo. Trata-se de um tipo de compartilhamento P2P (peer-to-peer, ou seja, de pessoa para pessoa), onde motoristas parceiros da plataforma realizam viagens por meio de um pagamento.
Dentre os principais motivos que levam os brasileiros a utilizar um carro por aplicativo estão a alta conectividade, que permite encontrar vários motoristas parceiros a qualquer momento, principalmente nos grandes centros; a preferência em comparação ao uso do transporte público, geralmente ineficiente, e o alto custo que envolve a aquisição do carro próprio.
Ampliação e facilitação do acesso
Outra alternativa que tem crescido, e que envolve menos o compartilhamento e mais o acesso, é o carro de aluguel ou carro por assinatura. Frotas amplas e cada vez mais eletrificadas levam praticidade aos motoristas que não pensam em adquirir o carro próprio, seja pelo preço ou por preferir ter mais opções ou mesmo fugir da depreciação, por exemplo.
De acordo com a ABLA, a Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis, o modelo cresceu 125% em alguns anos, movido justamente pela conveniência e pela transformação digital e comportamental que os consumidores têm experimentado nos últimos tempos.
Mediante uma mensalidade fixa, o motorista tem acesso a um carro 0km com cobertura de seguro, manutenção, IPVA e todas as demais burocracias pagas. Além da comodidade, o modelo ainda garante uma maior previsibilidade financeira e, consequentemente, um melhor planejamento.
As previsões são de que cada vez mais os carros serão compartilhados e que, num futuro breve, dominarão ao menos os grandes centros urbanos. O avanço da conectividade e das novas invenções em termos tecnológicos serão o motor por trás dessa transformação comportamental e de consumo, visando uma melhor utilização dos recursos.