Após três Olimpíadas até conquistar a medalha, ex-nadador olímpico destaca como o preparo mental se tornou decisivo dentro e fora das competições
A pressão por resultados faz parte da vida moderna. Prazos apertados, expectativas profissionais e cobranças pessoais colocam cada vez mais pessoas diante de desafios emocionais semelhantes aos vividos por atletas de alto rendimento. No esporte, porém, essa pressão acontece em escala máxima — diante do mundo inteiro e, muitas vezes, em poucos segundos decisivos.
Para o ex-nadador olímpico Thiago Pereira, a principal transformação da carreira não aconteceu dentro da piscina, mas na forma de lidar com a própria mente. “Eu demorei três Olimpíadas para conquistar minha medalha. Fui quinto em 2004, quarto em 2008 e só nos Jogos Olímpicos de Londres 2012 veio a prata. E gosto de contar essa história porque a grande virada não foi física, foi mental.”
A trajetória até o pódio revelou uma realidade ainda pouco discutida no esporte anos atrás: a importância do acompanhamento psicológico. “Nas duas primeiras Olimpíadas eu não tinha acompanhamento psicológico. Na época, muitos atletas achavam que terapia era frescura — e eu também pensava assim”, relembra.
O ponto de mudança veio em 2011, quando o atleta enfrentou um momento decisivo na carreira. “Cheguei a cogitar parar de nadar. Foi quando meu médico sugeriu tentar algo diferente: iniciar um trabalho com psicólogo, terapeuta e treinamento mental. Ali entendi o quanto a mente influencia não só o desempenho esportivo, mas a vida como um todo.”
No alto rendimento, onde um centésimo de segundo pode definir anos de preparação, o controle emocional torna-se tão importante quanto o preparo físico. A experiência olímpica ensinou que lidar com ansiedade, frustração e expectativa é parte fundamental do processo de evolução — dentro e fora do esporte.
“Nos Jogos Olímpicos, a pressão é extrema — se você erra, precisa esperar quatro anos para tentar novamente. Essa experiência me ensinou que aprender a lidar com ansiedade, frustração e expectativa não é uma habilidade exclusiva do atleta. É algo essencial para qualquer pessoa que precisa tomar decisões e seguir em frente mesmo sob pressão”, afirma.
A crescente atenção à saúde mental reforça um aprendizado que o esporte vem demonstrando há décadas: desempenho sustentável depende de equilíbrio emocional. Assim como atletas treinam o corpo diariamente, cuidar da mente também se torna uma prática indispensável para enfrentar desafios, manter foco e construir resultados consistentes ao longo do tempo.