O poder das pequenas guardiãs: como as abelhas estão salvando elefantes e transformando vidas na África

O poder das pequenas guardiãs: como as abelhas estão salvando elefantes e transformando vidas na África

Redação ImprensaBR
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Divulgação

Iniciativa
apoiada pela EPI-USE Brasil utiliza a apicultura para pacificar conflitos entre
humanos e animais, proteger árvores milenares e gerar renda para comunidades
vulneráveis

Cerca de 75% das culturas agrícolas
que alimentam o mundo dependem, em alguma medida, da polinização feita por
abelhas. Em algumas regiões da África, no entanto, esses pequenos insetos têm
assumido um papel ainda mais estratégico: ajudam a evitar conflitos entre
humanos e elefantes, um dos maiores desafios atuais para a preservação da
biodiversidade no continente.

Quando manadas invadem plantações em
busca de alimento, o impacto é devastador. Em poucos minutos, famílias inteiras
podem perder sua única fonte de renda. O resultado costuma ser um ciclo de
prejuízo econômico, insegurança alimentar e represálias contra os animais,
colocando em risco tanto a vida selvagem quanto as comunidades locais.

É nesse contexto que nasce o projeto
ERP Honey, iniciativa de investimento de impacto apoiada pela EPI-USE Brasil. A
proposta é simples, mas poderosa: usar colmeias como barreiras naturais para
proteger plantações e árvores ameaçadas, ao mesmo tempo em que gera renda por
meio da produção de mel.

O método é comprovado em campo.
Elefantes evitam áreas onde há colmeias ativas. Ao instalar as chamadas cercas
de colmeias em pontos estratégicos, a equipe consegue reduzir
significativamente a invasão de lavouras e o risco de árvores serem arrancadas.
Em vez de cercas elétricas ou barreiras físicas agressivas, a solução se apoia
no equilíbrio do próprio ecossistema.

O projeto mais recente está em
operação na Reserva de Caça ERP Melorane, área adjacente à quinta maior região
de conservação da África do Sul, onde a organização detém direitos de longo
prazo sobre terras comunitárias e mantém um santuário de rinocerontes. Em
breve, a região também abrigará elefantes, o que torna urgente a adoção de
medidas preventivas para proteger árvores ambiental e culturalmente relevantes.

A equipe de campo da ERP está
atualmente realizando um levantamento de espécies de árvores grandes e
ameaçadas de extinção para identificar candidatas à proteção por abelhas. A
estratégia é direta: instalar colmeias entre os galhos dessas árvores,
transformando-as em áreas naturalmente evitadas pelos elefantes. Uma dessas
árvores, conhecida como árvore de chumbo, foi recentemente selecionada. Uma
colmeia foi instalada a cerca de dois metros do solo e já está ocupada por
abelhas africanas. Embora ainda enfrente outras ameaças, o risco de ser
derrubada diminuiu drasticamente.

Hoje, o projeto de apicultura
Melorane já conta com 11 apicultores da comunidade vizinha e 330 colmeias
instaladas. Em Madikwe, outra frente da iniciativa, 14 novos apicultores, todos
anteriormente desempregados, foram treinados e já instalaram 180 das 200
colmeias previstas. Para muitos deles, o mel representa a primeira oportunidade
concreta de geração de renda estável.

Além da mentoria técnica e do
suporte à produção, o projeto garante mercado para o mel produzido,
fortalecendo a sustentabilidade econômica das comunidades envolvidas. O aumento
da população de abelhas também traz ganhos ambientais expressivos, ampliando a
polinização, contribuindo para a regeneração vegetal e fortalecendo a segurança
alimentar.

Em Madikwe, está em planejamento a
criação de uma floresta alimentar próxima às colmeias, com dupla função:
oferecer alimento para as abelhas e cultivar hortaliças e vegetais destinados a
um banco de alimentos que atende idosos e pessoas em situação de
vulnerabilidade.

Para Roberto Medeiros, CEO da ERP
Brasil, a iniciativa traduz na prática o compromisso com uma agenda ESG
consistente e de longo prazo. “Quando falamos em sustentabilidade, estamos
falando de pessoas, de biodiversidade e de futuro. O projeto mostra que é
possível gerar renda, proteger espécies ameaçadas e reduzir conflitos
ambientais ao mesmo tempo. Não se trata apenas de mitigar impactos, mas de
criar soluções que transformam realidades locais”, afirma.

O modelo segue uma lógica híbrida de
negócios, na qual parte da receita é destinada a iniciativas sem fins
lucrativos, ampliando o alcance social do projeto e reforçando a integração
entre estratégia empresarial e responsabilidade socioambiental.

Em um momento em que empresas são
cada vez mais cobradas por compromissos concretos em ESG, iniciativas como a
ERP Honey mostram que impacto ambiental positivo e desenvolvimento econômico
podem caminhar juntos. Mais do que proteger plantações ou produzir mel, o
projeto revela uma mudança de perspectiva: soluções sustentáveis muitas vezes
estão na própria natureza, basta aprender a trabalhar com ela e não contra ela.

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