Outubro coloca Reforma Tributária no cotidiano das pequenas empresas
Acervo | Meu Contador Online

O calendário vira a página de setembro e, para os pequenos negócios, a Reforma Tributária deixa de ser apenas uma discussão sobre escolhas de regime. Outubro começa com uma sequência de tarefas práticas: testar a emissão de notas, refazer contas, analisar contratos e preparar o caixa para as mudanças de 2027.

O encerramento do prazo de setembro não encerra a preparação. Empresas que já estavam no Simples Nacional e não optaram pelo recolhimento de IBS e CBS pelo regime regular continuarão submetidas à sistemática do Simples no primeiro semestre de 2027. Para quem escolheu o modelo híbrido, a desistência poderá ser feita até 30 de novembro. Em março de 2027, uma nova opção pelo recolhimento regular estará disponível, com efeitos no segundo semestre.

Anderson Diogenes Pavanello, CEO do Meu Contador Online, chama atenção justamente para o intervalo entre agora e a entrada em vigor das novas regras.

“O maior erro é acreditar que a Reforma Tributária começa em janeiro de 2027. Janeiro é apenas uma data no calendário. Para a empresa que chegar despreparada, os problemas terão começado muito antes.”

A recomendação é aproveitar os três últimos meses de 2026 para transformar as mudanças previstas em procedimentos concretos.

Uma nota que não sai pode revelar um problema maior

Antes mesmo de janeiro, a emissão de documentos fiscais colocará as empresas diante de uma mudança prática. Em 1º de novembro de 2026, microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples que prestam serviços sujeitos à NFS-e deverão utilizar o padrão nacional por meio do Emissor Nacional.

A emissão poderá ser feita pela aplicação web ou por integração via API.

O Portal da NFS-e divulgou uma atualização no domingo (28) informando que, a partir de novembro, os optantes pelo Simples estarão habilitados a utilizar os emissores nacionais independentemente da opção adotada pelo município.

O período de outubro, portanto, deve ser usado para revisar cadastros, conferir integrações e colocar os sistemas em funcionamento por meio de testes.

“Às vezes, uma enorme mudança tributária se apresenta ao empresário de uma maneira muito pequena: uma nota fiscal que simplesmente não sai.”

O problema pode atingir diretamente o faturamento se a empresa não conseguir emitir seus documentos.

“Não espere novembro para descobrir se novembro funciona. Teste em outubro.”

As contas de 2027 precisam ser antecipadas

Outro movimento começa na área financeira. As projeções para o próximo ano precisam considerar não somente os impostos, mas também créditos, fornecedores, perfil dos clientes, preços, margens, prazos de recebimento e capital de giro.

Para quem escolheu o recolhimento regular de IBS e CBS em setembro, a necessidade de avaliar os números é acompanhada da possibilidade de rever a decisão até 30 de novembro.

A recomendação de Pavanello é colocar diferentes cenários no papel e observar os reflexos de cada um na operação.

“A pergunta deixa de ser apenas ‘quanto imposto vou pagar?’ e passa a ser ‘quanto dinheiro vai sobrar na minha empresa depois que tudo acontecer?’”

O que está assinado também precisa ser revisado

As mudanças tributárias poderão afetar a realidade de contratos assinados em 2026 que permanecerão ativos durante a implantação das novas regras. Valores, margens, cláusulas e condições comerciais entram, portanto, na lista de itens a serem examinados.

“O papel não sabe que houve uma Reforma Tributária. O empresário precisa saber.”

A avaliação deve incluir especialmente os contratos de médio e longo prazo e as negociações de preços previstas para 2027. A questão é verificar se os compromissos assumidos continuarão sustentáveis diante da situação tributária e financeira que a empresa terá no próximo ano.

Do calendário para a operação

Novembro será o primeiro teste visível dessa preparação, com a obrigatoriedade do uso da NFS-e nacional. Pouco depois, em 1º de janeiro de 2027, começam a produzir efeitos as regras de IBS e CBS para os optantes pelo Simples.

O Meu Contador Online vem acompanhando a transição e orientando sua carteira de aproximadamente 4,7 mil empresas ativas. Desse universo, 3.943 empresas estão no Simples Nacional.

Para Pavanello, a preparação feita entre outubro e dezembro será determinante para a forma como os empresários enfrentarão a nova realidade.

“30 de setembro fecha uma porta, mas não fecha a Reforma. Outubro abre outra: a porta da vida real da empresa.”

“A Reforma vai chegar para todos. A diferença é que alguns empresários vão encontrá-la depois de três meses de testes, contas e negociações; outros vão conhecê-la quando ela já estiver batendo no caixa.”

A orientação para os próximos meses é resumida por ele em uma frase: “Não espere 2027 para começar a viver 2027.”

Sobre o Meu Contador Online

O Meu Contador Online tem sua origem na tradição contábil iniciada em 1966, em Santo André (SP), e reúne experiência, tecnologia e atendimento humano. Atualmente, possui cerca de 4,7 mil clientes ativos espalhados por 558 municípios de todos os estados brasileiros e do Distrito Federal.

A empresa conta com aproximadamente 80 profissionais e atende principalmente micro e pequenas empresas. Os optantes do Simples Nacional representam 84,4% da carteira.

Com forte presença entre prestadores de serviços, a companhia disponibiliza soluções para abertura de empresas, troca de contabilidade, migração de MEI para ME e execução de rotinas contábeis, fiscais e trabalhistas.

A tecnologia é utilizada para simplificar processos, enquanto o atendimento mantém o contato direto entre os empresários e os profissionais responsáveis por suas empresas.

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