Microempresas e empresas de pequeno porte entram na última semana para decisões tributárias que poderão afetar custos, preços, investimentos e fluxo de caixa em 2027. O prazo termina na quarta-feira (30) e envolve tanto negócios que pretendem ingressar no Simples Nacional quanto empresas que precisam definir a forma de recolhimento da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).
Pela primeira vez, a opção para ingresso no Simples Nacional foi antecipada para setembro do ano anterior. Empresas que já fazem parte do regime não precisam realizar nova opção para permanecer nele, salvo situações específicas. Já aquelas atualmente fora do Simples que pretendem ingressar em 2027 precisam realizar a solicitação até o fim do mês.
Para Anderson Diogenes Pavanello, CEO do Meu Contador Online, a mudança exige que as questões tributárias sejam consideradas junto às demais decisões financeiras da empresa.
“O pequeno empresário normalmente conhece muito bem o próprio negócio, mas não necessariamente precisa conhecer profundamente contabilidade, tributação e legislação. O papel do contador é fazer essa tradução e permitir que ele tome decisões com segurança. E acredito que a Reforma Tributária vai ampliar muito essa necessidade.”
Outra decisão envolve empresas optantes pelo Simples Nacional. Elas poderão manter IBS e CBS dentro do regime simplificado ou optar pela apuração regular dos dois tributos, fora do DAS. Para que a escolha produza efeitos no primeiro semestre de 2027, a manifestação precisa ocorrer até 30 de setembro.
A comparação não deve ficar restrita às alíquotas. Faturamento, despesas que podem gerar créditos, participação da folha nos custos, perfil dos clientes, vendas para outras empresas, preços, margem e disponibilidade de caixa podem alterar o resultado de cada cenário.
“A melhor preparação é transformar a reforma em decisões concretas de preço, contratação, investimento e reserva de caixa”, afirma Anderson Diogenes Pavanello.
O peso dessas decisões pode ser observado em diferentes setores da economia. No esporte, por exemplo, estudo do PIB do Esporte Brasileiro, realizado pela EY para o Instituto Sou do Esporte, aponta que a cadeia movimentou R$ 183,4 bilhões em 2023, o equivalente a 1,69% do PIB brasileiro, e respondeu por 3,3 milhões de empregos formais diretos. O levantamento reúne atividades que vão do comércio e indústria a serviços, eventos, academias, mídia e publicidade.
A folha de pagamento ganha importância nesse cenário. Em empresas de serviços, a decisão sobre contratação envolve não apenas o custo financeiro, mas também a participação dos profissionais na entrega e na manutenção dos clientes. No mercado esportivo, essa relação aparece de maneira direta em academias, clubes e outros negócios nos quais o atendimento faz parte do serviço.
“Quando falamos de academias e clubes esportivos, é muito fácil olhar para estrutura, equipamentos e serviços como os principais fatores de experiência. Mas existe algo antes disso: quem entrega essa experiência são as pessoas. Um colaborador que se sente valorizado, preparado e conectado à cultura da organização tende a atender melhor, criar vínculos e cuidar mais de quem está do outro lado. No fim, investir na experiência do colaborador não é apenas uma questão de gestão de pessoas. É uma decisão que impacta a experiência do cliente, a retenção e a performance do negócio”, afirma Gabriel Polisandro Sowmy, porta-voz da NPW.
Com a aproximação do prazo, a análise passa pela realidade de cada negócio. Empresas com maior volume de operações B2B e despesas capazes de gerar créditos podem apresentar uma situação diferente da encontrada em negócios de serviços voltados predominantemente ao consumidor final.
“Crédito tributário pode reduzir imposto, mas não deve ser confundido com dinheiro imediatamente disponível para pagar a folha”, explica Anderson Diogenes Pavanello.
Para setores intensivos em serviços e mão de obra, como parte da cadeia esportiva, a discussão tributária chega justamente ao período de elaboração dos orçamentos de 2027. A combinação entre impostos, folha, investimentos e caixa passa a fazer parte das projeções para o próximo exercício.