Siga-nos nas Redes Sociais

Outras

Relatório aponta violação de direitos em comunidades terapêuticas

Publicado

em

© MNPCT/Divulgação

Relatório que reúne resultados de fiscalizações em comunidades terapêuticas (CTs) do país aponta a existência de violação sistemática de direitos nesses locais. O documento, elaborado pelo Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT) junto ao grupo Psicologia e Ladinidades da Universidade de Brasília (UnB), foi divulgado nesta quinta-feira (27).

“É importante dizer que, nas 205 comunidades terapêuticas, que são objeto desses trabalhos analisados, em 100% [das unidades], os órgãos que fizeram as fiscalizações encontraram violações de direitos. Não tem exceção, não é caso isolado, é algo que se expande para todos”, afirmou a advogada Carolina Barreto Lemos, perita membro do MNPCT, em entrevista à Agência Brasil.

São situações de agressões físicas, ameaça com armas de fogo, privação de liberdade, castigos e trabalho forçado dentro dessas instituições.

O relatório faz sistematização e análise de fiscalizações já realizadas em comunidades terapêuticas por órgãos públicos, seja da administração direta ou indireta, incluindo conselhos federais de categorias como Psicologia e Serviço Social. “A ideia é ter um olhar panorâmico sobre o que o próprio Estado tem produzido a partir do seu trabalho de fiscalização desses locais”, explicou a advogada.

Foram analisados 20 documentos, contemplando 205 comunidades terapêuticas espalhadas pelo país, ao longo dos últimos anos. “O primeiro trabalho que a gente encontrou é de 2011, que é do CFP [Conselho Federal de Psicologia], mas não foi um recorte temporal que a gente deu. Foi porque antes disso a gente não encontra, efetivamente, nada produzido”, pontuou.

Coordenador do grupo Psicologia e Ladinidades da UnB, o psicólogo Pedro Costa reiterou a conclusão do relatório de que violências, violações de direitos e irregularidades não são exceção, nem desvios, no contexto das comunidades terapêuticas, mas sim elementos constitutivos desse tipo de instituição.

“A partir desse relatório, a gente constata que há algo de violento no caráter asilar e manicomial das comunidades terapêuticas a despeito do que elas dizem de si próprias, e a despeito do que, inclusive, se encontra nas normativas como a Lei 13.840 [que trata do Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas] que colocam que as CTs são [locais] de acolhimento apenas”, disse Costa, que é professor no Departamento de Psicologia Clínica da UnB, à reportagem.

Há uma contradição que atravessa todo o relatório, destacou o professor: “Os órgãos estatais estão apontando que as comunidades terapêuticas são instituições de violência, só que por outro lado o Estado brasileiro tem financiado cada vez mais essas instituições de violência.”

Violações identificadas

“Esse relatório reitera e corrobora o que tem sido tratado na literatura [em estudos científicos] sobre as comunidades terapêuticas, [classificando-as] como uma síntese, uma amálgama, de manicômios, prisões, igrejas e senzalas, sobretudo por conta da chamada laborterapia”, concluiu Pedro Costa.

Além do caráter manicomial, o psicólogo mencionou a incidência nas CTs, de forma generalizada, da influência religiosa e da chamada laborterapia, que, segundo ele, tem sido utilizada para ocultar trabalho forçado, não pago e até mesmo análogo à escravidão. “Foi encontrada também a questão da religião como um dos pilares constitutivos [das CTs]. Não só a presença da religião, mas da violência religiosa nessas instituições”, disse.

Os documentos evidenciam essa ocorrência do trabalho forçado das pessoas que contratam os serviços das comunidades terapêuticas. “Isso foi um demarcador realmente de todas as fiscalizações, de ter o trabalho como uma condição para estar lá. Não é um trabalho terapêutico, mas um trabalho de manutenção da instituição”, relatou a perita Carolina. Segundo ela, grande parte das unidades utiliza a mão de obra dos próprios internos de maneira não remunerada e forçada.

Ela citou uma das fiscalizações em que esteve presente, em 2023, em uma unidade localizada em uma fazenda.

“Os internos mantinham essa fazenda, faziam ordenha de vaca, cuidavam do porco, acordavam de madrugada, eram trabalhos extremamente extenuantes, saíam para pegar a lenha. Quem trabalhava na cozinha geralmente tinha uma carga extremamente pesada de trabalho, que chegava a 12 horas por dia. Isso é uma constante das CTs”, condenou a perita.

A privação de liberdade é outra das violações apontadas, que acontece em diferentes níveis, conforme apontou o relatório, inclusive sem a necessidade de grades. “Uma característica comum percebida foi o distanciamento das comunidades terapêuticas dos centros urbanos. Isso por si só pode gerar uma situação de privação de liberdade. O público geralmente é vulnerável, então não consegue sair com meios próprios”, disse Carolina.

Há situações mais explícitas de privação da liberdade, em que as pessoas são vigiadas e proibidas de sair do local. “Às vezes, os próprios internos são usados como vigias e fazem [o que chamam de] recaptura. Então, se a pessoa tentar sair, eles vão atrás e trazem de volta. O resgate [busca da pessoa em casa, à força] é uma prática que a gente viu em várias, que é efetivamente uma forma de sequestro, às vezes até com aval da família”, contou.

Em outros casos, as pessoas ou famílias desistem da permanência na instituição, ainda que o contrato seja por um período maior. “Muitas vezes, o que as CTs fazem é um jogo de chantagem, de dizer ‘se você for embora, vai ter que pagar uma multa sobre o valor do contrato’, utilizando essa artimanha de impor multas abusivas”, relatou a perita.

Retrocesso

O professor Pedro Costa avalia que o financiamento público das comunidades terapêuticas representa um retrocesso em relação à reforma psiquiátrica do país e da política de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS).

“Quando há uma destinação de verbas públicas para as comunidades terapêuticas, que, além de tudo são instituições privadas, a gente tem necessariamente uma transferência do fundo público que deveria ser destinado aos serviços que [funcionam] de maneira não asilar, não manicomial, por meio da não violência.”

Ele acrescenta que, ao financiar as CTs, há uma deslegitimação e um enfraquecimento das próprias políticas que o Estado brasileiro preconiza, por meio do SUS e do Sistema Único de Assistência Social (Suas), e que são aplicadas pelos centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e pela Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).

“No âmbito da saúde mental, álcool e outras drogas, as comunidades terapêuticas [tem sido] o carro-chefe daquilo que a gente tem chamado de contrarreforma psiquiátrica. Um grande ataque à reforma psiquiátrica brasileira, até porque esse modelo vai na contramão daquilo que o SUS e a reforma psiquiátrica brasileira defendem”, disse.

Entre as consequências para as pessoas atendidas nesses locais, estão a aceitação e a naturalização da violência com uma roupagem de tratamento. Além disso, essas instituições se baseiam na abstinência como único horizonte possível, necessário e desejável, o que, segundo Costa, vai na contramão da redução de danos como paradigma. Ele aponta que essa conduta “aprofunda o moralismo e o reacionarismo na temática do álcool e outras drogas, que historicamente já é bastante conservadora”.

Transparência e regulação

A perita Carolina Lemos apontou ainda a falta de transparência para encontrar e acompanhar o trabalho das comunidades terapêuticas em funcionamento atualmente no Brasil, até mesmo daquelas que recebem dinheiro público.

Levantamento conduzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), publicado em 2017, encontrou um total de 1.963 comunidades terapêuticas no país.

“Como é algo da iniciativa privada, é muito difícil ter um mapeamento de CTs no Brasil, porque não tem essas informações disponíveis. Pelo menos as financiadas pelo próprio Estado deveriam ser de fácil acesso, em termos de uma transparência: ‘olha, a gente financia ou faz repasse de recursos para tais instituições’”, disse.

Há poucas normativas que regulamentam as comunidades terapêuticas e aquelas existentes são ruins, observou a perita, sendo a principal delas a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 29 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “É uma RDC que tem pouquíssimas exigências para o funcionamento de uma CT. Por exemplo, em termos de pessoal, a única exigência é um responsável técnico com ensino superior ou um substituto”, avaliou.

“Não há nenhuma outra previsão de, por exemplo, uma equipe multiprofissional. Da nossa perspectiva, é uma normativa extremamente solta, que não coloca exigências um pouco mais criteriosas”, acrescentou.

Já a Lei 13.840 de 2019, que altera a lei de drogas, tem um capítulo dedicado às CTs. Essa legislação coloca algumas exigências, como a necessidade de haver um plano individual de atendimento, o impedimento de as comunidades terapêuticas fazerem internação e a liberação para realizarem apenas o acolhimento das pessoas.

Outro problema identificado na análise é que a Anvisa não considera as comunidades terapêuticas como estabelecimento de assistência à saúde, no entanto, há descumprimento dessa premissa.

“O que a gente vê, a partir desse mapeamento e da análise, é que é uma constante nas CTs o funcionamento como se fosse um serviço de [assistência à] saúde, dando medicação controlada e fazendo procedimentos que seriam da saúde.”

A Agência Brasil solicitou posicionamento sobre as conclusões do relatório ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, mas não obteve resposta até a conclusão da reportagem. O espaço permanece aberto para inclusão do posicionamento da pasta.

Fonte

A ImprensaBr é um portal de notícias que fornece cobertura completa dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo.

Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Outras

Novo Ano, Nova Gestão? Entenda o Processo de Eleição e Renovação do Síndico

Publicado

em

O início de um novo ano é o momento ideal para condomínios revisarem suas gestões e, se necessário, promoverem a renovação do mandato do síndico. Esse processo, no entanto, exige atenção especial às regras da Convenção Condominial, às leis vigentes e aos prazos estabelecidos.  
De acordo com a Dra. Juliana Teles, advogada especialista em Direito Condominial e sócia do escritório Faustino e Teles, a renovação de mandato do síndico deve ser conduzida com transparência e organização, garantindo que todos os moradores estejam devidamente informados sobre os procedimentos.  
> “A eleição do síndico é um momento crucial para o condomínio. É essencial que o processo seja feito de maneira democrática e dentro dos prazos estabelecidos pela Convenção Condominial e pelo Código Civil. A falta de organização nesse momento pode resultar em gestões ilegítimas e até mesmo em ações judiciais”, alerta a advogada.  
Regras para Eleição e Renovação de Mandato  
A Lei nº 10.406/2002 (Código Civil), em seu artigo 1.347, estabelece que o síndico é eleito pela assembleia dos condôminos, com prazo máximo de dois anos de gestão, podendo ser renovado indefinidamente, desde que aprovado em assembleia. Contudo, muitas Convenções Condominiais limitam a reeleição contínua a um certo número de mandatos, visando evitar gestões perpetuadas e incentivar a renovação administrativa.  
> “A Convenção Condominial é soberana na determinação dos prazos e procedimentos para eleição e renovação de síndicos. No entanto, qualquer irregularidade nesse processo pode ser contestada judicialmente, especialmente quando não há comunicação adequada aos condôminos”, explica Dra. Juliana Teles.  
Como Funciona o Processo de Eleição e Renovação  
1. Convocação da Assembleia: Deve ser feita pelo síndico atual ou, na sua ausência ou impedimento, pelo subsíndico ou por um grupo de condôminos que represente pelo menos 1/4 das frações ideais. O edital de convocação precisa especificar a pauta, o local, data e horário da reunião.  
2. Quórum Necessário: A eleição do síndico deve respeitar o quórum previsto na Convenção Condominial. Geralmente, é exigida a maioria simples dos presentes, mas pode variar conforme o regulamento interno.  
3. Candidatura: Qualquer condômino em dia com suas obrigações financeiras pode se candidatar, salvo disposições contrárias previstas na Convenção. É recomendável que o candidato apresente um plano de gestão, destacando propostas para melhorias e soluções para problemas recorrentes.  
4. Votação e Apuração: A votação deve ser transparente e registrada em ata. Caso haja mais de um candidato, recomenda-se voto secreto para garantir imparcialidade.  
5. Transição de Gestão: Em caso de troca de síndico, deve ser feita uma transição detalhada, incluindo a entrega de documentos, contratos vigentes, balancetes financeiros e demais registros relevantes.  
Desafios Mais Comuns  
Com o aumento de condomínios de grande porte e a crescente complexidade das gestões condominiais, muitos síndicos enfrentam desafios na condução das assembleias e na correta aplicação das regras.  
 “Um dos problemas mais comuns é a falta de comunicação eficiente com os condôminos. É indispensável que todos sejam devidamente convocados e informados sobre as pautas da assembleia. Além disso, é fundamental garantir o direito de voz e voto de todos os presentes, respeitando as regras internas do condomínio”, pontua Dra. Juliana.  
Dicas da Dra. Juliana Teles para uma Eleição Tranquila e Legalmente Válida  
Comunique-se com antecedência: Divulgue o edital de convocação com tempo suficiente para que todos possam participar.  
Verifique o quórum necessário: A ausência de quórum invalida as decisões tomadas, gerando possíveis impugnações futuras.  
Registre tudo em ata: Uma ata detalhada é essencial para formalizar o processo, inclusive o resultado da eleição e eventuais contestações.  
Planeje a transição de gestão: Evite deixar pendências e garanta que o novo síndico tenha acesso a todas as informações e documentos necessários.  
Dados Recentes Sobre Gestão Condominial (2025)
Segundo o último levantamento da Associação Brasileira de Síndicos Profissionais (ABRASSP), realizado em janeiro de 2025, cerca de 78% dos condomínios brasileiros possuem síndicos residentes, enquanto 22% optam por síndicos profissionais. A pesquisa também revelou que a maior parte das disputas judiciais envolvendo condomínios refere-se a processos eleitorais mal conduzidos ou impugnações de assembleias.  
> “O aumento da contratação de síndicos profissionais mostra uma tendência crescente de profissionalização na gestão condominial. Isso é positivo, mas também exige dos condomínios um cuidado maior na formalização dos processos eleitorais e na transparência das gestões”, avalia Dra. Juliana Teles.  
Conclusão  
A renovação do mandato do síndico é um processo essencial para garantir uma administração eficiente e transparente no condomínio. Seguir rigorosamente as regras internas e a legislação vigente é a melhor forma de evitar conflitos e garantir que a gestão seja conduzida de maneira legítima e harmoniosa.  
“Um condomínio bem administrado é resultado de um processo eleitoral claro e transparente. A participação ativa dos moradores é essencial para que as decisões sejam tomadas de forma justa e democrática”, conclui Dra. Juliana Teles.  
Se o seu condomínio está se preparando para uma eleição ou renovação de mandato, siga as orientações legais e garanta que todos os moradores possam participar desse processo de forma adequada.
Dra. Juliana Teles  
Advogada Especialista em Direito Condominial  
Sócia do Escritório Faustino e Teles

Continue Lendo

Outras

Defesa Civil do Rio alerta para alto risco de deslizamento no estado

Publicado

em

© Fernando Frazão/Agência Brasil

A Defesa Civil Estadual divulgou, na manhã desta sexta-feira (4), alerta para o risco de deslizamento moderado a alto em todas as regiões do estado. Também há alerta para risco moderado a muito alto em todo o território fluminense, devido à ocorrência de pancadas de chuva moderadas a muito fortes. Segundo a Defesa Civil, choveu muito forte no litoral sul do estado nas últimas horas.

A chuva acumulada em Angra dos Reis, nas últimas 24 horas, chega a 88 milímetros por metro quadrado. Também choveu forte em algumas áreas da cidade do Rio, que entrou em estágio de alerta.

De acordo com a Defesa Civil, a passagem de uma frente fria pelo estado manterá o tempo instável. São esperadas, além das pancadas de chuva, raios e rajadas de vento.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgou alerta de grande perigo de acumulado de chuvas, válido para o litoral de São Paulo, o sul fluminense, Vale do Paraíba, Grande Rio, região serrana e Região dos Lagos do Rio.

Segundo o aviso, que vale até as 10h deste sábado (5), é prevista chuva superior a 60 mm/h ou acima de 100 mm/dia, com risco de grandes alagamentos e transbordamentos de rios e grandes deslizamentos de encostas, em cidades com tais áreas de risco.

Fonte

Continue Lendo

Outras

Saúde Mental em Colapso: Por Que as Empresas Precisam Agir Agora para Evitar uma Epidemia Silenciosa

Publicado

em

A saúde mental no Brasil atingiu um patamar crítico em 2025. Dados recentes do Ministério da Saúde revelam que o país registrou o maior número de afastamentos por transtornos mentais na última década. Esse cenário alarmante tem levado empresas e governos a repensarem suas estratégias de prevenção e cuidado.  

 

Com a atualização da Norma Regulamentadora 1 (NR-1), que entrará em vigor em 2026, as empresas serão obrigadas a adotar medidas concretas para acompanhar e proteger o bem-estar psicológico dos funcionários. “Como consultora executiva de carreira e terapeuta, com mais de 20 anos de experiência, vejo esse movimento como um passo crucial para transformar o ambiente de trabalho em um espaço mais saudável e produtivo.”  

 

Neste artigo, vamos explorar os dados mais recentes sobre a crise de saúde mental no Brasil, entender as mudanças na NR-1 e oferecer dicas práticas para que as empresas possam se preparar para essa nova realidade, afirma Madalena Feliciano.  

 

 Cenário da Saúde Mental no Brasil em 2025  

 

Os números não deixam dúvidas: a saúde mental dos brasileiros está em colapso. Segundo o Ministério da Saúde, os transtornos mentais mais comuns que levaram a afastamentos em 2025 foram:  

– Ansiedade: 45% dos casos.  

– Depressão: 35% dos casos.  

– Burnout (Síndrome do Esgotamento Profissional): 15% dos casos.  

– Outros transtornos (como estresse pós-traumático e transtorno bipolar): 5% dos casos.  

 

Além disso, uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) apontou que 70% dos trabalhadores brasileiros já se sentiram sobrecarregados emocionalmente no ambiente de trabalho, e 40% relataram que o estresse impactou diretamente sua produtividade.  

 

“Esses dados refletem uma realidade que já vinha se agravando há anos, mas que foi intensificada pela pandemia e pelas mudanças aceleradas no mundo do trabalho. Para Madalena Feliciano, as empresas precisam entender que a saúde mental não é um problema individual, mas uma responsabilidade coletiva,” comento em minhas palestras.  

 Atualização da NR-1: O Que Muda para as Empresas?  

 

A Norma Regulamentadora 1 (NR-1), que estabelece as diretrizes gerais de segurança e saúde no trabalho, passará por uma atualização significativa em 2026. Entre as principais mudanças, destacam-se:  

  1. Obrigatoriedade de programas de saúde mental: As empresas deverão implementar programas de prevenção e promoção da saúde mental, com ações como palestras, workshops e acompanhamento psicológico.  
  2. Avaliação periódica do bem-estar psicológico: Será necessário realizar avaliações regulares para identificar riscos psicossociais, como estresse, assédio moral e sobrecarga de trabalho.  
  3. Treinamento de líderes: Gestores e supervisores deverão receber treinamento para identificar sinais de problemas mentais em suas equipes e saber como agir.  
  4. Adaptação do ambiente de trabalho: As empresas precisarão garantir que o ambiente de trabalho seja seguro e saudável, com medidas como flexibilidade de horários, pausas regulares e espaços de relaxamento.  

 

“Essa atualização é um marco importante, mas também um desafio para muitas empresas. A boa notícia é que, ao investir na saúde mental dos colaboradores, as organizações não apenas cumprem a legislação, mas também aumentam a produtividade, a retenção de talentos e a satisfação no trabalho,” destaco em minhas mentorias.  

 

Dicas Práticas para as Empresas se Prepararem  

 

A implementação das novas medidas exigirá planejamento e comprometimento por parte das empresas. Abaixo, listo algumas dicas práticas para ajudar as organizações a se adaptarem à nova NR-1 e promoverem um ambiente de trabalho mais saudável:  

 

  1. Crie um Programa de Saúde Mental  

– Realize diagnósticos: Faça pesquisas e avaliações para entender os principais desafios de saúde mental enfrentados pelos colaboradores.  

– Ofereça suporte psicológico: Contrate psicólogos ou parcele com clínicas especializadas para oferecer atendimento individual ou em grupo.  

– Promova campanhas de conscientização: Utilize palestras, e-mails informativos e materiais educativos para falar sobre a importância da saúde mental. 

 

  1. Capacite os Líderes  

– Treine gestores: Ofereça cursos e workshops para que os líderes aprendam a identificar sinais de problemas mentais, como mudanças de comportamento, queda de produtividade ou absenteísmo.  

– Promova uma cultura de apoio: Incentive os gestores a criarem um ambiente seguro, onde os colaboradores se sintam à vontade para compartilhar suas dificuldades.  

 

  1. Adapte o Ambiente de Trabalho  

– Flexibilize horários: Permita que os colaboradores tenham horários flexíveis ou a opção de trabalhar remotamente, quando possível.  

– Crie espaços de relaxamento: Reserve áreas para pausas, com cadeiras confortáveis, plantas e iluminação adequada.  

– Incentive pausas regulares: Promova a cultura de que pausas são essenciais para a produtividade e o bem-estar.  

 

  1. Promova o Equilíbrio entre Vida Pessoal e Profissional  

– Respeite o horário de descanso: Evite enviar e-mails ou mensagens fora do horário de trabalho.  

– Ofereça benefícios: Inclua na lista de benefícios opções como terapia online, aulas de yoga ou meditação.  

– Incentive atividades físicas: Parcerias com academias ou programas de exercícios podem ajudar a reduzir o estresse.  

 

  1. Monitore e Ajuste as Estratégias  

– Avalie os resultados: Realize pesquisas periódicas para medir a eficácia das ações implementadas.  

– Ajuste as medidas: Com base no feedback dos colaboradores, faça ajustes para melhorar os programas de saúde mental.  

Exercícios Práticos para os Colaboradores 

 

Além das medidas estruturais, é importante que os próprios colaboradores desenvolvam hábitos que promovam sua saúde mental. Aqui estão algumas sugestões que as empresas podem incentivar:  

 

  1. Pratique a respiração consciente:  

   – Reserve 5 minutos por dia para respirar profundamente, inspirando pelo nariz e expirando pela boca.  

   – Essa prática ajuda a reduzir o estresse e a ansiedade.  

 

  1. Faça pausas ativas:  

   – A cada hora de trabalho, levante-se, alongue-se e caminhe por alguns minutos.  

   – Isso ajuda a melhorar a circulação e a reduzir a tensão muscular.  

 

  1. Mantenha um diário de gratidão:  

   – Anote três coisas pelas quais você é grato todos os dias.  

   – Esse exercício ajuda a focar no positivo e a melhorar o humor.  

 

Conclusão: Saúde Mental como Prioridade  

 

A crise de saúde mental no Brasil é um desafio complexo, mas também uma oportunidade para as empresas repensarem suas práticas e priorizarem o bem-estar de seus colaboradores. Com a atualização da NR-1, as organizações terão a chance de se tornarem agentes de transformação, criando ambientes de trabalho mais saudáveis, produtivos e humanos.  

 

“Investir na saúde mental não é apenas uma obrigação legal; é um compromisso com o futuro das pessoas e das organizações. Quando cuidamos do bem-estar psicológico dos colaboradores, estamos construindo uma base sólida para o sucesso coletivo,” finalizo.  

 

Que 2025 seja o ano em que as empresas brasileiras assumam a liderança na promoção da saúde mental, transformando desafios em oportunidades e criando um legado de cuidado e respeito.  

Madalena Feliciano  

Empresária, CEO de três empresas, Outliers Careers, IPC e MF Terapias, consultora executiva de carreira, terapeuta, mãe de 5 filhos, atua como mentora de líderes e de equipes e com orientação profissional há mais de 25 anos, sendo especialista em gestão de carreira e desenvolvimento humano. É administradora, estudou Terapias Alternativas e MBA em Hipnoterapia. Já concedeu entrevistas para diversos programas de televisão abordando os temas de carreira, empregabilidade, coaching, perfil comportamental, postura profissional, hipnoterapia e outros temas relacionados com o mundo corporativo. Master Coach, Master em PNL e Hipnoterapeuta, Madalena realiza atendimentos personalizados para: fobias, depressão, ansiedade, medos, gagueira, pânico, anorexia, entre muitos outros. Atua também com treinamentos comportamentais para líderes e mentorias individuais.

Continue Lendo