Roberta da Horta defende novas políticas de água, alimentação, renda e território para o Ceará
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Candidata da Rede Sustentabilidade, número 18180, reúne em sua trajetória enfrentamento ao bolsonarismo, defesa das mulheres e propostas para segurança hídrica, alimentar e nutricional e justiça financeira e fundiária

A trajetória de Roberta da Horta até a disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa do Ceará passa pela reconstrução da própria história familiar, pela formação em Nutrição e por experiências que, segundo ela, definiram as pautas que pretende levar para a política institucional. Candidata pela Rede Sustentabilidade, com o número 18180, Roberta apresenta como principais eixos de sua plataforma a segurança hídrica, alimentar e nutricional, o enfrentamento à violência contra mulheres, crianças e populações vulnerabilizadas e a justiça financeira e fundiária. Ao mesmo tempo, assume uma posição de enfrentamento ao bolsonarismo e às forças políticas que, em sua avaliação, representam interesses contrários à organização popular.
Nascida e criada em Fortaleza, Roberta afirma ter descoberto a ancestralidade indígena Kariú-Kariri durante o processo de reconstrução da história da família. Ela também se identifica como descendente do Dragão do Mar. A memória familiar tem como uma de suas referências o avô materno, Zé Alma, pescador do Mucuripe que, segundo seu relato, teve a família retirada do território em 1971, durante a ditadura militar.
A experiência do deslocamento do Mucuripe para a região da Sapiranga tornou-se uma das referências para a defesa que Roberta faz atualmente do direito à cidade, da reforma agrária e do acesso a territórios onde as famílias possam viver e produzir.

“Eu cresci longe do mar e dos saberes ancestrais dos peixes, das embarcações, dos ventos, das luas e das estrelas”, relata.

Do enfrentamento ao bolsonarismo à disputa institucional
A oposição ao bolsonarismo é um dos elementos que marcam a atuação política de Roberta. Em dezembro de 2025, ela protagonizou um episódio que ganhou repercussão ao abordar o deputado federal André Fernandes e a deputada Dayany Bittencourt no Aeroporto de Fortaleza.
O encontro foi registrado em vídeo e divulgado nas redes sociais. O episódio gerou registro policial e posteriormente, segundo reportagem do Diário do Nordeste, a Polícia Legislativa Federal informou o indiciamento de Roberta por difamação e injúria.
Para Roberta, o episódio está inserido em uma disputa política mais ampla que envolve projetos diferentes para o Ceará e para o país. Sua campanha pela Assembleia Legislativa é apresentada como uma continuidade dessa atuação, agora pela via institucional e a partir de pautas relacionadas às condições concretas de vida da população.
A atuação pública de Roberta, no entanto, antecede o episódio. Em 2024, ela participou da Marcha pelo Clima Ceará, realizada em Fortaleza, mobilização que levou às ruas discussões sobre justiça climática e racismo ambiental, conforme registro publicado por O Povo.

Da experiência pessoal à política
Formada em Nutrição, Roberta conta que sua aproximação com as questões sociais ganhou força durante a universidade, especialmente a partir das aulas de Saúde Coletiva. Uma das experiências que considera marcantes foi o contato com o documentário Ilha das Flores, que, segundo ela, ampliou sua percepção sobre desigualdade, alimentação e condições de vida.
A trajetória pessoal também inclui o relato de um relacionamento abusivo e de uma demissão durante a gravidez. Roberta afirma que essas experiências contribuíram para sua decisão de atuar politicamente em defesa das mulheres e de outras populações em situação de vulnerabilidade.

“Eu entendi que era muito importante ter mais mulheres na política, mulheres com vivências como a minha”, afirma.

Água, alimentação e território
Entre as propostas apresentadas por Roberta está a ampliação da segurança hídrica no Ceará. Ela defende que o Estado adote medidas para garantir o abastecimento das escolas estaduais que enfrentam problemas de acesso à água.
A candidata também cita tecnologias de captação de água presente no ar e sistemas de reaproveitamento de água como alternativas que poderiam ser avaliadas para diferentes finalidades.
A segurança alimentar e nutricional aparece como outro eixo da plataforma. Roberta defende a valorização dos profissionais da área da saúde, incluindo a criação de piso salarial para nutricionistas, além do fortalecimento das políticas públicas de alimentação.
Outra proposta apresentada é a transformação de cozinhas sociais em restaurantes sociais, articulados a bancos de alimentos e bancos comunitários.

Bancos comunitários e moeda social
Na área econômica, Roberta propõe a criação de uma moeda social cearense unificada, inspirada na experiência do Banco Palmas, iniciativa de economia comunitária criada em Fortaleza.
A proposta, segundo a candidata, seria combinar bancos comunitários, mecanismos de circulação de recursos dentro dos próprios territórios e instrumentos de geração de renda. Ela também relaciona a iniciativa à ideia de reparação histórica para populações afro-indígenas e comunidades vulnerabilizadas.
A justiça fundiária completa os principais eixos da plataforma. Roberta defende políticas de moradia que, em sua avaliação, não se limitem à construção de unidades habitacionais, mas considerem também o acesso a terra, quintais, áreas de cultivo e condições para produção de alimentos.

A “Segunda Abolição Cearense”
É a partir da combinação dessas pautas que Roberta apresenta o conceito de “Segunda Abolição Cearense”. A expressão é utilizada por ela para defender que a superação das desigualdades deve avançar para além da liberdade formal, alcançando questões como acesso à água, alimentação, renda, moradia, terra e crédito.
“A primeira abolição rompeu com as correntes visíveis. Agora nós temos que nos libertar das correntes invisíveis”, afirma.
Na campanha pela Assembleia Legislativa, Roberta da Horta disputa uma vaga pela Rede Sustentabilidade, com o número 18180, apresentando uma plataforma que combina enfrentamento ao bolsonarismo, organização popular, segurança hídrica, segurança alimentar e nutricional, combate à violência e justiça financeira e fundiária.

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