Saúde mental da família também importa: o impacto emocional do diagnóstico de autismo

Saúde mental da família também importa: o impacto emocional do diagnóstico de autismo

Mayla Tauany
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Psicóloga Marina Pucci alerta para a importância de acolher emocionalmente pais e cuidadores de crianças autistas: “Não é só sobre a criança, é sobre toda a família”

O diagnóstico de autismo costuma marcar profundamente a história de uma família. Muitas vezes, o impacto emocional dessa notícia vem acompanhado de sentimentos de culpa, medo, sobrecarga e incertezas sobre o futuro. Por isso, cuidar da saúde mental dos pais e cuidadores de crianças com autismo é uma etapa essencial — mas frequentemente negligenciada — do processo terapêutico.

Para a psicóloga perinatal e infantil Marina Pucci, especialista em TEA (Transtorno do Espectro Autista) e TND (Transtornos do Neurodesenvolvimento), é fundamental que o olhar clínico se estenda para além da criança. “É comum que, após o diagnóstico, toda a atenção seja voltada para os tratamentos e intervenções com o filho. Mas quem cuida de quem cuida? Os pais também precisam de acolhimento, escuta e apoio psicológico para lidar com esse novo cenário”, afirma a especialista.

Muitos pais se sentem perdidos, sozinhos ou até mesmo culpados por não conseguirem atender todas as demandas da rotina terapêutica e da vida pessoal. Soma-se a isso o cansaço físico e emocional, a possível falta de rede de apoio e o luto por uma expectativa de maternidade ou paternidade idealizada.

“É preciso dar espaço para que essas emoções sejam reconhecidas e acolhidas, sem julgamento. O sofrimento psíquico de pais e mães afeta diretamente o bem-estar da criança. Por isso, cuidar da família é também uma forma de cuidar da criança autista”, explica Marina.

Além da rede de profissionais especializados que cuidam da criança — como terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, psicopedagogos e médicos —, é essencial que pais e responsáveis também tenham acesso a suporte psicológico.

O acompanhamento terapêutico pode ajudar a organizar emocionalmente os cuidadores, oferecer ferramentas para lidar com os desafios diários e fortalecer o vínculo com a criança, promovendo uma convivência mais leve e afetiva.

Marina destaca que ainda existe um tabu em torno da ideia de que pais precisam ser fortes o tempo todo. “Não há fragilidade em buscar apoio. Pelo contrário: reconhecer os próprios limites e procurar ajuda psicológica é um ato de coragem e cuidado com toda a família”, finaliza.

SOBRE A PROFISSIONAL

Marina Pucci é psicóloga perinatal e infantil, especialista em TEA (Transtorno do Espectro Autista) e TND (Transtornos do Neurodesenvolvimento). Atua no acolhimento emocional de gestantes, mães, pais e crianças, especialmente em contextos desafiadores como o diagnóstico de autismo, luto gestacional, dificuldades de vínculo e sobrecarga na parentalidade. Sua prática clínica é centrada na escuta qualificada, orientação parental e fortalecimento dos vínculos familiares.

Instagram: @marina.psiperinatal

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