Psicóloga e
psicanalista, Joana d’Arc Sakai alerta que mudanças de comportamento,
isolamento e uso excessivo de telas, podem indicar sofrimento emocional em
crianças e adolescentes.
Nem sempre
crianças e adolescentes conseguem expressar em palavras o que estão sentindo.
Muitas vezes, o sofrimento emocional se manifesta por meio de mudanças de
comportamento, dificuldades escolares, alterações no sono e até dores físicas
sem causa clínica identificada.
Segundo a
psicóloga e psicanalista, Dra. Joana d’Arc Sakai, doutora em Psicologia pela
Universidade de São Paulo (USP), reconhecer esses sinais é fundamental para
identificar situações de sofrimento emocional e buscar ajuda antes que as
dificuldades se agravem.
“É importante
observar o comportamento da criança ou do adolescente, pois nem sempre eles
conseguem expressar em palavras o que sentem”, explica a especialista.
Mudanças de
comportamento merecem atenção
Isolamento
social, irritabilidade frequente, queda no rendimento escolar, alterações no
apetite, pesadelos e resistência em frequentar a escola, estão entre os sinais
que podem indicar sofrimento psicológico.
Dores de cabeça
e de barriga recorrentes, sem uma explicação clínica identificada, também
merecem atenção. Entre os adolescentes, comportamentos como automutilação,
abandono de atividades antes prazerosas e uso de álcool ou outras drogas, são
sinais de alerta importantes.
De acordo com
Joana, quando as mudanças emocionais ou comportamentais persistem por duas a
três semanas, é recomendável buscar uma avaliação profissional. Entretanto,
sinais graves, como automutilação ou manifestações de risco à própria vida,
exigem atenção imediata, pois não se deve esperar esse período, quando os
sinais são intensos, há prejuízo importante no cotidiano ou existe risco à
segurança da criança ou do adolescente.
A especialista
ressalta que a ansiedade e a depressão podem se manifestar de maneiras
diferentes, conforme a idade e o estágio de desenvolvimento:
· Primeira
infância: medos intensos, irritabilidade e mudanças no comportamento.
· Idade
escolar: preocupações excessivas, perfeccionismo e queixas físicas frequentes.
· Adolescência:
isolamento, crises de ansiedade, baixa autoestima e medo do julgamento social.
Esses sinais
não significam, necessariamente, a presença de um transtorno mental, mas
indicam a importância de observar o contexto, a frequência e a intensidade das
manifestações.
Celulares e
redes sociais podem intensificar dificuldades
O uso excessivo
de celulares, redes sociais e jogos eletrônicos, também merece atenção das
famílias. Para a especialista, o problema não está na tecnologia em si, mas na
maneira como ela ocupa o cotidiano e passa a substituir experiências
importantes para o desenvolvimento emocional.
O tempo
excessivo diante das telas pode prejudicar o sono, reduzir as oportunidades de
convivência presencial e limitar experiências necessárias ao desenvolvimento de
habilidades como paciência, autorregulação e tolerância à frustração. A
comparação constante com padrões de aparência e estilo de vida, apresentados
nas redes sociais também pode afetar a autoestima, especialmente na
pré-adolescência e na adolescência.
A psicóloga
recomenda estabelecer limites adequados à idade, acompanhar os conteúdos
acessados e evitar o uso de telas durante as refeições e na hora que antecede o
sono.
“Celular não é
babá eletrônica”, alerta a especialista, destacando que os adultos também
precisam respeitar os combinados estabelecidos em casa. Afinal, os limites se
tornam mais consistentes quando os próprios pais dão o exemplo.
Família e
escola têm papel fundamental
O ambiente em
que crianças e adolescentes vivem, influencia seu bem-estar psicológico.
Conflitos familiares, cobranças excessivas, comparações entre irmãos e
situações de bullying, podem intensificar sentimentos de insegurança,
inadequação e desvalorização.
Segundo Joana,
a família contribui para a proteção emocional dos filhos quando oferece uma
rotina previsível, demonstra afeto e reconhece seus sentimentos, sem deixar de
estabelecer limites.
Na escola, o
cuidado precisa ir além das notas e do desempenho acadêmico. Professores e
responsáveis devem estar atentos às mudanças de comportamento, às dificuldades
de relacionamento e a possíveis situações de bullying, que precisam ser
tratadas com seriedade.
A especialista,
também, destaca que a cobrança excessiva por resultados pode levar a criança a
associar seu valor pessoal exclusivamente ao desempenho escolar, comprometendo
a construção da autoestima.
Quando
procurar ajuda psicológica?
Para Joana
d’Arc Sakai, a avaliação psicológica deve ser considerada quando mudanças
emocionais ou comportamentais persistem, se intensificam ou começam a
comprometer a rotina, os relacionamentos, o sono ou o desempenho escolar.
A orientação
aos pais é substituir comparações e críticas constantes, por escuta,
acolhimento e diálogo. Manter horários regulares para dormir, acordar,
atividades físicas, reservar tempo para brincar e fortalecer a convivência
familiar, são medidas importantes para favorecer o desenvolvimento emocional
saudável.
“Escute mais,
corrija menos”, orienta a psicóloga.
Joana ressalta
que buscar ajuda profissional não representa fracasso na educação dos filhos.
Pelo contrário, demonstra responsabilidade e disposição para compreender suas
necessidades emocionais, além de ser sinal de maturidade.
“Saúde mental
de criança se constrói com presença, com encontro genuíno”, conclui a
especialista.
Fonte:
Dra. Joana
d’Arc Sakai — Psicóloga e psicanalista
CRP-SP:
06/18972-2
Doutora e
mestra em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP), com especialização
em Psicanálise de Crianças e Adolescentes (USP). Atua nas áreas clínica e
educacional, além de ministrar palestras sobre Psicologia, Educação e
desenvolvimento humano.