Especialistas da Afya explicam e listam 12 consequências da falta de atividade física para a terceira idade
O Brasil vive um processo acelerado de envelhecimento populacional. Em 2023 e 2024, o país registrava cerca de 32 a 37 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o que representa aproximadamente 15% a 18% da população, segundo dados do IBGE e de estudos demográficos recentes. O cenário impõe novos desafios à saúde pública, especialmente no que diz respeito à manutenção da funcionalidade e da autonomia na terceira idade.
Para a Dra. Karoline Fiorotti, médica e professora de Geriatria da pós-graduação da Afya Vitória, envelhecer com qualidade está diretamente relacionado ao estilo de vida adotado ao longo da vida, e o sedentarismo aparece como um dos principais fatores de risco para a perda de independência. “O corpo do idoso responde muito rapidamente à inatividade. Em poucas semanas já é possível observar perda de massa muscular, piora do equilíbrio e redução da capacidade cardiorrespiratória”, explica.
Segundo a especialista, a falta de atividade física desencadeia uma série de prejuízos sistêmicos que aceleram o declínio funcional. O sedentarismo está associado ao aumento de doenças crônicas, como hipertensão, diabetes tipo 2 e colesterol elevado, além de favorecer a sarcopenia, que é a perda progressiva de massa e força muscular e que compromete o equilíbrio, a marcha e a capacidade de reação, elevando o risco de quedas, fraturas e hospitalizações.
A médica ressalta ainda que o envelhecimento saudável está ligado à construção da chamada “reserva funcional”, formada ao longo da vida por hábitos como prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, sono adequado e a redução do consumo de álcool e tabaco. Quanto maior essa reserva, representada, por exemplo, pela massa muscular e óssea acumuladas ao longo dos anos, maior a capacidade do organismo de enfrentar as mudanças naturais do envelhecimento.
Segundo a Dra. Alana Rocha Puppim, médica e professora da pós-graduação de Endocrinologia Afya Vitória, durante muito tempo, as orientações para o envelhecimento saudável priorizaram principalmente exercícios mentais para manter a cognição ativa. Hoje, porém, a atividade física desempenha um papel ainda igualmente relevante na preservação da memória e do raciocínio ao longo da vida. De acordo com a médica, a atividade física pode ser até mais importante do que exercícios exclusivamente mentais para a manutenção da cognição.
Dr. Raul Oliveira, professor da graduação de Fisioterapia da Afya Centro Universitário Itaperuna, reforça que o movimento é um dos pilares para a manutenção da autonomia na terceira idade. Atividades simples do cotidiano, como caminhar, levantar e sentar, subir pequenos degraus, alongar ou até realizar tarefas domésticas, ajudam a preservar a força muscular, a mobilidade das articulações, o equilíbrio e a coordenação, fatores essenciais para a independência nas atividades diárias, como tomar banho, vestir-se e se locomover.
“Quando o idoso se mantém ativo, ele preserva força, mobilidade, coordenação e consciência corporal, o que facilita a realização das tarefas do dia a dia com mais segurança”, explica o especialista.
Segundo o fisioterapeuta, o sedentarismo favorece rigidez, dores, perda de equilíbrio e insegurança para realizar até mesmo atividades simples, como levantar da cadeira ou caminhar pequenas distâncias. Por isso, ele destaca que estimular a prática regular de exercícios, mesmo que adaptados e de baixa intensidade, é uma das estratégias mais eficazes para promover um envelhecimento saudável. “Quanto mais o idoso se mantém em movimento de forma segura e orientada, maiores são as chances de preservar sua autonomia por mais tempo”, conclui.
A seguir, os especialistas listam 12 consequências do sedentarismo nos idosos:
1) Perda de massa muscular (sarcopenia)
A falta de movimento acelera a perda de massa e força muscular. Com menos músculos, o idoso perde autonomia para realizar tarefas simples do dia a dia, como subir escadas, levantar da cadeira ou carregar objetos.
2) Aumento do risco de quedas
Fraqueza muscular e piora do equilíbrio aumentam a instabilidade ao caminhar. O sedentarismo reduz reflexos e coordenação, elevando significativamente o risco de quedas e fraturas.
3) Rigidez articular e dor crônica
Articulações que não se movimentam perdem mobilidade e flexibilidade. Isso favorece dores persistentes, limitação de movimentos e piora de quadros como artrose.
4) Declínio da memória e da cognição
O cérebro também precisa de estímulo. A atividade física melhora a circulação cerebral, contribui para a manutenção das funções cognitivas e ajuda a reduzir o risco de declínio cognitivo.
5) Piora da capacidade cardiorrespiratória
A inatividade reduz o condicionamento cardiorrespiratório, diminuindo a eficiência pulmonar e a tolerância aos esforços.
6) Perda de independência funcional
O que hoje parece apenas falta de disposição pode evoluir para dependência. A redução progressiva da capacidade física compromete a autonomia e a qualidade de vida.
7) Osteoporose e fraturas
Sem estímulo do movimento, os ossos perdem densidade e ficam mais frágeis. Isso aumenta o risco de quedas evoluírem para fraturas, especialmente de quadril e coluna.
8) Aumento de doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e colesterol elevado
O sedentarismo dificulta o controle da glicose, da pressão arterial e das gorduras no sangue, favorecendo o surgimento ou a piora dessas doenças.
9) Piora do padrão do sono
A falta de atividade física reduz a regulação do ciclo sono–vigília, favorecendo insônia, sono fragmentado e sensação de descanso insuficiente.
10) Maior risco de ansiedade e depressão
O movimento estimula substâncias ligadas ao bem-estar, como endorfina e serotonina. Sem esse estímulo, há maior vulnerabilidade ao humor deprimido e à ansiedade.
11) Piora da imunidade e maior risco de infecções
A inatividade contribui para um sistema imunológico menos eficiente, deixando o organismo mais suscetível a infecções respiratórias e outras doenças.
12) Complicações gastrointestinais (Constipação)
A falta de movimento reduz o estímulo natural do intestino, tornando o trânsito intestinal mais lento e favorecendo o intestino preso.
Sobre a Afya
A Afya, maior ecossistema de educação e soluções para a prática médica do Brasil, reúne 38 Instituições de Ensino Superior, 33 delas com cursos de Medicina e 25 unidades promovendo pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e de saúde em todas as regiões do país. São 3.753 vagas de Medicina aprovadas pelo MEC e 3.643 vagas de Medicina em operação, com mais de 24 mil alunos formados nos últimos 25 anos. Pioneira em práticas digitais para aprendizagem contínua e suporte ao exercício da Medicina, 1 a cada 3 médicos e estudantes de Medicina no país utiliza ao menos uma solução digital do portfólio, como Afya Whitebook, Afya iClinic e Afya Papers. Primeira empresa de educação médica a abrir capital na Nasdaq em 2019, a Afya recebeu prêmios do jornal Valor Econômico, incluindo “Valor Inovação” (2023) como a mais inovadora do Brasil e “Valor 1000” (2021, 2023, 2024 e 2025) como a melhor empresa de educação. Virgílio Gibbon, CEO da Afya, foi reconhecido como o melhor CEO na área de Educação pelo prêmio “Executivo de Valor” (2023). Em 2024, a empresa passou a integrar o programa “Liderança com ImPacto”, do Pacto Global da ONU no Brasil, como porta-voz da ODS 3 – Saúde e Bem-Estar. Mais informações em: www.afya.com.br eir.afya.com.br.
Médicos em Movimento
No mês em que se celebra o Dia Mundial da Saúde, a Afya promove a campanha Médicos em Movimento, iniciativa que incentiva o autocuidado entre médicos e estudantes de medicina. Em 2026, a campanha está estruturada em três frentes: conteúdo, com publicações sobre bem-estar e qualidade de vida; engajamento, com desafios de atividade física no aplicativo Strava; e experiências presenciais em todo o Brasil. A programação inclui o patrocínio de corridas em diferentes regiões, a primeira delas em Salvador, além de atividades nas unidades de graduação ao longo do mês, ampliando a mobilização e incentivando hábitos saudáveis entre profissionais da saúde e toda a comunidade. Saiba mais em: https://institucional.afya.com.br/dia-mundial-da-saude-2026/