Exigências técnicas e avanço da automação levam laboratórios a adotar plataformas digitais integradas
A pressão por rastreabilidade e eficiência acelera a transformação dos sistemas usados por laboratórios de calibração. Dados do Inmetro indicam que o Brasil tem mais de 1.600 laboratórios acreditados na norma ISO/IEC 17025. Nesse cenário, softwares de gestão deixam de ser apenas administrativos e passam a ter papel estratégico na operação dos laboratórios.
Julian Raphaelli, especialista em desenvolvimento de sistemas para metrologia e calibração, avalia que a mudança é estrutural e irreversível. “O laboratório que ainda depende de sistemas fragmentados e controles manuais perde previsibilidade e aumenta o risco de não conformidades. A tendência é a adoção de plataformas centralizadas, capazes de integrar dados técnicos, processos e instrumentos”, afirma.

O avanço da digitalização é impulsionado por fatores regulatórios e operacionais. Diretrizes da International Laboratory Accreditation Cooperation (ILAC) e da Organização Internacional de Metrologia Legal (OIML) reforçam a necessidade de rastreabilidade metrológica, integridade dos dados e controle sistemático das informações técnicas, pontos cada vez mais observados em auditorias.
Esse movimento tem acelerado a evolução de sistemas LIMS, CMS e CMMS para ambientes integrados, com maior controle sobre históricos de calibração, incertezas e certificados.

Na rotina dos laboratórios, a integração entre software e equipamentos altera a dinâmica operacional. “Quando o sistema se comunica diretamente com instrumentos, o erro humano diminui e os processos se tornam mais consistentes. O gestor passa a ter uma visão clara de gargalos, desvios e prazos críticos”, explica Julian.
Outro eixo dessa transformação é a adoção de plataformas em nuvem. Modelos SaaS permitem atualizações contínuas, escalabilidade e padronização de processos, além de facilitar a adaptação a mudanças normativas. “A norma evolui, o mercado muda e o sistema precisa acompanhar esse ritmo sem interromper a operação do laboratório”, diz.

Com a consolidação de bases históricas de dados, os sistemas passam a apoiar análises mais avançadas. A partir dessas informações, torna-se possível antecipar vencimentos de calibração, acompanhar o desempenho de instrumentos ao longo do tempo e identificar padrões recorrentes de não conformidade. “O software deixa de ser apenas reativo e passa a apoiar decisões estratégicas. Isso muda o papel da tecnologia dentro do laboratório”, afirma.
Para o especialista, os próximos anos devem consolidar um novo patamar de maturidade digital no setor. “Laboratórios que investirem agora em integração, automação e arquitetura moderna estarão mais preparados para auditorias, expansão e novas exigências do mercado. A tecnologia passa a ser um ativo de credibilidade e crescimento”, conclui.

Sobre Julian Raphaelli
Julian Raphaelli é especialista em desenvolvimento de software para metrologia e calibração, com mais de duas décadas de atuação em ambientes técnicos e regulados. Trabalha na criação e modernização de sistemas voltados a laboratórios acreditados na norma ISO/IEC 17025, com foco em rastreabilidade, automação de processos, integridade de dados e conformidade regulatória.
Com experiência em arquitetura de sistemas SaaS e integração com instrumentos laboratoriais, atua como líder técnico no desenvolvimento de plataformas LIMS, CMS e CMMS. Ao longo da carreira, conduziu projetos de transformação digital que ampliaram a eficiência operacional dos laboratórios e apoiaram a tomada de decisão com base em dados técnicos e históricos confiáveis.
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Fontes de pesquisas
Inmetro – Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia
https://www.gov.br/inmetro
https://www.gov.br/inmetro/pt-br/assuntos/acreditacao
International Laboratory Accreditation Cooperation (ILAC)
https://ilac.org
https://ilac.org/publications-and-resources/
Organização Internacional de Metrologia Legal (OIML)
https://www.oiml.org
https://www.oiml.org/en/publications