Créditos: Zoran Zeremski l iStock

 

Entre mudanças geracionais e transformações no campo, planejamento e gestão profissional surgem como caminhos para preservar o futuro das fazendas familiares

O agronegócio é um dos pilares da economia nacional. Considerando toda a cadeia produtiva, o setor responde por cerca de 20% a 25% do Produto Interno Bruto (PIB). Apesar dessa relevância, a sucessão familiar no agronegócio vem sendo um desafio. Isso porque a transição entre gerações nem sempre ocorre de forma estável. 

Conforme estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas cerca de 30% das propriedades conseguem chegar à segunda geração sob gestão familiar, enquanto somente uma pequena parcela, em torno de 5%, ultrapassa a terceira.

Por que o agronegócio enfrenta desafios na sucessão familiar?

Historicamente, a gestão familiar no campo foi marcada pela transferência direta de responsabilidades entre pais e filhos. Esse modelo ajudou a consolidar tradições e formas próprias de trabalho no campo. No entanto, esse momento costuma trazer mudanças importantes na forma de conduzir o negócio.

Isso ocorre, em parte, porque as gerações cresceram em contextos diferentes. Enquanto produtores mais experientes seguiram práticas tradicionais, os jovens têm maior contato com novos modelos de gestão.

A modernização do setor também influencia a sucessão rural. Tecnologias voltadas à gestão e à produção tornam as fazendas mais eficientes e podem despertar o interesse dos jovens no agronegócio. 

No entanto, em propriedades com forte tradição familiar, mudanças rápidas podem gerar receio, já que práticas utilizadas por muitos anos costumam ser vistas como confiáveis.

Além disso, outros fatores também podem dificultar a sucessão de propriedades rurais. Entre eles, estão a busca dos jovens por oportunidades profissionais nas cidades, a percepção de que o trabalho no campo exige dedicação constante e a falta de planejamento para a herança no campo.

Caminhos para tornar a sucessão familiar no agronegócio mais sustentável

Diante desses desafios, diferentes iniciativas podem ajudar a tornar a sucessão familiar no agronegócio mais estruturada. Quando há organização e planejamento, a transição tende a acontecer de forma mais equilibrada entre tradição e inovação.

Gestão profissional

Em primeiro lugar, a profissionalização da propriedade rural pode contribuir para tornar o negócio mais competitivo. Nesse sentido, a fazenda passa a ser administrada com lógica empresarial, baseada em planejamento e análise de resultados. Entre as práticas que vêm ganhando espaço, estão:

  • controle financeiro estruturado;

  • definição de metas e indicadores de produtividade;

  • planejamento tributário;

  • criação de conselhos familiares ou acordos societários.

Inclusive, a formação dos sucessores também influencia diretamente o futuro do agro. Incentivar capacitação técnica, formação na faculdade de administração e experiência prática contribui para ampliar a capacidade de gestão dos jovens no campo.

Participação gradual dos jovens

Outro fator importante na sucessão rural é a forma como ocorre a transição de liderança. Em vez de mudanças abruptas, a tendência é que o processo aconteça gradualmente.

Nesse modelo, os gestores mais experientes passam a incluir os filhos nas decisões do dia a dia da propriedade. Aos poucos, responsabilidades são compartilhadas, permitindo que os sucessores desenvolvam habilidades administrativas e produtivas.

Além disso, essa convivência facilita a troca de conhecimento entre gerações. Com isso, a experiência acumulada no campo se combina com novas ideias e tecnologias.

Organização patrimonial

O planejamento patrimonial também pode desempenhar papel relevante na sucessão de propriedades rurais. Quando essa organização é feita com antecedência, as famílias conseguem reduzir incertezas e evitar disputas futuras. Entre as ferramentas utilizadas, estão:

  • estruturas societárias voltadas ao agro;

  • acordos entre membros da família;

  • planejamento sucessório formal.

 

Além de trazer segurança jurídica, esse tipo de organização ajuda a preservar a estrutura produtiva da propriedade. Sem planejamento, a divisão de terras entre herdeiros pode levar à fragmentação da área, comprometendo sua viabilidade econômica.

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