Humberto Tobé, Isabella Werneck Zanon
O Vale do Ribeira tem a maior área contínua de Mata Atlântica preservada do Brasil, além de comunidades quilombolas, indígenas e caiçaras, municípios pequenos e áreas de difícil acesso. Uma região assim exige um sistema de saúde que chegue perto das pessoas. O Ministério da Saúde reforça esse objetivo com o Brasil360, o novo modelo de financiamento federal da atenção primária.
O repasse tem três partes. A parte fixa usa um índice que combina vulnerabilidade social e tamanho do município, para que os locais com maior necessidade recebam tratamento diferenciado. A parte do vínculo reconhece as equipes que cadastram e acompanham a população. A parte da qualidade mede resultados por indicadores de saúde. É um desenho que coloca a equidade no centro do financiamento.
Nos municípios com menos de 20 mil habitantes, cada equipe de Saúde da Família tem como referência 2 mil pessoas. Com uma população menor por equipe, é mais viável fazer visitas domiciliares, acompanhar famílias que moram longe do posto e criar vínculo com as comunidades. O Ministério também financia equipes específicas para realidades particulares, como as ribeirinhas e fluviais, e as de consultório na rua.
O Brasil360 inclui ainda a defesa da saúde da população negra e o cuidado especial com populações em maior vulnerabilidade, o que dialoga diretamente com a composição social do Vale do Ribeira. As comunidades tradicionais passam a ter, na agenda federal, atenção específica com financiamento e acompanhamento por indicadores.
Na estrutura, o Novo PAC Saúde prevê unidades básicas novas e 800 unidades odontológicas móveis no país, que levam o consultório odontológico a comunidades de acesso mais complexo. Os conjuntos de equipamentos incluem ultrassom de bolso, eletrocardiógrafo digital e desfibrilador externo. Com isso, exames e avaliações que antes exigiam viagem passam a poder ser feitos no próprio posto. A telessaúde aproxima a equipe local de especialistas, reduzindo as distâncias que a serra e os rios impõem.
O Mais Médicos, com mais de 26 mil profissionais ativos no país, existe justamente para levar médicos a regiões prioritárias e de difícil acesso, e seu orçamento previsto para 2025 chega a R$ 6,5 bilhões. As equipes multiprofissionais, com psicólogos, nutricionistas e fisioterapeutas, foram retomadas e somam mais de 6 mil no país, ampliando o cuidado em saúde mental e reabilitação.O orçamento federal da atenção primária chegou a R$ 60,4 bilhões em 2025. Para o morador do Vale do Ribeira, o resultado esperado é concreto: equipe que conhece a comunidade, exames feitos perto de casa e acesso a especialistas com apoio da tecnologia.
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Brasil 360. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2026.
Humberto Tobé é Pós-Graduado em Gestão da Saúde Pública, trabalha na interlocução com prefeitos, vereadores, gestores municipais e representantes da área da saúde dos municípios paulistas.
Isabella Werneck Zanon é graduanda em Políticas Públicas e Mestranda em Relações Internacionais pela Universidade Federal do ABC (UFABC)